A geminação assenta numa valência cultural comum, centrada nas potencialidades culturais disponibilizadas pelo espólio físico, material e memorial de Malhoa. Neste momento, o município de Figueiró dos Vinhos leva a efeito a realização de um projeto cultural denominado “Rota de Malhoa”, que inclui o município de Caldas da Rainha, abrangendo uma série de iniciativas.
Na cerimónia de assinatura do protocolo de geminação, o presidente da Câmara das Caldas recordou que Malhoa nasceu nas Caldas e fixou residência em Figueiró dos Vinhos após a construção do seu “Casulo”, local de trabalho e posteriormente também sua habitação, tendo aí falecido em 1933.
Fernando Costa destacou o artista, referindo que “é sem dúvida um dos melhores pintores de naturalismo”. “Há muito que tardava esta geminação para dar a conhecer ainda melhor a obra”, disse o autarca, acrescentando no ano da morte do artista foi criado o Museu de José Malhoa em Caldas da Rainha. Segundo Fernando Costa, foi o primeiro museu em Portugal construído para pintura. “É certamente um orgulho para as Caldas e lembro que o promotor do Museu José Malhoa foi o grande caldense António Montês, que era um grande colecionador e admirador do pintor”, adiantou o autarca.
Fernando Costa destacou ainda o escultor e “grande colaborador do Centro de Artes das Caldas, Antonino Mendes, que foi o impulsionador deste projeto e que não pode estar presente por estar doente”.
“É um namoro de há vários anos que hoje se concretiza e que procura dar valor a uma rota dedicada ao pintor José Malhoa, cuja dimensão turística e cultural pode assumir-se como um valor acrescentado, não só para Figueiró dos Vinhos como também para Caldas da Rainha”, disse Rui Silva, presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos.
Segundo Rui Silva, na vida de José Malhoa destacam-se duas localidades que acabaram por tornar-se referências fundamentais da sua obra: Caldas da Rainha, onde nasceu em 1855, e Figueiró dos Vinhos, a terra adotiva, que ocupa um lugar quase mítico na produção do artista e onde se encontra outro marco notável, o Lar-Oficina “O Casulo”, imóvel classificado de interesse concelhio, e onde viria a falecer em 26 de outubro de 1933. “Estamos aqui hoje a formalizar uma união de décadas. Uma geminação que antes de o ser já o era. A geminação feita por Malhoa no seu tempo. A nós cabe-nos reforçá-la, atualizá-la e dar-lhe um novo impulso”, disse o autarca de Figueiró dos Vinhos, acrescentando que “esta geminação deverá, pois, assumir diversas valências: como meio para a promoção dos municípios envolvidos, como veículo para divulgação e promoção das suas atividades económicas e culturais e turísticas”.
A assinatura do protocolo nas Caldas da Rainha foi o primeiro passo da geminação entre os dois municípios. Na passada sexta-feira, em Figueiró dos Vinhos, foi dado o segundo passo e segundo Rui Silva “formalizado de vez o que foi iniciado por Malhoa com a assinatura do protocolo e a inauguração da Praça “Cidade caldas da Rainha “, em frente ao “ Casulo” e onde se encontram o busto de José Malhoa e as placas em homenagem à memória do pintor no 50º e 75º aniversário da sua morte”.
No Centro de Artes o “Espaço da Concas” acolhe parte significativa da obra da artista, permitindo ao público conhecer um pouco da sua vida e muito do seu percurso artístico.
Por via do casamento com o escultor Antonino Mendes, natural de Figueiró dos Vinhos, a pintora Concas aproveitou muitas vezes as temporadas que aí passava, para em pintura ou em desenho, capturar alguns dos locais emblemáticos do casco urbano, dos seus monumentos e casario, mas também dos recantos naturais ou as belas paisagens dessa região.
Nesta altura em que se realizou a geminação entre Caldas da Rainha e Figueiró dos Vinhos, a exposição “Figueiró dos Vinhos – locais e referências” reforçou a união entre os dois municípios.




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