António Salvador, presidente do Grupo Oeste Capital (propriedade da empresa jornalística Caldas Editora), que fez a abertura do evento, destacou o Ciclo de Conferências levadas a cabo pelo JORNAL DAS CALDAS. “Para nós tem sido fundamental e é indispensável a marcação de uma agenda para relacionarmo-nos diretamente com a população e ajudarmos a divulgar obras que de outra forma teriam alguma dificuldade serem apresentadas nas Caldas da Rainha”, apontou, acrescentando que “é com a editora Esfera dos Livros, que tem grande dimensão nacional e internacional, que temos feito algumas iniciativas, como a apresentação da obra sobre a Maçonaria com o jornalista José Vilela”.
António Salvador aproveitou o momento para revelar o crescimento significativo que o JORNAL DAS CALDAS, para além dos outros títulos do grupo, tem tido nos últimos meses. “No site deste seminário, nós passamos de cerca de 60 mil visitantes para 260 mil visitantes por mês e de 700 amigos que tínhamos no facebook hoje temos mais de 8 mil fãs”, indicou, fazendo notar que “este crescimento coloca-nos no topo dos quatro maiores jornais regionais e no Oeste no primeiro lugar”.
“Para nós é fundamental fazer com que os jornais e a informação cheguem ao máximo número de pessoas porque só assim podemos fazer mais iniciativas e torná-las eficazes”, sublinhou António Salvador.
Este responsável elogiou Vítor Matos por ter a coragem de escrever o livro de Marcelo Rebelo de Sousa revelando que “o professor é assinante do Jornal das Caldas e da Região da Nazaré”.
A conferência contou com a presença de Tinta Ferreira, vice-presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que foi o orador convidado em representação do Município. O autarca lembrou a primeira ligação que teve com Marcelo Rebelo em 1983, no Congresso do PSD em Braga. “O Professor apareceu a liderar um pequeno grupo com cerca de 50 congressistas intitulado “Nova Esperança”, com figuras sob a sua orientação, como Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Cavaco Silva, entre outros. Mais do que as suas intervenções o que foi interessante foi a forma como ele organizou o grupo e a influência que teve junto do congresso”, referiu Tinta Ferreira, que recordou que esse grupo foi crescendo e acabou por conquistar o partido em 1985 “não através de Marcelo Rebelo Sousa mas através de Cavaco Silva”.
Marcelo foi educado para ser um chefe político
“Não posso pedir desculpa pelo Professor Marcelo Rebelo Sousa não estar aqui presente porque nós nunca voltámos a falar depois do livro ser publicado. Nem faço ideia sobre o que pensa sobre o conteúdo do livro”, confessou Vítor Matos, que aceitou o convite da Esfera dos Livros para escrever a biografia de Marcelo Rebelo de Sousa. Biografia essa que chama um “trabalho jornalístico normal”, onde rejeitou o habitual modelo anglo-saxónico, em que o entrevistado tem acesso ao manuscrito final e pode propor alterações antes de ir para gráfica.
“O professor aceitou as regras e cumpriu até ao fim. Nunca me perguntou se o texto ia ser mais positivo ou negativo, nem me tentou sondar a perceber. Abriu-me sempre a porta da sua casa arrendada na Rua Conde Ferreira, em Cascais – onde vive desde 1975 – com o auricular na orelha, sinal de hipocondria e o telemóvel na mão. Entre 2008 e 2012, encontrámo-nos umas duas dezenas de vezes para gravar mais de 70 horas de entrevistas para este livro”, explicou o autor da obra, referindo que foi um trabalho “construído como um puzzle, com base nas entrevistas com o Professor e em cerca de 80 entrevistas com pessoas que privaram com Marcelo Rebelo de Sousa”.
Questionado pelo moderador, Francisco Gomes, chefe de redação do JORNAL DAS CALDAS, sobre a que se deve a notoriedade de Marcelo, Vítor Matos respondeu que “aos 25 anos já era uma das figuras mais respeitadas no comentário político, com muito peso nas elites. Mas só se popularizou e massificou na TVI”.
Segundo o autor, o “Professor” não nasceu num berço de ouro mas foi educado pela mãe para ser para ser um chefe político. “O miúdo era brilhante e foi talhado pela mãe para ser o melhor. Foi literalmente, desde pequeno, o menino da mamã. Marcelo Rebelo de Sousa nasceu no seio do poder, cresceu a conviver com ministros do Estado Novo por via das funções políticas do pai”, relatou.
Marcelo Rebelo de Sousa casou com Ana Cristina Motta Veiga em 1972. Têm dois filhos mas separaram-se no fim de 1980. “Ele nunca lhe proporcionou o conforto a nível financeiro. Nunca deu muita importância ao dinheiro, era tipo chapa ganha chapa gasta”, contou o jornalista.
Uma das histórias que mais marcou Vítor Matos foi o lado humano do “Professor”, que financiou cerca de 50 estudantes que tinham boas notas e que não tinham possibilidades económicas para continuar os estudos. “Ele só admitiu esta questão depois de eu o confrontar com a realidade que me foi contada por uma das pessoas que entrevistei”, referiu o autor.
Vítor Matos revelou que Marcelo Caetano não era padrinho do “Professor”, mas no fundo exerceu essa função. O jornalista explicou que “o jovem Marcelo começou a criticar o regime em público e Caetano considerou isso uma traição e nunca mais o recebeu”.
Para Vítor Matos, a história de Marcelo é rara e complexa. “Possui um poder de influência sem ter um cargo formal, o que o torna num caso único no país”, disse o autor, adiantando que a obra traz a visão de um homem profundamente católico, divertido e excêntrico, que alimenta a pequena intriga e a grande conspiração. “Dorme o mínimo, faz diretas a corrigir exames, dita dois textos em simultâneo e escreve com as duas mãos ao mesmo tempo”, conta.
Mas ainda faltam alguns dados para a biografia de Marcelo ficar fechada. “Acho que para fechar a biografia Marcelo Rebelo de Sousa tem de ser Presidente da República”, conclui o jornalista.
Esta conferência foi uma organização do JORNAL DAS CALDAS em parceria com a Editora Esfera dos Livros. Contou ainda com o apoio da Makewise – novas tecnologias, que fez a transmissão vídeo diretamente para os sites dos vários jornais do Grupo Oeste Capital.
O JORNAL DAS CALDAS agradece à Câmara e à Biblioteca Municipal pela cedência do auditório para a realização desta iniciativa.





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