Q

Alcoólicos Anónimos ajudam recuperação

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
A Câmara Municipal do Cadaval promoveu, no passado dia 8, no auditório municipal, uma ação de sensibilização em parceria com a comunidade Alcoólicos Anónimos (AA), no intuito de prestar informação útil e dar a conhecer casos de sucesso na luta contra o alcoolismo. Um especialista transmitiu que “beber é a condição para mudar, mas não chega. Os grupos de autoajuda AA são, quanto a si, “o único meio que os alcoólicos têm para partilhar a sua experiência e se ajudarem, mutuamente”.

Teresa, alcoólica em recuperação em AA, bebia moderadamente e em situações festivas. Ao ter de emigrar, não conseguiu lidar com a ausência da família e amigos e começou a beber exageradamente. “Na altura, teve um efeito positivo pois esqueci-me da família, dos amigos; todo o foco da minha ansiedade desapareceu”, recordou.

Encarar o problema como uma doença não foi fácil. Há uma altura em que decidiu pôr termo à situação e começou uma ida continuada a médicos, iniciando um ciclo de medicação, com períodos alternados de abstinência e recaída. “Voltava tudo atrás e cada vez pior, pois ia aumentando as doses para aumentar o efeito”, adiantou. Só que o efeito desinibidor foi dando lugar à insónia, à agressão verbal e à perda do discernimento dos seus valores. O que conduziu à perda do marido e do emprego. “Cheguei a uma fase em que já não era eu que tomava conta das minhas filhas mas o inverso, o que me trazia uma culpa e vergonha muito grandes. Queria desaparecer de vez”, relatou.

Foi uma equipa de técnicos de saúde que a apresentaram à AA, por fazer parte do seu plano de internamento ir a reuniões de autoajuda. “Identifiquei-me logo e fui bem acolhida. Havia pessoas que já tinham passado o mesmo que eu e tinham conseguido superar, e eu queria aquilo para mim”, recordou Teresa. “Foi efetivamente em AA que eu consegui perceber o que era prioritário na minha vida. Já há algum tempo que não me apetece beber, e continuo em AA para poder ajudar quem precise”, manifestou.

Outro testemunho foi levado por Nuno, de 53 anos, viúvo, com duas filhas, em recuperação há cerca de nove anos. “Em AA descobri uma nova forma de estar na vida. É um programa de recuperação e de vida – costumo dizer nas reuniões”, referiu.

A ajuda pode estar à distância de um telefonema para o número 217162969. A comunidade AA tem um grupo a funcionar no Cadaval, com reuniões à sexta-feira, pelas 21h00, no Salão Paroquial.

Outros grupos próximos funcionam em Caldas da Rainha, à quarta, às 19h30, na Junta de Freguesia de N. Sra. do Pópulo, e em Olho Marinho (Óbidos), ao sábado, 20h00, na escola de 1.º Ciclo.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Fechar a estrada antes que o rio decidisse por nós

Este texto é um reconhecimento. Escrevo-o porque sei que os factos aconteceram desta forma. Porque conheço quem tomou a decisão. Porque sei como foi ponderada, discutida, insistida. E porque nem sempre quem evita a tragédia é quem aparece a explicá-la.

foto barroso

Jovem casal abriu negócio de barbeiro, cabeleireiro e esteticista

Foi no final de setembro do ano passado que César Justino, de 23 anos e Maria Araújo, de 22 anos, abriram o cabeleireiro 16 Cut na Rua da Praça de Touros, em Caldas da Rainha. O estúdio, que era previamente loja de uma florista, serve agora o jovem casal e inclui serviço de barbeiro, cabeleireiro e esteticista.

16 cut1