“Vejo na consignação do IRS uma solução de financiamento para as IPSS”, refere Paulo Alves. A medida consiste em destinar 0,5% do imposto, já liquidado pelo Estado, a uma instituição que esteja na lista do Ministério das Finanças como possíveis beneficiárias.
“A ideia surgiu do desabafo do responsável da instituição onde eu tinha a minha filha, em que ele me dava conta das dificuldades que tinha em equilibrar o orçamento e percebi que era feito apenas um comunicado sobre a possibilidade de se consignar parte do IRS. Outras instituições faziam pouco mais e tinham dificuldade em comunicar essa possibilidade. A caminhada era o que faltava para divulgar e criar impacto junto da comunicação social”, relata Paulo Alves.
“Da lista deste ano constam 1800 instituições e apenas é necessário fazer uma simples cruz no anexo H, no quadro nove, aquando do preenchimento do IRS e não sai do bolso do contribuinte nem perde benefícios fiscais”, adianta.
Esta caminhada também tem o intuito de contactar de perto com as diferentes empresas que podem estar interessadas em aderir a este projeto, passando a serem designadas por marcas solidárias. Estas marcas podem contribuir diretamente ou fazerem as doações consoante os registos verificados, tendo oportunidade de intervirem socialmente na sua comunidade local.
Como o promotor da iniciativa considera que “há dificuldade das pessoas em saberem quais as instituições que podem ser beneficiadas e qual o seu número de contribuinte”, projetou um apoio mais direto a dez IPSS: “As pessoas basta registarem-se no site ajudasolidaria.org e por cada registo as empresas aderentes vão doar um euro às IPSS”.
Paulo Alves faz esta caminhada – de várias centenas de quilómetros – sem dinheiro, e conta com ajuda em alojamento e alimentação.
“Fiquei com alojamento gratuito garantido até Lisboa, fruto da dinamização nas redes sociais. Nas Caldas não tinha nada. Bati a uma porta e expliquei o projeto e disseram que me davam a refeição [a oferta veio do Túnel Caffé, por detrás da Igreja]. Tenho recebido alojamento em habitações mas em Ovar foi num hotel. Já passei noites em quartéis de bombeiros”, descreve, apontando que até para pagar um gel para as dores musculares angariou dinheiro junto da população.
Francisco Gomes




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