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Condutores que atropelaram “Zé do PPD” estão a ser julgados

Francisco Gomes

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O Tribunal das Caldas da Rainha está a julgar dois homens acusados pelo Ministério Público de homicídio negligente do "Zé do PPD", uma das mais típicas figuras das Caldas da Rainha, que morreu atropelado quando caminhava numa reta entre as aldeias de Amoreira e Olho Marinho, na EN114, no concelho de obidos, em outubro de 2008.
O “Zé do PPD” era uma figura típica das Caldas

Os arguidos são um cozinheiro de 46 anos, e um ajudante de jardineiro de 50 anos, ambos residentes no Olho Marinho. O primeiro é acusado de um crime de homicídio negligente, e o segundo em autoria material e concurso real, de um crime de homicídio por negligência e de um crime de omissão de auxílio. Ambos aguardaram julgamento com termo de identidade e residência, e rejeitaram terem agido de forma negligente.

Segundo o Ministério Público, no dia 26 de outubro de 2008, pelas 18h15, o cozinheiro conduzia um veículo ligeiro de passageiros no sentido Amoreira-Olho Marinho. Por sua vez, José António da Silva Gomes, de 55 anos, mais conhecido por “Zé do PPD”, pela sua disponibilidade em andar a colar cartazes de propaganda política e a carregar as bandeiras do PSD nas campanhas mesmo não sendo militante, “seguia a pé pela mesma faixa de rodagem”.

O condutor, ao cruzar-se com o peão, “embateu com a parte frontal do lado esquerdo do seu veículo”, fazendo-o “cair para cima do vidro do para-brisas”, sendo depois “projetado para a faixa de rodagem em sentido oposto”.

O arguido logo imobilizou o veículo e saiu do mesmo. Ao aperceber-se que no sentido oposto circulava o veículo conduzido pelo ajudante de jardineiro, “gesticulou com os braços para que o condutor abrandasse e parasse, uma vez que o corpo do peão se encontrava caído na faixa de rodagem por onde seguia”.

Todavia, “não abrandou e embateu no peão, arrastando-o por baixo do seu veículo, numa distância de 16 metros. Não parou o veículo, prosseguiu a marcha, pondo-se em fuga”.

Em consequência dos embates sofridos, a vítima sofreu lesões politraumáticas e crâneo-encefálicas e tóraco-abdominais, que “foram causa direta da morte”.

De acordo com o Ministério Público, “o local onde ocorreram os embates é uma reta larga com 518 metros, com total visibilidade e o estado do tempo era bom”.

Para o Ministério Público, o acidente deveu-se “à conduta descuidada” do cozinheiro, pois “conduzia de forma desatenta, utilizando luzes de cruzamento (médios) em detrimento de luzes de estrada (máximos), que lhe permitisse ter visto atempadamente e assim evitar o atropelamento do peão. Agiu sem as cautelas impostas pelas regras de trânsito, omitindo o dever de cuidado para com os restantes utentes da via”. O mesmo é imputado ao ajudante de jardineiro, que ao não usar os máximos “não conseguiu ver e evitar o atropelamento do peão que se encontrava caído no solo na sua faixa de rodagem”.

Para além disso, este útimo, “não obstante se ter apercebido que embateu no peão e este tenha ficado caído na estrada, ao invés de imobilizar o seu automóvel com vista a prestar-lhe os necessários socorros e transportá-lo ao hospital mais próximo, prosseguiu a sua marcha”.

O “Zé do PPD” sofria de uma doença mental que o impedia de saber ler nem escrever. Trabalhava numa oficina de molas e aos fins de semana mostrava-se sempre prestável para ajudar nas associações e organizadores de festas. Terá sido numa dessas tarefas, para as quais voluntariamente se oferecia, que perdeu a vida, quando andava a afixar cartazes a anunciar um festival nacional de dança do Arneirense, associação do Bairro dos Arneiros, nas Caldas da Rainha, onde a vítima morava.

Tinha como particularidade ser “bastante vaidoso e usar laço ou gravata”. “Andava sempre a dizer que ia casar e chamava todos de primo ou prima”, recordou na altura a irmã, Maria José Guedes.

Francisco Gomes

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