Num ambiente informal e em tom humorístico, o maestro recordou que tem uma “antiga relação com as Caldas da Rainha, que tem sido sempre renovada, que começou através do Centro Cénico Caldense e José de Sousa, uma figura deste país”.
“Depois surgiu uma segunda figura, Jaime Costa, que passou a ser o elo de ligação às Caldas. Passaram-se os anos e renovei a ligação às Caldas, não através da música mas pelo cinema, através de Miguel Costa, com quem fiz um filme. Razão pela qual resolvi agora fazer um apanhado breve da música que fui escrevendo para cinema”, descreveu.
“Não sei quantos filmes já fiz a música, entre portugueses e estrangeiros, cerca de uns vinte. A primeira experiência foi quando o realizador Cunha Teles me convidou para fazer a música de um filme chamado “O Cerco. Tinha 23 ou 24 anos”, relatou.
“Tinha como única informação a cara da atriz principal, que era a Maria Cabral. Sem saber a história, baseei-me na cara dela, para escrever a música para saxofone e piano”, recordou o maestro, assegurando que “a música bateu certo”.
“Gosto de música de cinema”, afirmou, intervalando a conversa com os toques de piano e a interpretação de músicas suas e de outros compositores, contando para isso com a ajuda de Patrícia Costa.
O maestro contou algumas peripécias na produção das músicas, como foi o caso do “Farol da Europa”, o primeiro filme que fez na Áustria, onde utilizou diversos estilos, ou no filme português “Lotação Esgotada”, de Manuel Guimarães, cujo guião tinha a ver com a história de um presidente da Câmara que inaugurou um cemitério “com todas as condições” mas que não tinha mortos. “Passaram-se meses e ninguém morria. Era já motivo de chacota da oposição”, apontou. O tema principal, que tocou, era, como se pode imaginar, parodiante.
Sobre a forma como se produz a música para filme, indicou que das mais comuns é “à americana pobre”, que leva “o compositor a ver o filme e a compor a música para depois o realizador se servir”. “Sobra muita música”, fez notar.
“O pior é quando o realizador não sabe o que quer musicalmente”, sublinhou. Mas o inverso também acontece. “Num filme da minha filha, Maria de Medeiros, “Capitães de abril”, eu compus a música e ela pediu-me para acompanhar a montagem. Quando ela foi ver, alterou toda a ordem das músicas. Isso aconteceu porque ela sabia o que queria e o resultado ficou melhor”, revelou. O mesmo se passou quando compôs uma música para “uma cena com atores na cama”, em que a realizadora tinha o ritmo sonoro idealizado diferente do preparado pelo maestro.
Utilizando um piano que os Pimpões têm há mais de duas décadas, e que pertencia à extinta Casa da Cultura, Victorino d’Almeida quis esclarecer as autarquias que “não emprestam pianos com medo que desafinem”. “O piano não desafina no transporte. É a mesma coisa que dizer que quem anda de baloiço pode perder os dentes. Os pianos só desafinam com mudanças de temperatura. Podem emprestar o piano à vontade. Não podem é deixar cair o piano”, vincou.
Francisco Gomes








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