Enquanto o vento soava alto e com forte intensidade, Carlos Conceição, um dos elementos da comunidade, via a maior parte das frágeis habitações ser “arruinada” pelo mau tempo, deixando intactas apenas cinco das 23 existentes. “Está tudo partido. É só plásticos a voarem e pedaços de madeira a soltarem-se”, contou o residente, para quem a maior preocupação era “onde iriam pernoitar” as cerca de cem pessoas, mais de metade das quais crianças. António José Correia, presidente da câmara, explicou à agência Lusa que foi necessário realojá-las, tendo em conta as estruturas frágeis do local onde habitam, que estavam em causa com os fortes ventos. No concelho, 312 famílias aguardam por habitação social, revelou a vereadora da ação social, Clara Abrantes, que admitiu atrasos no projeto de construção de novas casas. “Temos muitas dificuldades em conceder habitação”, disse. Para fazer face à situação de emergência provocada pelo mau tempo, os serviços sociais do município estão a realojar 60 pessoas dessa comunidade na casa municipal da juventude, onde havia ainda capacidade para outras 20, esclareceu a autarca, após uma reunião de câmara extraordinária. A câmara distribuiu ainda roupas de vestir e de cama e ainda fraldas, leite e alimentos. Clara Abrantes adiantou que a câmara convocou para o dia 21 de janeiro uma reunião do conselho executivo da rede social para tentar resolver o problema. Contudo, a autarca frisou que o local dispõe de 80 camaratas, mas “ninguém ficaria de fora”, apesar da comunidade se queixar de que “não havia condições para todos e fazermos comer, essencialmente para as crianças”. Por tal facto alguns elementos da comunidade optou por permanecer nas cinco casas de madeira que se mantêm intactas. Uma vez que o mau tempo pode continuar até quinta-feira, a autarquia concedeu um prazo de dez dias para as cem pessoas organizarem o espaço onde estão acampadas e saírem da casa municipal da juventude.
Carlos Barroso






0 Comentários