Durante o último painel das jornadas, intitulado “A saúde mental”, disse que “não ouve falar da crise e a saúde”, aconselhando os presentes a terem noção deste problema, desconhecendo no entanto o porquê da inexistência desse mesmo plano. “Temos de nos preocupar com isto. Idosos, institucionalizados, toxicodependentes e outros grupos devem merecer maior atenção porque estão vulneráveis. Não se sabe qual será a proporção da crise. Nos empregados poder-se-á acumular mais acidentes de trabalho pelo excesso de trabalho e as condições e vulnerabilidades a que estarão sujeitos. Nos desempregados poderão surgir mais casos de saúde mental e nós não temos um programa para isto”, afirmou. Durante este debate, uma das técnicas oradoras alertou para o facto de existirem “pessoas a massacrar para passarmos baixas”, mas também disse que existe o inverso. “Também temos empregadas fabris que não querem baixa e pretendem continuar a trabalhar”, referiu. Paula Carvalho, psicóloga do hospital das Caldas e que presta serviço na unidade do hospital termal, apontou a sobrecarga de trabalho a que todos os profissionais de saúde estão sujeitos, afirmando ainda que “estamos fartos de ouvir falar de certas palavras”. “Acho que podíamos pôr a troika a fazer chichi e ir passear com síndrome de burnout (um distúrbio psíquico de caráter depressivo associado a esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional)”, comentou.
Conclusões da organização
No final do dia das jornadas, Mário Durval, coordenador da saúde pública da zona do Arco Ribeirinho, e Jorge Nunes, coordenador da saúde pública da zona Oeste, consideraram que a conversa e troca de ideias foram bastantes benéficas, no sentido em que é necessário retornar a hábitos antigos para perceber o surgimento de tantas novas doenças. “Se formos analisar a mortalidade por doenças cardiovasculares percebemos que disparou porque as pessoas deixaram de consumir o azeite para usar o óleo e margarinas, gorduras industriais”, enumerou Mário Durval. “Temos de encontrar um meio termo e ouvir as pessoas que sabem das coisas, daí termos no encontro pessoas da área da alimentação”, indicou. Segundo este médico, as pessoas têm de “conscientemente optarem por caminhos saudáveis”. “É preciso percebermos que a base alimentar dos povos tem uma série de coisas que não podemos pôr de parte. Temos é de criar com as pessoas uma relação de responsabilidade da sua parte. Não faz mal comerem. Tem é que ter atenção à quantidade”, disse. Mário Durval deu ainda a conhecer que está a ser dada formação a professores ao nível da educação sexual nas escolas. “Isto é um percurso, passa pelo nosso conhecimento, de partilharmos experiências e criar projetos em conjunto. Temos em carteira um projeto de bi-learning para professores na área da educação sexual, será uma realização conjunta das duas unidades de saúde pública”, revelou. Segundo Jorge Nunes, o tema da sexualidade é muito importante devido ao crescente número de caso de HIV nesta zona. “Temos um projeto que está já elaborado, apenas aguardamos que tenha o ‘sim’ da ARSLVT, porque têm de estar salvaguardadas questões jurídicas, éticas, de anonimato. É um problema muito grave em termos de saúde pública e entendemos que cada vez será mais grave”, frisou. “Os hospitais não têm preparação para receber esse tipo de pessoas, pois estão preparados para receber doentes agudos. Há que optar por outro tipo de terapêuticas”, explicou. Outra preocupação transmitida aos profissionais presentes por parte de Jorge Nunes foi o facto da diabetes continuar a aumentar. “Os aspetos relacionados com a alimentação, especialmente a maneira como alguns dos profissionais de saúde erradamente os abordam, numa perspetiva fundamentalista de tudo ou nada, deve ser alterada”, sustentou, acrescentando que, “mais do que nunca é necessário união de esforços dos profissionais, mas também é preciso que a tutela, sobretudo a ARSLVT, nos apoie e acarinhe nesses novos projetos”. Neste seminário inscreveram-se cerca de 100 profissionais de saúde que ouviram na sessão de abertura o vice presidente da ARSLVT dizer que “temos muito a aprender uns com os outros”, vendo com bons olhos a parceria entre os ACES. “Todos nós estamos sujeitos a um enorme stress e estas atividades são muito bem vistas pela administração”, sublinhou, deixando duas novidades quanto ao futuro dos dois ACES. “Será colocado no site da ARSLVT a avaliação dos ACES e das unidades funcionais. São dois relatórios muito bem feitos, que fazem uma panorâmica do que foram os últimos três anos. Os profissionais de saúde de Lisboa e Vale do Tejo estão de parabéns porque os nossos indicadores de saúde da população melhoraram nesses três anos”. Outra novidade foi a garantia de que “até ao final do mês” estaria pronto o processo de nomeação e reconfiguração dos agrupamentos de centros de saúde.
Carlos Barroso





0 Comentários