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Crónicas do Inferno

Por: Sá Tenaz. Contra os canhões, marchar, marchar

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Vivemos num país de brandos costumes? Sim, responderão noventa por cento dos estrangeiros que nos visitam. No entanto… Portugal deve ser o único país democrático com um hino a falar de guerra e da necessidade imperiosa de nos prepararmos para marchar, sem medo e com glória, contra os canhões sabe-se lá de que inimigos. Enquanto os outros países cantam pela paz, pelo progresso, pela liberdade, igualdade e fraternidade nós incitamos as nossas crianças a pegar em armas (“Às armas, às armas!”) e arrancarem “pela terra e pelo mar” (pela Europa mas também por África, América e, se o combustível chegar, Oceania) e contra os canhões… marchar, marchar. A esta hora os leitores dirão: “Ora! É só um hino!” Será?

Vejamos as nossas Forças Armadas.

Portugal tem mais generais do que os Estados Unidos.

Uns vinte generais, no Exército, por cada quartel.

Mais generais na Força Aérea do que aviões. Incluindo os táxis aéreos e as asas Delta.

Mais almirantes do que navios. Incluindo os cacilheiros.

O que fará toda essa gente?

Conseguem imaginá-los, num “bunker”, das nove da manhã às cinco da tarde, de segunda a sexta, excluindo feriados e férias, a preparar grandes batalhas virtuais?

Que raio de profissão (ia escrever “trabalho” mas parei a tempo) é esta?

O que fará, na realidade, em Portugal, de produtivo, um militar?

Dizem alguns: Defendem a nossa soberania.

Depois lembram-se que soberania é algo de subjetivo. Só somos soberanos quando a senhora Merkl deixa e, assim, não devia valer.

Dizem outros: Defendem as nossas fronteiras.

Mas, de quem? E como?

Quem quereria invadir-nos, anexar-nos e tornar-nos uma província, depois de olhar para a nossa dívida, a nossa taxa de desemprego, os nossos salários e a nossa dependência total do estrangeiro?

E como nos defenderíamos?

Com as nossas armas do século XIX, os aviões que caiem em voos de treino, os navios de guerra que se afundam sozinhos e os submarinos que não se podem estragar porque só poderemos comprar outros no século XXIII ou se aumentarem, muito, as luvas por debaixo das mesas?

Qualquer país que nos quisesse ocupar demoraria vinte minutos a consegui–lo e bastaria, para tal, mandar as suas tropas comandadas por um capitão na reserva…

E, no entanto, milhões e milhões de euros são entregues, anualmente, à tropa.

E, anualmente, nos momentos do debate do Orçamento-Geral do Estado, lá aparecem os generais – muitos e sempre diferentes – a exigir mais dinheiro. E mais homens. E mais armas!!!

Razão tinha Miguel Unamuno e o meu amigo João Pedro.

Dizia o grande filósofo espanhol:

“Há três qualidades de inteligência: a humana, a animal e a militar”

E o meu amigo João Pedro… confirmava:

“Onde isso se vê bem é em Cavalaria. O sargento diz: 18 e 23, vão dar de comer ao Serafim! E o Serafim… é o cavalo!”

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