O presidente da junta de Santo Onofre relatou que uma loja de compra e venda de ouro foi assaltada no Bairro da Ponte e também se referiu à estranha morte do professor Agostinho, próximo de uma zona problemática – o largo do Estragado. “Não posso dizer que esteja relacionado, mas a verdade é que morreu uma pessoa que estava preocupada com um cão que pertencia a uma etnia. Toda a população que mora ali à volta está muito preocupada. Havia ameaças ao senhor que morreu e a outras pessoas. Ninguém pode dizer que foram eles e muito menos eu. A verdade é que o medo instalou-se. As pessoas têm medo de sair à rua, em estarem à noite. A pessoa que morreu toda a gente conhecia, era professor de história, praticava judo e era uma figura das Caldas. Não está em causa o que aconteceu e como foi. Serão as entidades oficias a dizer se foi alguém que o agrediu ou foi por doença”, disse Abílio Camacho. O presidente da junta divulgou ainda que na manhã do dia 25 de setembro, pelas 10h, “houve um assalto a uma casa de venda de ouro na rua Vitorino Fróis e a polícia andou a fazer de cowboys atrás dos ciganos novos que moram no bairro do Ighape. Eles barricaram-se numa casa no Bairro da Ponte, mas entretanto a polícia prendeu-os. O facto é que, pelas 14h30, estavam no largo da fonte luminosa, no café, todos na galhofa. Se calhar a polícia ficou a preencher os papéis e eles soltos. Temos de tomar medidas porque era uma freguesia pacífica e neste momento à noite já não se anda lá”, acrescentou o autarca. Jorge Sobral, deputado do PS, voltou a falar da necessidade de que o conselho municipal reúna. “Não vou fazer qualquer aproveitamento desta infelicidade, mas na última reunião que tivemos falámos destas questões. Não é para nos armarmos em polícias. Os conselhos municipais de segurança têm estatuto e servem para envolver a comunidade na resolução de problemas como estes. Nós temos experiências no nosso distrito em situações idênticas, como em Pombal, em Peniche e em Alcobaça, onde este entendimento entre as autoridades policiais e o acompanhamento e ajuda que podem ser dados pela autarquia e a comissão municipal de segurança, só traz vantagens. Eu não gostei da última resposta que foi dada, que isto não tem a ver connosco e que era um problema de polícia. É um problema social, porque tem a ver com a sociedade, nomeadamente com um conjunto de pessoas que são de uma determinada etnia, que vive no nosso concelho”, disse. “Apelo a quem tem a responsabilidade de fazer com que esta comissão municipal de segurança reúna, que o faça. Se não está totalmente constituída, que seja constituída, mas que funcione”, exortou. Duarte Nuno, do CDS, solicitou o agendamento do problema da segurança, para que se discuta este assunto. “A situação está a ficar descontrolada, de tal forma que até o CCC e o Centro da Juventude foram assaltados esta semana. Muitas pessoas que eu conheço viram as suas casas assaltadas nas últimas duas semanas”, denunciou. Catarina Paramos, líder do PS, referiu-se à retirada de policiamento da feira de segunda-feira, apontando que os vendedores “estão preocupados com essa situação”, e quis saber quanto gasta à câmara a vigilância na rua dos Heróis da Grande Guerra. “Aquela solução seria transitória, a verdade é que são pagos gratificados todos os dias a pelo menos um polícia. Numa cidade onde toda a gente se queixa de haver pouco policiamento, termos ali um polícia a fazer de sinais de trânsito não faz muito sentido”, fez notar Vítor Fernandes, do PCP, concordou que “faz todo o sentido que o conselho municipal de segurança viesse a funcionar, não só para falarmos deste problema urgentíssimo, mas também muitos outros problemas que se passam na cidade”. O vereador Tinta Ferreira considerou que o assunto merece reflexão e que o conselho municipal deve ser implementado. “Não contesto isso e vou transmitir essa vossa posição e insistir para que sejam tomadas iniciativas que conduzam à convocação do conselho municipal de segurança”, declarou, salvaguardando, contudo, que “a matéria da segurança diz respeito à administração central através dos órgãos de polícia e judiciais. O município não pode nem deve ir para além daquilo que são as suas funções”, afirmou. Quanto às questões levantadas pela deputada Catarina Paramos, explicou que “foi retirado o policiamento no mercado e não tenho informações que tenha aumentado qualquer tipo de problemas ao nível de segurança. Aquilo é uma organização que não obriga à existência de polícia”. Sobre o policiamento na rua Heróis da Grande Guerra, confessou que não sabe quanto custa, mas pessoalmente também acha que “está na hora de deixar de o ter”.
Carlos Barroso







0 Comentários