António José Correia assume que a sua estratégia é semelhante à do município de Óbidos. “Dada a partilha de um ideal comum de desenvolvimento local e continuidade geográfica dos seus territórios. A complementaridade existente entre os dois territórios revela-se extremamente benéfica para ambos, resultando em sinergias que valorizam tanto Peniche como Óbidos. Mas a cumplicidade e o benefício deste evento também se verifica com outros municípios vizinhos”, disse. O autarca considera que em 2013, apesar do sucesso deste ano, há que “garantir mais cedo a realização do festival de música por forma a que a promoção seja maior”, além de salientar que será necessário “obter mais apoios financeiros de modo a que possamos investir em meios de transporte de e para o evento, criando mais espaços de estacionamento fora dos locais próximos do evento e disponibilizando transporte dentro da cidade e noutros locais que se justifique”. Para além destes aspetos o presidente da câmara pretende “reforçar a vigilância das zonas de estacionamento, solicitando um maior envolvimento das forças de segurança e tentando obter mais meios financeiros para a contratação de recursos humanos”. Por seu turno a GNR, através do seu destacamento, considerou que este ano houve um registo menor de furtos ao interior de viaturas, fruto da vigilância a cavalo, que apoiou as brigadas apeadas e de bicicleta. A GNR promoveu ainda uma ação de sensibilização para que os visitantes não deixassem objetos visíveis nas viaturas, de modo a evitar os furtos. Por tudo isto a avaliação de mais um evento é para o presidente da Câmara “um sucesso”. “O Rip Curl Pro Portugal é definitivamente o evento desportivo do ano em Portugal, mas também o momento para a realização de várias iniciativas de índole cultural e ambiental. Trata-se de um evento que já faz parte das agendas de milhares de portugueses, que definem as suas férias de acordo com o calendário do Rip Curl Pro Portugal”, afirmou António José Correia. Com este evento, a promoção de Peniche “ultrapassa em muito o território nacional. São milhares de pessoas seguiram via internet e pela televisão a prova portuguesa, contribuindo em muito para o enriquecimento da imagem externa”. “A qualidade das ondas e a espetacularidade do evento são um cartão de visita que poucos territórios se podem orgulhar de possuir. Peniche e Portugal são considerados como destinos de excelência para a prática do surf ao mais alto nível, e a isso não foi alheio a mais recente campanha do Turismo de Portugal “Welcome to the portuguese waves”. Peniche Capital da Onda, mais do que uma marca territorial, é a concretização de uma estratégia de desenvolvimento local assente na organização de grandes eventos desportivos com projeção mundial”, apontou o autarca. “É uma das formas de promover o nosso território tendo por base os fatores endógenos que nos distinguem e são impossíveis de replicar, tal como a onda dos supertubos a pipeline da Europa como é designada pela elite do surf mundial. É a forma que definimos como estratégia para afirmar a nossa marca, o nosso território e que se tem revelado como sendo uma aposta acertada. Atualmente, é inegável a importância que o surf assume para Peniche quer em termos de desenvolvimento económico, quer enquanto forma de atratividade do território. É interessante perceber que em termos nacionais, o próprio governo assume claramente que o produto Surf é estratégico para o desenvolvimento do turismo de Portugal”, reforçou António José Correia. De forma direta, através da hotelaria, da restauração e do golfe, Peniche e a região Oeste esteve na boca do Mundo por estes dias, já que os surfistas e respetivas comitivas, fotógrafos e jornalistas estrangeiros passearam pela região “à procura de fatores de identidade regional, incluindo também outras ondas”. Foi o caso de Kelly Slater e de Joel Parkinson, que se juntaram a MacNamara nas ondas da Praia do Norte, na Nazaré. Tal como aconteceu no ano passado, António José Correia aproveitou para promover os produtos da cidade de Peniche. “A “cavala de Peniche” chegou a todo o mundo. Acima de tudo, é interessante potenciar o património sociocultural através de um grande evento desportivo como o Rip Curl Pro Portugal. E é isso que temos feito, catapultar o que nos distingue, a nossa cultura, as nossas tradições, nunca esquecendo a economia regional que não se baseia somente na pesca, mas que tem na agricultura um papel igualmente importante. De referir que o catering do evento teve como fornecedores empresas locais, os surfistas e os media foram brindados com produtos hortícolas e frutícolas da nossa região”, referiu o presidente da câmara. O autarca considerou que a Comunidade Intermunicipal do Oeste identifica-se em pleno e subscreve este tipo de eventos, só que não dispõe de meios financeiros para apoiar. “Mais do que um evento regional, trata-se do evento nacional em torno do desígnio nacional – o mar esperando por isso que venha a reforçar os valores de modo a consolidarmos este evento no calendário mundial da fórmula 1 do surf. Esta expectativa é perfeitamente legítima já que o nível de comparticipação pública se situa na ordem dos 20%, muito aquém do esforço público noutros eventos”, manifestou o edil. Contactámos José Farinha, responsável pelo Rip Curl Pro Portugal, contudo, não respondeu às nossas questões. De salientar ainda durante a realização deste evento para a participação dos bombeiros voluntários de Peniche, que deram muito apoio e destacaram-se pela sua presença, que assegurou muita da funcionalidade do campeonato do Mundo.
Carlos Barroso









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