A propósito do romance “ Alucinações”

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Já nos tinha constado que o jovem escritor Agostinho Fernandes (tem apenas oitenta anos!) estava prestes a lançar o seu novo romance “Alucinações”. Saiu já no dia três do corrente mês. Com uma capa muito atraente e também muito elucidativa, da autoria da pintora Gonzaga Fernandes, que, só por si, constitui uma sugestiva obra de arte.

Mesmo antes de folhear o livro constatamos, na cinta que o envolve, que o romance se desenrola nas Caldas da Rainha, argumento suficiente para o lermos com redobrada avidez. Nova surpresa na terceira página: Dedico esta edição a Caldas da Rainha, suas terras e suas gentes, como preito de gratidão pelo bom acolhimento que, há cerca de quatro dezenas de anos me foi proporcionado. Assinado, Agostinho Fernandes. Um salutar pensamento nos surgiu na mente: ainda há gente agradecida neste pressuroso mundo…

O prefácio do livro é do professor Everton Machado, docente de Civilização e Literatura Brasileira na Universidade de Lumière, Lyon, France, que nos últimos anos tem dedicado uma especial atenção a “ Literatura Indo-Portuguesa, do antigo Estado Português da Índia. Além de nos dar uma panorâmica geral dessa literatura na atualidade, aborda o romance “Alucinações”, em criteriosas pinceladas, focando os seus aspetos mais salientes, sem se esquecer de o comparar, sob certos aspetos, ao luso-tropicalismo do Gilberto Freyre.

Voltando ao romance, ao folhearmos o livro tropeçamos constantemente com os personagens do seu enredo, que mais não são do que amigos e conhecidos nossos, nas Caldas da Rainha, local onde se desenrola a maior parte das Alucinações.

É o Manel a quem saudamos ao dobrar da esquina, a Dona Gertrudes que corre pressurosa a apanhar o TOMA por ir já atrasada à consulta no Centro de Saúde, o Senhor Tiago que combate o seu lazer sentado á mesa de uma esplanada antes de ganhar fôlego para mais uma caminhada até a repartição de não seu o que, ou o Roberto passeando, com as mãos nos bolsos, pela Praça de Frutas onde as vendedeiras, no meio de cestas atulhadas de pêras e maçãs, tentam vender a sua mercadoria, e onde não falta sequer o velhote de olhar cúmplice, lá num cantinho, tentando impingir a um casal de turistas ingleses as malandrices típicas cá da terra: – És um vero macho latino – apregoa ele na sua língua mista de português, espanhol e italiano, e faz uma demonstração convincente puxando o cordelinho.

O inglês finge não se impressionar, mas espreita de esguelha, enquanto a mulher corada até a ponta dos cabelos, exclama: – Look, look, so big!

É esta a gente que figura no livro. Se folheares com atenção verás que também estás lá.

Numa análise sumária, o enredo do romance descreve quatro situações insólitas em que quatro personagens, que nada tem de comum, vivem quatro episódios totalmente diferentes uns dos outros, mas todos eles insólitos a ponto de serem inverosímeis. Até figura neles, imaginem, a aterrissagem de uma nave extraterrestre nos areais da foz de Arelho e um velho condutor a ter uma acalorada discussão com o próprio Deus sentado ao seu lado no banco do passageiro.

Felizmente, são apenas alucinações, numa bem enquadrada ficção, que, com uma feliz simbiose de factos de flagrante atualidade e de antigas e pitoresca lendas mouriscas, leva-nos a procurar, com alguma ansiedade, o fim do livro, numa explicação simples e inesperada.

João Luís Fernandes

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