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Bastonário da Ordem dos Médicos critica atuação do Estado na reorganização hospitalar

Francisco Gomes

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“A contribuição pública do Estado para a saúde é muito menor do que nos outros países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Enquanto o povo português continuar a ser estupidamente passivo, vão-nos continuar a dizer que não há alternativas. Dizem que os hospitais têm de fechar, mas não mostram os estudos devidamente fundamentados. Não podemos permitir que se continue a cortar no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”. Palavras do Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, no passado dia 13, nas Caldas da Rainha, na conferência/debate público sobre a reorganização dos cuidados hospitalares.
Auditório da ETEO cheio

O evento, organizado pela Comissão de Utentes “Juntos pelo Nosso Hospital” de Caldas da Rainha, teve lugar na Escola Técnica e Empresarial do Oeste, onde bastonário criticou o sistema de financiamento hospitalar “completamente enviesado” e que “distorce completamente o funcionamento dos hospitais”.

“Há pessoas que decidem sobre saúde como se pudessem resolver as questões com um passe de mágica e que pensam que se fecharem os hospitais os doentes desaparecem”, afirmou, elogiando os grupos cívicos que andam a contestar os encerramentos. “Ainda bem que está a surgir este movimento de cidadania nas Caldas”, manifestou.

Ana Escoval, presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, considerou “fundamental” que “todas as políticas públicas tenham em questão a saúde, porque uma política que fomente o desemprego vai provocar o aumento da procura dos cuidados de saúde. Se as pessoas ficarem sem dinheiro terão mais dificuldade em pagar medicamentos e consultas. Há pessoas que estão a deixar de ter acesso aos cuidados de saúde porque não têm dinheiro”.

O debate foi moderado por Filomena Cabeça e a primeira intervenção coube ao porta-voz da Comissão de Utentes “Juntos pelo Nosso Hospital”, António Curado, que apresentou as atividades desenvolvidas em defesa das valências do hospital das Caldas.

Defendeu a “existência de uma verdadeira carta hospitalar e de redes de referência hospitalar bem definidas, a equidade e a manutenção da qualidade no acesso aos cuidados de saúde, a não diminuição do número de camas no Oeste, o não encerramento de hospitais de proximidade enquanto não houver outras soluções maduramente pensadas e a existência futura de um hospital novo”.

O debate que se seguiu contou com várias intervenções do público, onde se encontravam três anteriores administradores do hospital das Caldas, médicos, enfermeiros, autarcas, políticos e elementos de várias organizações da cidade. Estiveram também presentes representantes das Comissões de Utentes de Torres Vedras (Jorge Ferreira), Peniche (Clara Abrantes) e de Alcobaça (João Araújo).

Um dos pontos mais polémicos acabou por ser o estado do termalismo nas Caldas da Rainha. Jorge Varanda, ex-administrador hospitalar, recordou que a Rainha D. Leonor ofereceu ao mundo o primeiro Hospital Termal, colocando na carta de doação os fundamentos e forma de administrar desse hospital, que os políticos durante 500 anos não modificaram, esperando que não sejam os políticos atuais a fazê-lo e chamando a atenção para o facto desse hospital se dever manter no SNS, não pondo de parte a abertura a uma participação de privados em alguns serviços.

Carlos Sá, administrador do Centro Hospitalar Oeste Norte, ainda tentou mostrar como tenta resolver os problemas com cada vez menos dinheiro, mas acabou por ser criticado por estar a seguir a filosofia do Estado sobre esta matéria.

A comissão de utentes de Alcobaça manifestou interesse para que, conjuntamente, venha a haver deliberações das quatro comissões que atuem “impedindo o prejuízo da população da zona Oeste e do SNS”.

Francisco Gomes

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