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Estação dos correios de Santa Catarina só fecha parcialmente em agosto

Francisco Gomes

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A reunião entre a Junta de Freguesia de Santa Catarina, a comissão de utentes da estação dos CTT da freguesia e a administração dos CTT, realizada no passado dia 20, permitiu chegar a acordo sobre a manutenção do horário completo dos correios de Santa Catarina, com encerramento parcial durante 15 dias em agosto.
Às 12h de dia 18 as portas fecharam, mas os utentes ficaram no interior/foto Carlos Barroso

A junta de freguesia e a comissão de utentes tinham exigido que a empresa dos correios voltasse atrás na decisão de reduzir o horário de funcionamento entre 18 de junho e 30 de setembro, em que estaria aberta somente das 9h30 às 12h, em vez do horário normal das 9h às 12h30 e das 14h30 às 18h.

No dia 18, clientes da estação dos correios de Santa Catarina, o presidente da junta e elementos do sindicato dos correios estiveram cerca de duas horas fechados no interior das instalações em protesto e acabaram por conseguir uma reunião com a administração, que suspendeu a medida que pretendia tomar.

A reunião decorreu pelas 14h30 na estação de correios das Caldas da Rainha e juntou António Guilhoto, diretor de gestão de serviço a clientes, Paulo Carreira, responsável da área de atendimento, Rui Rocha, presidente da junta de freguesia, e Ivone Silva, porta-voz da comissão de utentes.

A intenção divulgada pelos CTT de manter a redução do horário, transferindo o período de abertura da manhã para a parte da tarde, entre as 14h30 e as 18h00, altura em que os utentes apontavam ser de maior procura, acabou por não se concretizar.

A estação continuará a funcionar das 9h às 12h30 e das 14h30 às 18h e apenas em agosto, durante quinze dias, um dos períodos deixará de ser realizado, o que vai ao encontro daquilo que a junta de freguesia admitia.

Luta idêntica está a ser travada pela população de Valado dos Frades, na Nazaré, onde mais de uma centena de habitantes se manifestou contra a redução do horário da estação dos correios, conseguindo o adiamento da decisão até à realização da assembleia de freguesia, que estava para 26 de junho, após o fecho desta edição.

O objetivo é obter consenso sobre o horário que a junta de freguesia e comissão de utentes vai negociar com a empresa. A população contesta a intenção da empresa reduzir a meio tempo o funcionamento da estação dos correios, fixando um horário entre as 9:00 e as 12:30 no período entre 18 de junho e 30 de setembro, tal como pretendia para Santa Catarina.

Em ambos os casos, os protestos contaram com o apoio de dirigentes do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, que sustentam haver tentativas de entregar as estações à iniciativa privada.

Redução de horário na estação dos CTT de Santa Catarina era contestada

A junta de freguesia de Santa Catarina e a comissão de utentes da estação dos CTT naquela vila das Caldas da Rainha exigiam que a empresa dos correios voltasse atrás na decisão de reduzir o horário de funcionamento entre 18 de junho e 30 de setembro, em que estaria aberta somente das 9h30 às 12h.

A comunicação dos CTT chegou à junta de freguesia uma semana antes da entrada em vigor da medida. António Guilhoto, diretor de gestão de serviço a clientes do Centro Sul dos CTT, justificou que a decisão deve-se “ao período de férias e à menor afluência de clientes às estações de correios”, o que “torna necessário ajustar a oferta de atendimento com melhor eficácia de recursos”.

O presidente da junta de freguesia, Rui Rocha, contrapôs numa carta enviada ao conselho de administração da empresa, em que argumentou que o fecho da estação acontece “precisamente no horário em que a população mais dela necessita”.

“A atitude economicista não tem fundamentação, uma vez que os CTT apresentaram lucros de vários milhões de euros. Perante o panorama de recessão que o país atravessa e o nível de desemprego existente, os CTT, como empresa de capitais exclusivamente públicos, deveriam ser os primeiros a dar o exemplo, contratando trabalhadores para fazer face ao período de férias, reduzindo assim os desempregados”, sustentou o autarca.

A comissão de utentes da estação dos CTT de Santa Catarina também manifestou a sua “contestação e repúdio” pela decisão de reduzir o horário de funcionamento dos correios.

A comunicação dos CTT é encarada como “vergonhosa e até mesmo insultuosa”, porquanto “nenhuma empresa ou pessoa tem um período de férias de três meses e meio”.

No entender da comissão, “o horário comunicado não serve a ninguém”, pois “um trabalhador que necessite dos serviços terá de perder tempo de trabalho para poder ir à estação”.

“As empresas fazem o seu expediente à tarde, depois de tratar o correio recebido de manhã, assim como o envio de encomendas produzidas durante o dia de trabalho. A resposta ao correio terá um atraso de pelo menos um dia útil, não podendo ser enviada no mesmo dia”, sublinhou.

Tanto a comissão como a junta de freguesia relataram o caso à ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações.

“Isto é uma ideia premeditada para fechar a estação”

Rui Rocha não tem dúvida: “Os CTT fazem um balanço anual das suas estações e se o volume de negócios no final do ano não justifica um funcionário partem para o encerramento. Isto é uma ideia deles premeditada porque três meses e meio é um quarto de ano sem resultados. Logo ficam com provas concretas para poderem fechar”.

O autarca admite apenas uma “tolerância de quinze dias em agosto”, altura em que as indústrias de cutelaria – principal atividade económica da freguesia – encerram. “Houve um ano em que fecharam dez dias úteis e no ano passado só abriram da parte da manhã em agosto”, indicou.

Os empresários estão preocupados. Dizem que a alternativa é irem à estação dos correios da Benedita, a qual alegam que não tem capacidade de resposta, para além das despesas de deslocação.

“Os funcionários das fábricas só têm uma hora de almoço, do meio-dia à uma, e saem normalmente às cinco ou cinco e meia da tarde. Todos os serviços que os funcionários precisam, sem a estação a funcionar regularmente, levam-nos a perder horas de trabalho. Os correios estão completamente em contraciclo com a realidade de Santa Catarina, que tem crescido e está-se a desenvolver, exigindo mais e melhor serviço, mas até os carteiros vêm das Caldas, chegam muito tarde e perde-se muito correio e trocas de cartas porque eles não conhecem as pessoas”, relatou Vasco Matias, responsável da empresa Curel e elemento da comissão de utentes, que juntamente com outros membros – Ivone Silva, porta-voz da comissão, António Norte, da empresa Ciol, e Cristina Carvalho, empresária – participaram numa conferência de imprensa na junta de freguesia, na passada quinta-feira, onde deram conta da sua insatisfação.

A comissão de utentes, constituída em 2007 quando houve a tentativa de agenciamento particular dos serviços de correio, ainda se mantém em funcionamento e continua a rejeitar a concessão a privados, cujo interesse pela estação de Santa Catarina não desapareceu.

O atual horário da estação é das 9h às 12h30 e das 14h30 às 18h, assegurado por um funcionário rotativo. Para além da freguesia de Santa Catarina, que tem 3027 residentes, servem-se da estação dos CTT os habitantes das freguesias vizinhas de Carvalhal Benfeito, Vimeiro e de algumas povoações de Alvorninha.

“Quanto mais pressão fizermos mais atenção nos darão”, sustenta o presidente da Junta.

Utentes fechados nos correios pressionam até conseguirem reunião com administração

Utentes da estação dos correios de Santa Catarina estiveram na manhã de 18 de junho fechados no interior das instalações exigindo que a administração dos CTT voltasse atrás na decisão de reduzir o horário de funcionamento.

O protesto, no qual participaram clientes, autarcas e elementos do sindicato dos correios, durou cerca de duas horas. Ao meio-dia, quando o único funcionário fechou a porta, permaneceram na estação dez pessoas, que o iam ocupando com a expedição de centenas de postais com queixas à provedoria dos CTT, fazendo com que não pudesse deixar o serviço.

Os postais, que iam sendo despachados individualmente ou em pequenos grupos para demorar mais tempo, tinham inscrito de um lado “atenção, a estação dos CTT de Santa Catarina serve Santa Catarina, Carvalhal Benfeito, Vimeiro, parte da Benedita e Turquel. Devem dinamizá-la e não mutilá-la”. No lado oposto podia ler-se: “Os utentes estão mobilizados e não aceitam nenhum tipo de encerramento”.

Como o funcionário não podia mandar as pessoas embora sem expedir o correio, uma vez elas entraram antes da hora prevista para o fecho, e sob a ameaça de que voltariam a repetir o ato ao longo da semana, a administração dos CTT acabou por agendar uma reunião com a junta de freguesia e a comissão de utentes, para discutir a medida que pretendia colocar em vigor entre 18 de junho e 30 de setembro, que consistia na abertura da estação somente das 9h30 às 12h, quando o horário habitual é das 9h às 12h30 e das 14h30 às 18h.

A folha que anunciava o novo horário foi rasgada e até à reunião mantinha-se o funcionamento da estação de Santa Catarina de manhã e de tarde.

“Foi um pequeno balão de oxigénio. Ganhámos mais três dias. Não sei qual é a proposta que nos vão apresentar, mas talvez ajustar os horários. Nós não aceitamos qualquer redução de horário, senão voltamos à carga”, disse na altura ao JORNAL DAS CALDAS o presidente da Junta, Rui Rocha.

Dina Serrenho, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, declarou que “apercebemo-nos que a empresa está de diversas formas a tentar diminuir o número de trabalhadores. A estação deve estar aberta diariamente e prestar um serviço de qualidade, porque a população afirma que está a ser mal servida”.

Ivone Silva, da comissão de utentes, mostrou-se “satisfeita” com o recuo da administração dos CTT, mas alertava que a missão só termina “quando houver a garantia de que o funcionamento da estação não é afetado”, o que acabou por ser conseguido.

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