“O PS não pode propor uma maior intervenção do BCE, uma política orçamental contra a austeridade, ao mesmo tempo que defende a austeridade, porque aprovou o tratado orçamental que prevê que não possa haver segurança social, escola pública e saúde pública”, disse Francisco Louçã. O líder do Bloco de Esquerda reagia à falta de entendimento entre a maioria PSD/CDS e o PS, que anunciaram, no passado dia 22, o falhanço da tentativa de acordo para alcançar uma posição comum para levar ao Conselho Europeu de 28 e 29 de junho. No debate quinzenal com o primeiro-ministro, hoje, dia 27 de junho, serão discutidas duas recomendações distintas. Francisco Louçã disse tratar-se de mais uma etapa do jogo de “um-dó-li-tá em que houve desentendimento há um mês, entendimento há duas semanas e agora já não há”. Mas grave, sustenta, “é o PS e PSD terem estado de acordo com o tratado orçamental que proíbe a política económica contra a recessão”. É por isso, defendeu, que “não há resposta para Portugal na União Europeia” e que o país precisa de “uma esquerda que aprenda com o que se está a passar na Grécia”, uma vez que “só quando o povo exigir uma democracia de responsabilidade é que conseguimos impedir estas soluções da troika e estas soluções que a [Ângela] Merkel [chanceler alemã] tem imposto em todo a Europa”. Na iniciativa junto à Lagoa de Óbidos, que teve lugar no âmbito do programa nacional do BE Jornadas contra a Troika, Francisco Louçã aludiu às “derrapagens orçamentais” como um sinal de que “o Governo não consegue controlar as contas públicas”, como atesta a queda de 3,5 por cento das receitas fiscais, divulgada no boletim da Direção Geral do Orçamento. Pouco surpreendido com “o buraco de dois milhões de euros” nas contas públicas, Louçã considerou que “os portugueses só podem concluir que, com a política seguida por este Governo, a economia fica muito pior” e, por outro lado, “a dívida fica muito maior”. Portugal “está hoje muito mais próximo da falência” e “precisamos de pôr tudo o que temos na recuperação da economia e não no desastre da economia”, para onde, concluiu Louçã, “a política da Troika nos tem levado”. Lino Romão, dirigente do bloco de esquerda das Caldas, aproveitou para transmitir aos camaradas aquilo que tem sido feito na assembleia municipal, apresentando alternativas às estratégias da maioria. “Nós temos vindo falar várias vezes com os pescadores e hoje quando exigimos a continuidade das dragagens, com dragagens permanentes na Lagoa, temos uma posição sólida e fundamentada, que não tem tido resposta. Aconteceu aqui uma pseudo dragagem que custou quase dois milhões de euros, com a promessa de uma segunda fase que estamos em crer que não acontecerá”, declarou. “Temos tido intervenção nas questões da saúde, que são a maior ameaça para a população, com encerramento de valências do nosso hospital distrital. Iremos batermo-nos contra o encerramento de valências e que o hospital termal, razão da fundação da cidade das Caldas da Rainha, seja bem gerido, seja uma solução do serviço nacional de saúde”, apontou. “Vamos batermo-nos para que as pessoas sejam ouvidas no processo da reorganização das freguesias. Nós defendemos um referendo e um debate aberto à população. Este é um presente envenenado que o governo enviou para as assembleias municipais decidirem a retirada de serviços e direitos à população”, sustentou. Aproveitando a presença do coordenador nacional do Bloco de Esquerda, um grupo de pescadores da Lagoa de Óbidos mostrou-se preocupado com a incerteza quanto à continuidade das dragagens, pedindo a Francisco Louça para pressionar o Governo. “O que se passa na Lagoa é uma vergonha, não há dinheiro. Não há ninguém que certifique o marisco da Lagoa de Óbidos, não ninguém que se preocupe com os pescadores. Somos cerca de 200 pescadores e esta dragagem só tapou os sacos, o emissário submarino e alargou a praia. Para o pescador esta dragagem não serviu, porque o marisco precisa de mais renovação de água. São urgentes as dragagens no braço da Barosa e nos Musaranhos”, afirmaram. “Há anos atrás apanhavam-se toneladas de amêijoa no braço da Barosa. Esta é a mais bela Lagoa da Europa e ela vai morrer se nada for feito. Está na altura de alguém olhar para ela com olhos de ver”, disseram. Os pescadores mostraram-se também revoltados com a forma como estão silenciadas as associações e autarquias de Caldas e Óbidos, na questão da Lagoa. “A parte de Óbidos está completamente descaraterizada com o abate de árvores para a construção de empreendimentos. Já não há quase pinheiros. Foi criada uma associação de pescadores, mas nada fizeram pela Lagoa”, denunciou o grupo de pescadores. “A associação só serviu para dar parecer para a construção dos empreendimentos. A polícia marítima fez operações de pesca e um dos dirigentes foi apanhado no marisco, à noite, quando a apanha estava interdita”, denunciam. Francisco Louça ouviu e prometeu ir interpelar o ministério sobre as preocupações dos pescadores.
Francisco Louçã em sardinhada do BE junto à Lagoa de Óbidos
25 de Junho, 2012
O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, participou no passado domingo numa sardinhada da concelhia das Caldas, nas margens da Lagoa de Óbidos, onde ouviu pescadores a criticar as dragagens, populares a queixarem-se da crise, mas também respondeu às questões nacionais do momento, como a crítica ao PS por defender o reforço do Banco Central Europeu (BCE) ao mesmo tempo que defende a política de austeridade prevista no tratado orçamental.
O líder do BE abordou questões nacionais/foto Carlos Barroso
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O evento realizou-se no parque de merendas junto à Lagoa/foto Carlos Barroso -

Louçã ouviu os pescadores/foto Carlos Barroos
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