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Obras de Herculano Elias na Escola Secundária Bordalo Pinheiro

Francisco Gomes

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A exposição “Viagem”, de Herculano Elias, foi inaugurada no dia 14, no átrio principal da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. É um percurso por 18 peças, numa “viagem pelo tempo”.
Herculano Elias junto às suas obras/Foto Francisco Gomes

“Estou a mostrar a tradição evoluindo para a modernidade”, disse o mestre caldense ao JORNAL DAS CALDAS, que foi aluno e professor na escola, onde atualmente leciona um curso de azulejos para docentes, de modo a que o saber possa mais tarde ser transmitido aos alunos.

“Faço cerâmica desde os cinco anos. Passei como ouvinte por esta escola aos onze, porque não se podia matricular com menos de catorze anos, e assistia às aulas. Ao mesmo tempo trabalhava na fábrica Bordalo Pinheiro com o meu parente José Elias. Também fui docente de cerâmica nesta escola”, indicou.

António Veiga, diretor da escola, referiu que Herculano Elias, “o jovem que em 1944 inicia o curso de modelador cerâmico nesta escola, volta ao mesmo local, onde, durante cinco anos, estudou”.

“Esta exposição, de um mestre nas áreas do barro e da pintura, vem culminar um percurso muito rico de um cidadão caldense que, ainda hoje, põe um grande entusiasmo em todas as suas atividades”, manifestou.

“A Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro sente-se orgulhosa pelo facto do mestre ter escolhido as suas instalações para expor parte dos seus trabalhos”, comentou.

Na inauguração da exposição Mário Gonçalves e o vereador Tinta Ferreira também elogiaram o mestre caldense, que defende que “como as fábricas de cerâmica vão desaparecendo aos poucos nas Caldas, há que criar novamente todo um percurso de cerâmica criativa que permita que haja realmente elementos que não deixem apagar a tradição caldense”.

Herculano Elias nasceu em Caldas da Rainha a 8 de julho de 1932, no seio de uma família de ceramistas, a destacar o seu avô Herculano Elias, o seu tio-avô Francisco Elias, discípulo de Rafael Bordalo Pinheiro, e seu primo Eduardo Mafra Elias.

O contacto direto com a atividade cerâmica proporcionou-lhe a aquisição de uma sólida formação, que se repercutiu desde muito cedo no seu trabalho como miniaturista e, posteriormente, noutras formas de expressão artística cerâmica, quer com linguagem tradicional quer moderna.

Na sua obra, para além da miniatura, encontra-se simultaneamente escultura cerâmica, mural cerâmico, retratos, cerâmica de autor e, mais recentemente, pintura.

Concluiu as suas primeiras estatuetas de barro em 1937 e iniciou a produção de cerâmica de autor em 1957.

Em 1975 deu início ao ciclo de murais cerâmicos – arte pública: fachada da casa dos óculos na Rua José Malhoa, fachada da Novipal na Rua das Montras e interior do Banco Millenium na Praça da Fruta. Em 1980 fez o mural na sede dos bombeiros.

Entre diversas exposições e um grande número de trabalhos, recebeu em 2001 a medalha de prata da Câmara das Caldas e em 2002 a medalha de ouro.

A sua obra está dispersa por colecionadores nacionais e estrangeiros.

Francisco Gomes

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