Uma mudança dos tempos

Rodrigo Amaro

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Ao longo dos últimos anos temos vindo a deparar-nos com uma alteração do paradigma normal. Há umas gerações atrás o caminho normal a seguir na vida das pessoas seria certamente estudar até aos catorze/quinze anos e a partir dessa tenra idade começar a trabalhar de sol a sol, chegando aos vinte anos já com alguma estabilidade e fundos para poder pensar em constituir família, ter um lar próprio, ter uma mulher e começar a pensar em ter filhos.

Hoje em dia as diferenças são assombrosas. Um jovem estuda até por volta dos vinte e três anos, em alguns casos porque hoje em dia criou-se uma moda que é a moda dos doutores, o mais provável é começar a trabalhar com vinte cinco anos e aos lá para os trinta com sorte pensa em constituir família, e a família é alugar uma casa e viver com a namorada, porque comprar uma casa, casar e ter filhos isso só lá para os trinta e muitos.

Existe aqui realmente uma mudança dos tempos, uma mudança de cerca de dez, quinze anos entre começar a trabalhar e constituir família. É notório que estamos a caminhar em direção de um precipício, a natalidade é baixa (não está a existir uma renovação de gerações), a mortalidade é reduzida, cada vez há mais pessoas a viverem até aos 100 anos, se recuarmos umas décadas atrás viver até aos 100 anos era uma “bênção de deus”, hoje é mais uma bênção dos excelentes avanços na medicina e nos cuidados de saúde existentes estima-se que nos próximos anos oitenta por cento da população portuguesa terá quarenta anos para cima.

Que encargos acarretará toda esta situação? Creio que muitas e numa altura que se fala em congelamento do pedido da idade da reforma, aplaudo esta medida pelo simples facto que continuando a caminhar a passos largos nesta direção iremos chegar a uma altura que são mais os reformados que a população ativa, e com isto não estou a dizer que um senhor ou senhora que começaram a trabalhar aos quinze, dezasseis anos que se reforme aos 65 anos, não, essa pessoa já trabalhou uma vida e descontou em norma o tempo suficiente para usufruir alguma coisa desses seu trabalho, agora um jovem que só começa a trabalhar aos 25 anos reformar-se entre 65 e 70 ano deve ser entendido como natural, considero realmente que deve ser este o caminho e no futuro teremos de pensar em todos estes fatores.

Por outro lado até se tem falado em aumentar para 67 anos a idade da reforma, pode não ser já aumentado mas um dia teremos certamente que aumentar, e nessa altura então teremos de ter em conta todos os fatores – idade com que se começou a trabalhar, número de anos de descontos, capacidade para o trabalho da pessoa e a vivacidade humana crescente ao longo do tempo.

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