Os índices iniciaram a semana com perdas expressivas, reagindo negativamente à divulgação da criação de novos postos de trabalho nos EUA, um dado que desiludiu os analistas ao revelar-se significativamente inferior ao antecipado pelo mercado (120 mil vs. 205 mil antecipados), a qual foi seguida de comentários por parte do Chairman da Reserva Federal norte-americana avisando que a economia ainda se encontra longe de uma recuperação continuada impedindo assim uma melhoria do sentimento. Adicionalmente, no bloco europeu, o início da semana foi marcado pelo aumento das yields italianas e espanholas voltando a suscitar preocupações em torno da possibilidade de um novo escalar da crise da dívida europeia, o qual se revela bastante mais preocupante e indesejável por ser direcionado a duas economias tão grandes como a Italiana e Espanhola. Esta incerteza em redor do evoluir da situação da dívida Espanhola, patente no escalar das yields, originou declarações por parte de um oficial do BCE de que o banco central poderá retomar o programa de compra de obrigações soberana, acompanhadas por declarações do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, afastando a necessidade de um resgate à economia espanhola. Toda esta situação suscitou novamente a discussão acerca da criação de eurobonds como única solução definitiva e integrada para debelar a crise da dívida europeia, a qual persiste desde 2010.
No seu conjunto, tudo isto teve como resultado prático uma correção ligeira das yields periféricas, a qual foi acompanhada por uma melhoria de sentimento generalizada provocada pelas garantias de manutenção de políticas de estímulo por parte da FED e do Banco do Japão, assim como pelo arranque positivo da earnings season nos EUA com a Alcoa e a Google a apresentarem resultados que surpreenderam positivamente o mercado. Ainda assim é importante referir que esta earnings season é caracterizada por registar as mais modestas expectativas trimestrais para o crescimento dos lucros numa base anualizada desde o princípio do ciclo que se iniciou em 2009.
Realce ainda para a divulgação da evolução do PIB Chinês no 1T12, o qual ficou aquém das estimativas dos analistas ao avançar apenas 8,1% vs. 8,4% antecipados pelo mercado, a qual provocou uma nova inversão deste sentimento positivo no final da semana.
Na segunda semana do período, os principais índices acionistas registaram um comportamento marginalmente positivo, com maior destaque no bloco europeu face ao bloco norte-americano.
O início do período ficou marcado por um sentimento misto, com os dados positivos observados ao nível das vendas a retalho nos EUA a não serem suficientes para colmatar o agravamento da generalidade das yields periféricas. No entanto, o sucesso da colocação de dívida por parte da economia espanhola e a revisão em alta do crescimento económico mundial por parte do FMI levaram a uma forte recuperação na segunda sessão do período. Neste âmbito, a instituição aponta agora para um crescimento da economia global de 3,5% no presente ano e 4,1% em 2013. Também a economia norte-americana deverá agora crescer 2,4%, acima do crescimento de 2,1% anteriormente estimado, enquanto a Zona-Euro deverá experimentar uma recessão de 0,3%, mais ligeira que a quebra de 0,5% estimada no início do ano. Para o caso específico de Portugal, o FMI mantém as estimativas que apontam para uma recessão de 3,3% este ano e um crescimento de 0,3% no próximo ano. Os fortes ganhos registados na segunda sessão da semana revelaram-se passageiros após divulgado que o crédito mal parado em Espanha aumentou para máximos de 1994 e após ter sido reportada uma quebra de preços no mercado imobiliário chinês. A pressão foi extensível à penúltima sessão da semana, com dados adicionais relativos ao mercado imobiliário e ao emprego nos EUA que ficaram aquém do estimado. Também o rumor de que a agência de rating Standard & Poor’s está a preparar um corte do rating a França, penalizou o sentimento, sendo que até ao momento tal rumor não se materializou. A divulgação do aumento da confiança dos investidores alemães acima do antecipado aliviou o sentimento negativo no final do período.
No bloco norte-americano realce ainda para o decorrer da earnings season, que se tem revelado globalmente positiva, sobretudo ao nível do setor financeiro, com a generalidade das instituições financeiras a surpreenderem o mercado ao reportarem resultados acima do estimado.
No mercado de dívida periférica assistiu-se a uma correção bastante significativa das yields da economia nacional, apesar do sentimento mais negativo observado em Espanha e Itália. No mercado cambial o cross EURUSD registou uma quebra de cerca de 1% no período, enquanto o crude registou um movimento contrário na mesma magnitude. O Euro continua sem mostrar grande força, tendo recuado cerca de 1%.



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