Barco ao fundo com pescadores da região que se salvaram
Seis dos oito tripulantes do barco de pesca que naufragou na madrugada da passada quinta-feira na Madeira são da região Oeste – dos concelhos de Peniche, Lourinhã e Torres Vedras. O mestre da embarcação “Dário”, com 22 metros de comprimento, registada no porto do Funchal e que andava à pesca de espadarte, é natural de […]
Barco ao fundo com pescadores da região que se salvaram
O mestre Jorge Miguel, ao lado do comandante da capitania do porto do Funchal
Seis dos oito tripulantes do barco de pesca que naufragou na madrugada da passada quinta-feira na Madeira são da região Oeste – dos concelhos de Peniche, Lourinhã e Torres Vedras. O mestre da embarcação “Dário”, com 22 metros de comprimento, registada no porto do Funchal e que andava à pesca de espadarte, é natural de Ribamar, Lourinhã, e vive num armazém no porto de pesca de Peniche. “Ele passa 99% do tempo no mar, por isso não precisa de casa. Mas adaptou um armazém onde tem o material de pesca para ali ficar quando precisa de dormir. Tem uma casa em Ribamar, que herdou há cerca de um mês, quando o nosso pai morreu”, relatou ao JORNAL DAS CALDAS Silvério Fontes, um dos três irmãos do mestre Jorge Miguel, que é o mais novo de todos eles. Tem 43 anos e já anda no mar “desde os 14, acompanhando o pai”. “Aos 21 já governava [tornava-se mestre], recordou o irmão. Silvério Fontes recebeu a notícia do naufrágio na manhã de quinta-feira. “A minha irmã telefonou-me a dizer que o presidente da CAPA – Cooperativa dos Armadores de Pesca Artesanal – a tinha informado que o barco tinha ido ao fundo”. “Ela sossegou-me logo quando disse que o nosso irmão e os restantes tripulantes tinham-se salvo e estavam bem. Mais barco, menos barco, o que é importante são as vidas humanas”, declarou. De acordo com Silvério Fontes, o irmão “tem bastante experiência e, apesar de vários sustos no mar, este é o primeiro naufrágio”. A entrada de água no tanque de gasóleo terá feito parar os motores da embarcação, a 120 milhas náuticas a nordeste da ponta de São Lourenço, na ilha da Madeira. “Vínhamos a largar [as artes de pesca] normalmente e de repente tudo parou. Foi a máquina principal, foi o gerador, foi tudo abaixo, ficámos às escuras e estivemos à deriva”, afirmou Jorge Miguel, que começou a ver o barco a meter água “a pouco e pouco”, acabando por naufragar, sendo a perda “total”. Jorge Miguel adiantou que a tripulação fez tudo para evitar o naufrágio e só “com a água no convés é que abandonámos o navio”. Os tripulantes, seis portugueses, um de Cabo Verde e outro da Costa do Marfim, saltaram do barco para uma das duas balsas existentes, com capacidade para 20 pessoas. Segundo o mestre, o incidente ocorreu cerca das 01h00 da madrugada, sendo que o pedido de socorro foi feito quando “já era quase de dia”. “Estivemos sempre a tentar pôr as máquinas a trabalhar”, frisou. A Marinha, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, recebeu pelas 6h25 a informação via telefone da Guarda-Costeira do Reino Unido, relativa a um alerta de socorro da embarcação de pesca. De imediato, o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, em coordenação com o Sub-centro do Funchal, desencadeou os procedimentos de coordenação das ações de resgate, tendo empenhado o navio de passageiros “Prisendan” de bandeira holandesa, que esteve atracado na véspera no porto do Funchal e que era o que estava melhor posicionado para proceder à recolha dos náufragos, o navio da Marinha Portuguesa NRP Cuanza, e o helicóptero da Força Aérea, EH-101. Os tripulantes foram transferidos inicialmente para a balsa salva-vidas e, depois, foram resgatados pelo navio de passageiros às 09h17, sendo recolhidos pelo EH-101 às 10h12 e aterrado às 11h04 no aeroporto do Funchal, com os náufragos em situação estável. O acompanhamento médico à tripulação foi feito logo a bordo do navio de passageiros e a bordo da aeronave, onde estava uma enfermeira do Comando Marítimo da Madeira. De seguida foram transportados para a capitania do porto do Funchal para o acompanhamento e ajuda. Jorge Miguel relatou não ter existido pânico no seio da tripulação, justificando que quando abandonaram o barco, já se encontravam dois navios na zona. “Ganhámos um bocadinho mais de calma”, declarou. A embarcação tinha ido para a pesca no dia 7 e tinha a bordo quatro toneladas de peixe. Francisco Gomes
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