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Assembleia Municipal das Caldas envia proposta ao Ministério da Saúde

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Os partidos com assento na assembleia municipal das Caldas já enviaram ao ministério da saúde uma proposta com vista à reorganização hospitalar. Durante a assembleia municipal, José Fernando, coordenador da segunda comissão, leu uma minuta com as conclusões daquilo que foi debatido, nos dias 9 e 12 de março, onde foram ouvidos técnicos do centro […]
Assembleia Municipal das Caldas envia proposta ao Ministério da Saúde

José Fernando, coordenador da segunda comissão da assembleia municipal

Os partidos com assento na assembleia municipal das Caldas já enviaram ao ministério da saúde uma proposta com vista à reorganização hospitalar. Durante a assembleia municipal, José Fernando, coordenador da segunda comissão, leu uma minuta com as conclusões daquilo que foi debatido, nos dias 9 e 12 de março, onde foram ouvidos técnicos do centro hospitalar e antigos administradores, que consideraram a reorganização “grave”. Mário Gonçalves, antigo administrador, apresentou aos políticos uma proposta para a criação de três departamentos, um de medicina e especialidades médicas, de cirurgia e especialidades cirúrgicas e por fim da mulher e da criança. O antigo médico defendeu ainda que “deve apenas existir uma urgência médica cirúrgica, face à falta de meios e de recursos humanos e face à centralidade” das Caldas. No que toca ao hospital termal, Mário Gonçalves, considera a proposta do ministério “um ultraje” não apenas às Caldas da Rainha, mas ao país, entendendo que “só a ignorância pode admitir que estamos na presença de um espaço que tanto pode estar fechado, como entregue a qualquer particular para dele fazer o que bem entender, apagando a história, liquidando as suas competências”. Jorge Varanda, outro antigo administrador, considerou que a proposta “é prejudicial para o hospital distrital das Caldas como para o hospital de Torres Vedras”. O antigo administrador lembrou que a influência de Leiria tem sido “agressiva”, oferecendo um produto diversificado e de qualidade, aceitando por isso a decisão da Nazaré e de Alcobaça. Sobre o termal, o ex-administrador disse que “por grande ignorância não sabemos valorizar e aproveitar como potencialidade clara do desenvolvimento cultural e sobretudo económico deste concelho e desta cidade”. Afirmou que este “é um hospital barato no seu funcionamento”, que “pode ser rentável”, apresentando como solução o regresso ao internamento. Jorge Varanda lembrou ainda que “o hospital termal foi primeiro hospital no país e quando abriu foi desde o princípio o único que tinha um corpo clínico, para além de outros profissionais. Ninguém era internado ou tratado sem uma consulta médica, tal como até hoje”. O outro antigo administrador, Vasco Trancoso, vincou que será necessário que o hospital das Caldas “continue a ter um serviço de referência”. Jorge Sobral, líder da bancada do PS, denunciou algumas orientações da administração do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON), para que “não se gaste nem mais um euro, quer com o património construído, no parque na mata e hospital termal”. Para o socialista, “percebe-se agora melhor que o conselho de administração do CHON tem grandes responsabilidades na elaboração da proposta da ARS/LVT”. No que concerne ao património edificado e nomeadamente o parque e a mata, defendeu que devem continuar a ser cuidadas e protegidas, “ainda que uma nuvem nos impeça de ver a solução. Não há termas sem espaços verdes. Não há água termal em condições de ser utilizada se não houver da parte do urbanismo cuidados redobrados na defesa dos aquíferos, aliviando a pressão exercida sobre estes espaços”, disse. Na reunião de dia 9, Conceição Camacho, diretora do serviço de hidrologia do hospital termal, alertou para a “gravíssima situação” que o encerramento do hospital termal irá despoletar, lembrando que se encontram jovens que estudam na ETEO a frequentar o curso técnico de hidrologia, que irão perder três anos da sua formação e outros jovens de outras escolas que aí estão a efetuar a formação em contexto de trabalho. O diretor do serviço da maternidade das Caldas, Jorge Ribeiro, revelou que o CHON nos últimos 15 anos realizou em média 1650 partos por ano, e que nos três últimos anos essa média baixou para os 1360. O médico alertou para a manipulação dos dados que “chegou ao ponto de num dos anos terem sido apresentados valores dados como totais quando à partida retiraram os valores dos primeiros dois meses do ano respetivo”. Jorge Ribeiro disse que a maternidade das Caldas com a estrutura física atual “não tem capacidade de atendimento às parturientes do CHON e Torres”, acrescentando que o serviço “é passível de alargamento com pequenas obras na ala norte, o que permitiria a colocação de mais dez camas”. O ortopedista Carlos Cruz chamou a atenção para o sub dimensionamento do serviço no que diz respeito ao quadro de pessoal e de camas quer em Torres Vedras quer nas Caldas da Rainha. O médico lembrou também que o predomínio de doentes “são idosos, com uma parte substantiva em grande abandono por parte dos familiares que não os reclamam, ficando o hospital com esse encargo, tendo de recorrer ao seu internamento no hospital termal”. O clínico alertou ainda para o paradoxo que ocorreu na aquisição do material cirúrgico que é utilizado, nomeadamente em próteses, que “não foi matéria de auscultação dos profissionais que as vão utilizar, mas sim por pessoas fora deste hospital”. Segundo José Fernando, coordenador da segunda comissão da assembleia, “foi evidente a unanimidade da crítica efetuada quanto ao documento elaborado pela ARSLVT”, classificando-o como “uma maquilhagem manipulada”. Para o elemento do PSD, faz todo o sentido a manutenção dos hospitais e que a ser criada uma administração única, “a sede deverá estar sedeada nas Caldas da Rainha”. No que respeita ao hospital termal, disse que “ficou evidente o sentimento de desinteresse da administração do CHON, chegando ao ponto de não haver dinheiro para efetuar análises periódicas às águas termais”. Carlos Barroso

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