Os agricultores de Ferrel, no concelho de Peniche, vão pedir apoios ao Governo, depois da “geada negra” ter destruído toda a plantação de batata da freguesia. “Estamos a fazer um levantamento dos prejuízos e já solicitámos a intervenção da Direção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste porque toda a produção de batata da freguesia está completamente destruída”, disse Silvino João, presidente da Junta de Freguesia de Ferrel. “A geada negra queima a vegetação devido ao frio intenso e congelamento da água no interior das suas células, e estragou vários hectares de batata primor”. As 800 toneladas de batata plantadas deveriam, segundo os cerca de 250 agricultores afetados, resultar nos próximos meses de março e abril, numa colheita estimada de quatro vezes o seu peso, ou seja, cerca de 3200 toneladas. A produção é habitualmente escoada através do MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa) e de algumas empresas de transformação de hortícolas, mas “este ano vai ser zero”, assegura José Oliveira, de 62 anos. O agricultor, que em conjunto com o filho, Artur Oliveira, de 38 anos, plantou 12,5 toneladas de batata e que estimava colher cerca de 200 toneladas, mostrou ao JORNAL das CALDAS o “cenário de destruição” que se estende por todas as parcelas de terreno. Plantas queimadas ou apenas terra lavrada onde “a geada não deixou sequer a planta florescer”, é um cenário que se repete nas terras de José Marques, onde as 7,5 toneladas plantadas “foram todas à vida”. A destruição da colheita afeta os agricultores de subsistência na freguesia que se dedica integralmente à cultura da batata, couve coração e alho francês. “A couve é plantada noutra época e, nesta altura, há algum alho, mas pouco, já que a maioria dos agricultores está vocacionado para a batata”, explica Bruno Agostinho, um jovem agricultor que viu destruídas as quase duas toneladas. Os agricultores que estão ainda a apurar o valor exato dos prejuízos pediram a ajuda da Junta de Freguesia, que reportou a situação ao deputado do CDS, Manuel Isaac, “no sentido se sensibilizar o ministério da agricultura para esta calamidade e para desencadear apoio aos agricultores”. O deputado da Assembleia da República confirmou o contato e disse que solicitou “o acionamento de ajudas” por parte da direção regional, mostrando-se disponível em continuar a ajudar os agricultores do Oeste. João Luís Dias, presidente da cooperativa agrícola de Peniche (Coopeniche), confirmou que técnicos da direção regional visitaram na passada semana os campos entre o Béltico e Ferrel, dos 250 agricultores afetados, onde recolheram dados e fotografaram as plantações. “Vão fazer um processo e verificar se há ajudas para esta catástrofe. Se o pedido não for aceite é um grande prejuízo”, garante o presidente da Coopeniche. Os agricultores temem ainda que, para além dos prejuízos, possam “vir a ser penalizados pelas finanças, uma vez que temos as faturas de compra das sementes, mas depois não teremos da venda, e podemos ser acusados de não estar a declarar esses valores”, explicam. Mário Vala, da Horta Pronta, desconhece o valor dos prejuízos causados pela “geada negra”, mas declara que toda a faixa de terreno entre o Béltico e Ferrel será irreversível. “Neste momento a maior parte das plantas está morta. Se alguma voltar a rebentar, a batata chegará tarde ao mercado. Mas haverá muita perda de produção”, assegura. Carlos Barroso
“Geada negra” destrói plantações de batata
23 de Fevereiro, 2012
Os agricultores de Ferrel, no concelho de Peniche, vão pedir apoios ao Governo, depois da “geada negra” ter destruído toda a plantação de batata da freguesia. “Estamos a fazer um levantamento dos prejuízos e já solicitámos a intervenção da Direção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste porque toda a produção de batata da freguesia […]
Geada negra destrói plantações de batata
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