A 1ª Noite dos Morcegos de Caldas da Rainha reuniu cerca de sessenta pessoas no Parque D. Carlos I, no passado sábado, numa organização do Grupo Protecção Sicó (GPS). Na Noite dos Morcegos, os curiosos em relação a estes animais puderam vê-los e ouvi-los mais de perto com um detector de ultra-sons (aparelho que permite ouvir os sons emitidos por aqueles animais). O evento teve início às 18h30, na Casa dos Barcos do parque, com uma palestra intitulada “Vamos Conhecer os Morcegos”, que contou com a apresentação de Pedro Alves, engenheiro biofísico e investigador de morcegos, que esteve ao dispor dos participantes para esclarecer as dúvidas. Com uma breve apresentação sobre os morcegos, a sua diversidade e importância ecológica, foram ainda abordados temas como o comportamento dos morcegos, biologia, a sua importância para os ecossistemas ou sobre a necessidade de preservação. Depois da palestra foram feitas observações e escutas destes animais junto ao lago, em frente aos Pavilhões do Parque, com a ajuda de aparelhos de ultra-sons. Quando o dia começa a acabar no Parque D. Carlos I, ao pôr-do-sol, há uma outra vida que desperta: a dos morcegos que ao cair da noite saem dos seus refúgios à procura de insectos para se alimentarem e utilizam os Pavilhões do Parque como abrigo. É este outro lado do Parque D. Carlos I que Rita Lemos, associada do GPS quis dar a conhecer aos caldenses. “Como eu sou das Caldas e uma amiga minha disse-me que havia morcegos no Parque, vim observar e consegui detectá-los e ouvi-los na zona do lago e decidi trazer a noite de morcegos às Caldas da Rainha”, explicou, Rita Lemos. A associada do GPS desconhece o número destes mamíferos nos Pavilhões do Parque. “Não temos a estimativa da quantidade existente porque isso exige uma visita ao interior dos pavilhões para tentar descobrir onde é que eles estão. Até agora só detectei que eles alimentam-se na zona do lago”, disse Rita Lemos, que pretende realizar a segunda noite de morcegos. O espeleólogo Pedro Alves disse ao JORNAL DAS CALADS que há ignorância em relação aos morcegos, daí a importância da palestra, que ajuda a quebrar as barreiras entre seres humanos e este mamíferos. “Por isso a Noite dos Morcegos inclui uma apresentação em que tento desmitificar os mitos normais dos morcegos explicando que não são cegos, não tentam enrolar-se nos cabelos, não chupam sangue, não são ratos com asas e não são todos pretos”. Segundo o investigador de morcegos, em Portugal são conhecidas 27 espécies (25 no continente, 1 endémica dos Açores e 1 endémica da Madeira). Estas espécies representam cerca de 40% da fauna de mamíferos terrestres existentes no país. Pedro Alves apontou que “os morcegos em Portugal comem diariamente dezenas de toneladas de insectos por dia, insectos que podem constituir pragas agrícolas e florestais ou serem vectores de doenças, pelo que funcionam como insecticida natural muito eficaz”. Se este “insecticida natural” desaparecesse, seriam os seres humanos a perder, porque “poderia haver pragas de insectos e danos à agricultura”, declarou. Este ano já houve cerca de 50 noites de morcegos no país, algumas esgotaram com 120 pessoas por noite. “Nós somos poucos a fazer o trabalho, é difícil cobrir o país inteiro e com estas iniciativas se houver uma pessoa a dizer que sabe onde está um morcego já é uma ajuda”, referiu Pedro Alves. Este investigador afirmou ainda que a Noite dos Morcegos “pode fazer-se em qualquer parte do país”. “Em todo o país há várias colónias de morcegos. A maior colónia nacional, que tem cerca de 27 mil morcegos, é perto da Serra de Marvão”, contou o espeleólogo, acrescentando que “noutros locais do país a voar, desde que seja uma zona húmida, e que haja águas paradas com vegetação, normalmente há muitos morcegos”. Foi a primeira visita de Pedro Alves ao Parque D. Carlos I, tendo considerado que os “Pavilhões, apesar de infelizmente estarem em mau estado, têm muito bom aspecto para os morcegos e acabam por ser um bom sítio”. O evento, que teve o apoio do Museu do Hospital e das Caldas e da Plecotus, Lda, fez parte da 15ª edição da Noite Europeia dos Morcegos e do Ano do Morcego 2011-2012, uma iniciativa das Nações Unidas que está a ser dinamizada em Portugal pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).?O Grupo Protecção Sicó é uma associação com sede em Pombal, cuja principal actividade é a espeleologia (científica). A protecção do ambiente (em particular do maciço calcário Sicó-Alvaiázere) e as acções de sensibilização ambiental também estão presentes na vida da associação. Marlene Sousa
Morcegos utilizam Pavilhões do Parque como abrigo
22 de Setembro, 2011
A 1ª Noite dos Morcegos de Caldas da Rainha reuniu cerca de sessenta pessoas no Parque D. Carlos I, no passado sábado, numa organização do Grupo Protecção Sicó (GPS). Na Noite dos Morcegos, os curiosos em relação a estes animais puderam vê-los e ouvi-los mais de perto com um detector de ultra-sons (aparelho que permite […]
Morcegos utilizam Pavilhões do Parque como abrigo
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