Apenas um dos dois elementos da ETA que ocupavam a vivenda no Casal da Avarela, em Óbidos, onde no ano passado foram encontrados 1500 quilos de explosivos, vai ser julgado nas Caldas da Rainha. Estão marcadas duas sessões, nos dias 13 e 14 de Setembro. Andoni Zengotitabengoa Fernandez, de 32 anos, preso em Portugal, e Oier Gomez Mielgo, de 27 anos, entretanto apanhado em França, eram os dois discretos inquilinos do “impressionante pólo de apoio logístico da organização terrorista basca”, a vivenda de Óbidos onde a Judiciária, através da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo, encontrou “engenhos explosivos artesanais de grandes dimensões prontos a serem utilizados em atentados bombistas em larga escala”, diz a acusação do Ministério Público. Em Fevereiro de 2010, a vivenda foi descoberta pela GNR, depois de os dois não terem parado numa operação stop em Óbidos. Foram à casa buscar os seus bens essenciais e fugiram. Os dois etarras estavam em Portugal, pelo menos, desde 2006. E o objectivo seria preparar, “planear e desenvolver ataques bombistas em território espanhol”, refere a acusação. Andoni Fernandez tem um percurso associado ao separatismo basco, na kalle borroka (a luta de rua) desde 1996, quando em Elorrio-Vizcaya, juntamente com cinco outros elementos da ETA, atacou uma patrulha da Ertaintza, a polícia autonómica basca. Já Oier Mielgo iniciou aos 17 a sua ligação à ETA (em 2000), quando foi detido pela polícia de Vitoria, em Espanha, pela prática de crime de terrorismo (incêndio da residência de um elemento da polícia nacional Espanhola com artefactos incendiários). Antes de alugarem a vivenda em Óbidos, tinham já estado a viver na zona da Lousã. Alugaram carros em vários pontos do país, tendo trocado matrículas e usado nomes falsos para o efeito. Também furtaram dois veículos, de marca Citroën, a que fizeram o mesmo. Foi por terem fugido de uma operação stop da GNR, numa estrada municipal próximo do Bairro da Senhora da Luz, em Óbidos, que este caso se iniciou. Em vez de pararem à ordem dos agentes, tentaram atropelar um deles e fugiram, tendo passado na vivenda de Óbidos apenas para recolher, ao que se supõe, documentos de identidade falsos. As portas foram deixadas abertas e foi na sequência disso que a GNR acabou por detectar a existência de material suspeito no interior. A acusação do Ministério Público, conhecida em Janeiro deste ano, previa levar a julgamento Andoni Zengotitabengoa Fernandez, preso preventivamente desde 12 de Março de 2010 no Estabelecimento Prisional de Monsanto, em Lisboa, e Oier Gomez Mielgo, nessa altura em parte incerta, e que mais tarde foi detido em França. Apenas Andoni Fernandez, detido em Lisboa pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária, ao tentar passar no aeroporto com passaporte falso, quando se preparava para embarcar rumo à Venezuela, será arguido no julgamento marcado no tribunal das Caldas da Rainha. As autoridades portuguesas não conseguiram a extradição de França de Oier Mielgo. A acusação aponta 13 crimes de falsificação, furto, detenção de arma proibida e resistência e coacção sobre funcionário, com vista à prática de terrorismo. O início da produção de prova está marcado para 13 de Setembro logo pela manhã e o tribunal vai estar rodeado de excepcionais medidas de segurança. Está a ser avaliada a necessidade de segurança pessoal aos juízes durante o julgamento. Haverá dois intérpretes. Explosivos seriam para atentado contra torres espanholas A tonelada e meia de explosivos da ETA que a GNR encontrou a 4 de Fevereiro do ano passado no Casal Avarela, entre Óbidos e Caldas da Rainha, era para ser utilizada num atentado contra as torres Kio, em Madrid. Estas duas edificações inclinadas, implantadas na Plaza de Castilla da cidade espanhola, são um património emblemático. O atentado foi revelado à polícia espanhola pelos integrantes do comando Otazua, desarticulado em Bilbao pela “Guardia Civil”, confirmando assim a informação avançada em 2010 pelo ministro espanhol do Interior, Alfredo Perez Rubalcaba, de que o comando da ETA tinha explosivos preparados para um atentado “iminente”. O atentado às torres Kio ia ser cometido pelo comando Otazua a 14 de Janeiro de 2010. Uma carrinha “Iveco” de matrícula francesa, alugada no norte de França, ia ser utilizada no atentado. A ideia era estacioná-la nos parques subterrâneos das torres “Kio” e proceder à deflagração. Um outro veículo seria feito explodir junto ao bairro popular de El Pilar, nas proximidades da Plaza de Castilla, para lançar a confusão e permitir a fuga. Tinha de ser preparado como carro-bomba, pelo que estava a ser transportado para a base logística do Casal Avarela, só que veio a ser interceptado a 9 de Janeiro, em Espanha, na localidade de Bermillo de Sayago, na região de Zamora e na raia com Portugal. O condutor deste veículo, Garikoitz García Arrieta, e Iratxe Yañez Ortiz de Bayon, tripulante do carro de escolta, uma carrinha “Opel Astra”, fugiram em direcção ao nosso país, onde acabaram por ser detidos por agentes da GNR após uma troca de tiros, no perímetro urbano de Torre de Moncorvo, já a 40 quilómetros da fronteira. A “Iveco” ia ser carregada com um verdadeiro arsenal: dez quilos de pentrita, substância utilizada para potenciar deflagrações, 50 relógios electrónicos que podiam funcionar como temporizadores para 50 bombas, e outros 25 temporizadores já montados. Deste rol constavam, ainda, 30 sensores de movimento para bombas lapa, que se colocam sob veículos e explodem com o seu andamento, e ampolas de mercúrio e de nitrato de prata. No veículo foram encontrados 200 circuitos eléctricos, duas centenas de conectores e 100 pilhas. Estavam ainda três botijas de gás vazias que os etarras aproveitam para construir bombas de grande potência, serrando a parte superior do recipiente que depois carregam com explosivos. Só com este material, a ETA podia construir 75 engenhos e 30 bombas lapas. Além dos explosivos inicialmente encontrados na carrinha, iriam também ser usados explosivos que estavam guardados na moradia de Casal Avarela. Francisco Gomes
Apenas um elemento da ETA será julgado nas Caldas
31 de Agosto, 2011
Apenas um dos dois elementos da ETA que ocupavam a vivenda no Casal da Avarela, em Óbidos, onde no ano passado foram encontrados 1500 quilos de explosivos, vai ser julgado nas Caldas da Rainha. Estão marcadas duas sessões, nos dias 13 e 14 de Setembro. Andoni Zengotitabengoa Fernandez, de 32 anos, preso em Portugal, e […]
Apenas um elemento da ETA será julgado nas Caldas
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