Desde o início do ano já encerraram cerca de seis dezenas de estabelecimentos comerciais nas Caldas da Rainha, segundo dados avançados pela Associação Comercial dos Concelhos das Caldas da Rainha e de Óbidos (ACCCRO). Desde Janeiro 57 pessoas deixaram de ser sócias da ACCCRO, mas em igual período 49 pessoas tornaram-se sócias, num universo de 850 associados. Os responsáveis da ACCCRO julgam existirem mais casas comerciais que tenham encerrado desde o início do ano, mas tal não é possível contabilizar, uma vez que há muitos comerciantes que fecham e não avisam e depois há aqueles que abrem e fecham estabelecimentos sem se tornarem sócios. Estes números não preocupam muito o presidente da ACCCRO, porque estão longe dos cem encerramentos diários no país ou dos vinte diários existentes na cidade do Porto. Apesar disso João Frade mostra-se mais receoso a partir de Setembro, altura em que as medidas impostas pela Troika e pelo novo Governo se vão reflectir mais nas famílias. “A situação do comércio das Caldas é o espelho da conjuntura nacional, embora não seja tão grave. O comércio está a sentir dificuldades porque as pessoas têm menos poder de compra e menos vontade de consumir. Há mais desempregados, há congelamento de salários, cortes de subsídios, cortes nos apoios. As pessoas têm menos disponibilidade”, disse. “As pessoas estão preocupadas com o decréscimo nas vendas e prevê-se que piore no próximo ano porque as medidas da Troika só serão realmente sentidas a partir de Setembro. Antevemos um ano de 2012 muito complicado”, acrescentou. Muitos comerciantes que se mantêm de porta aberta têm despedido funcionários, o que elevou a procura no departamento jurídico da Associação. O presidente da ACCCRO julga que a cidade das Caldas tem grande potencial comercial, mas falta-lhe uma política global para ultrapassar a crise e até ser um exemplo nacional. “Temos tudo e todas as potencialidades nas Caldas para potenciar a cidade, mas preocupa-me que não se consiga fazer nada. Preocupa-me por exemplo que não tenhamos um parque para receber os autocarros turísticos. Não conseguimos ter uma zona onde eles possam estar. Não conseguimos ter uma cidade limpa, bonita e atractiva para quem a visite e queira consumir. É nisto que temos de apostar. Se há quebra no consumo temos de dar o nosso melhor para manter aqueles que ainda têm consumo e atrair outros consumidores e investidores”, sustentou. Recordando as contrapartidas da implementação das grandes superfícies, João Frade lembra que “a abertura do Vivaci foi termos uma entrada sul da cidade digna, mas as grandes contrapartidas seriam com a vinda da Sonae. Isso ainda não veio a acontecer. Ainda assim há um plano global do comércio com animação na zona comercial, que não faz, por si só, que a economia mexa. Tem de ser tudo pensado daí o plano global. Este documento tem vindo a ser aplicado, com alguma animação consoante as obras nas ruas vão avançando. Já gastámos cerca de 30 mil euros, desde 2010, mas ainda não tivemos o reembolso dessa verba por parte da candidatura ao Mais Centro. Isto é uma preocupação, porque nos garantiram que as verbas em dois ou três meses estariam disponíveis. Só agora vamos assinar o contrato e em termos de garantias de pagamento só para o final do ano. Temos de ter rigor no investimento, porque temos de pagar aos nossos fornecedores. Estamos actualmente muito condicionados”, explicou, garantindo no entanto que em Setembro haverá um desfile de Moda e no Natal com a ajuda da Câmara haverá animação. O dirigente e também comerciante manifestou que “o país não estava preparado para o euro porque não soubemos aproveitar as vantagens. Ao nível da indústria e agricultura o país não se preparou com preços competitivos. Encareceram os produtos todos e isso foi uma constatação na cerâmica caldense, que não conseguiu competir com os países asiáticos. A agricultura teve um grande abandono com políticas erradas. Nas Caldas somos uma zona de fruta e legumes e para ultrapassar esta crise teremos de potenciar estes factores, porque só se soube apostar em empréstimos, em consumo e na construção civil para? ?dinamizar? ?a? ?economia. Era uma bomba relógio que iria rebentar e verificamos nas Caldas muitos edifícios com fracções para venda e campos agrícolas abandonados”, disse. Carlos Barroso
Seis dezenas de lojas fecharam este ano nas Caldas
31 de Agosto, 2011
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