Esta poderá ser a última oportunidade de recuperar os Pavilhões do Parque e relançar o termalismo O Jornal das Caldas teve acesso ao relatório final do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) sobre o termalismo caldense que deixa o desafio à criação de um Projecto Integrado (PI), com intervenção da sociedade civil, lançando a entrada de um privado para recuperar os Pavilhões do Parque transformando-os num Multi Usos termal e recomenda uma parceria entre a Câmara e o Estado no sentido de colocar o parque e a mata nas mãos da autarquia ao mesmo tempo que pretende que o Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON) funcione em parceria com o Hospital Termal. Estas são algumas das ideias deixadas nas cinquenta páginas de um relatório que o JORNAL das CALDAS teve acesso e que está nas mãos dos deputados Municipais que o irão analisar, para mais tarde o votarem e darem seguimento às suas intenções. Os técnicos do ISCTE na elaboração do “estudo de avaliação, gestionária económica e financeira sobre o Hospital termal, visando um modelo de gestão” analisam todas as possibilidades, mas deixam três ideias chaves, a parceria entre a Câmara e o Estado, a entrada de um privado e a manutenção das termas nas mãos do Ministério da Saúde. Na valorização dos elementos do património do Hospital Termal, por um PI, com a criação de valor pela procura da reutilização de elementos do património, recomenda ao CHON e à Câmara a protecção e utilização da Água Mineral Natural, no que diz respeito à valorização das diferentes modalidades da sua utilização, como a prioridade das prioridades. A ideia do PI é um conjunto coerente de cinco acções, que cada uma compreende várias iniciativas. Segundo o estudo, a implementação do PI define uma estância turística, com base no conceito de “Caldas da Rainha Thermal and Spa Resort”. Um empreendimento Multi Usos, um espírito do lugar com percurso de visita histórico e cultural, pelas visitas que gera e pelo reforço do posicionamento de todo o conjunto. O valor criado pela procura depende, ainda, da água na sua protecção e utilização e ainda na integração do Parque e a Mata na Cidade. Ao CHON, compete na área da prestação de serviços, que os médicos, com apoio da Água Mineral Natural, no Hospital Termal e novo balneário, tenham em consideração a importância determinante, pela inovação e atracção de nova procura para um novo termalismo das Caldas da Rainha. Ainda na área do CHON o termalismo clássico, o Hospital Termal e o novo balneário, podem assumir um valor mercantil, se houver procura que justifique um upgrade do Hospital Termal. À Câmara Municipal com lugar no valor cultural público, compete uma acção determinante para o posicionamento da cidade e destino turístico, com a importância relevante para o negócio turístico local e acrescentar valor à promoção do PI. A autarquia terá de integrar a Mata e o Parque na cidade e valorizar estes espaços, protegendo-os e mantendo-os como espaços verdes, no núcleo urbano, pois criam valor público, crescente ao longo do tempo, para residentes, visitantes e sucesso do PI, criando ainda um valor mercantil a considerar. O corte de custos no Serviço Nacional de Saúde forçará uma negociação com a Câmara Municipal ou a degradação dos espaços. Ao promotor privado, sugerem que recupere os pavilhões do parque e crie uma residência em directo de superfície, ligada ao estilo e ciclo de vida. A criação de uma unidade de residência assistida e uma experiência de estilo de vida é outra das propostas, com um meet industry de viajantes de passagem. Neste capítulo surge então o empreendimento Multi Usos, que no seu conjunto terá uma grande importância cultural e política, pois será determinante para o sucesso do negócio. Neste PI a parceria entre o Estado e o Município devem promover o projecto, competindo ao Estado decidir no Hospital Termal, na prestação de serviços médicos, com apoio da água mineral natural, com certificação por estudo científico e inovar com um upgrade do termalismo clássico. Cabe ainda estabelecer um acordo global com o Município das Caldas sobre a integração da Mata e do Parque na cidade com a valorização de outros elementos do património. Compete ainda concessionar o empreendimento Multi Usos a um promotor privado. Ao Município compete decidir pela integração da Mata e do Parque na cidade, além de organizar e divulgar o percurso de visita histórica e cultural. Esta parceria exige uma equipa de três a quatro pessoas, com limite de tempo definido e limitado e nem todas a tempo inteiro. Este PI evita a derrocada dos Pavilhões do Parque, que segundo os elaboradores do estudo “mais tarde ou mais cedo, ocorre, pela acção conjugada de infiltrações, de problemas estruturais e da natureza do terreno em que assentam”. Como evitar a degradação de outros elementos do património é possível concessionando a reutilização da Casa da Cultura dada a sua localização e o espaço disponível. O lar das enfermeiras dando-lhe uma utilização de residencial. Quanto ao Hospital Termal, é possível promover a Certificação Científica da Prestação de Serviços Médicos e atrair utentes, mas a falta de ímpeto do PI torna a inovação mais difícil e dificulta a formação da procura. Independentemente do mérito, o Museu e Arquivo do Hospital Termal não resistem aos cortes de custos, a que é necessário proceder no Serviço Nacional de Saúde. O Património do Hospital Termal é vasto, disperso e não consistente. Está sub utilizado, o que, apesar da iniludível dificuldade da tarefa, abre espaço para utilização acrescida e mais eficiente, uma vez que está desvalorizado pela evolução do Termalismo nas Caldas da Rainha, e pode ser ainda mais desvalorizado, se ocorrer a ruína dos Pavilhões do Parque e da Casa da Cultura. O Património do Hospital Termal só pode ser valorizado pela promoção do PI e do empreendimento Multi Usos. O empreendimento Multi Usos irá utilizar a Água Mineral Natural, implicando um acordo entre o Empreendimento e o Hospital Termal, sobre as modalidades de uma utilização mais lúdica e hedonista da Água Mineral Natural ou de uma versão Light. Neste capítulo a reutilização dos Pavilhões do Parque é o mais difícil e sensível problema para qualquer proposta de Valorização do Património do Hospital Termal. Não é por acaso que, em 130 anos, nenhuma das variadas iniciativas para a sua utilização teve sucesso. De entre os últimos cento e vinte anos das Termas das Caldas da Rainha, as propostas dos últimos trinta sobre o Património do Hospital Termal e alguma tradição nacional sobre estudos confirmam a possibilidade do actual documento do ISCTE – IUL não ser implementado e ser arquivado. O Estudo do ISCTE – IUL apresenta as grandes linhas de um PI, a dinâmica da sua promoção e a explicitação das responsabilidades do Estado, do Município e do Promotor Privado na sua definição mais detalhada e futura implementação. O envolvimento da sociedade civil caldense é importante para catalizar a dinâmica inicial do Estado e Município, ultrapassar as divisões do passado e concentrar a atenção no essencial. Um inegável desafio que este estudo deixa é a utilização sustentável da Água Mineral das Caldas da Rainha, implica um inegável desafio para muitas das partes interessadas, porque depende de uma maneira directa, para a confirmação científica da eficiência da Água Mineral Natural na Prestação de Serviços Médicos; na formação de uma procura que rentabilize, em parâmetros a fixar, o funcionamento do Hospital Termal; uma utilização culturalmente relevante, mas marginal ou negativa para o negócio o reposicionamento do Termalismo Clássico das Caldas da Rainha num mercado nacional reduzido e em contracção e num mercado internacional até agora inexistente. A Câmara só aceita Parque e Mata mediante algumas contrapartidas Fernando Costa, presidente da Câmara das Caldas numa analise pessoal ao estudo, mas que não divergirá muito da posição da Câmara assume que aceita o Parque e Mata, mediante algumas condições, nomeadamente financeiras. “A Câmara não pode ficar com o património do Estado só para que o Estado alivie a carga de despesa que tem. É um assunto a ver, embora por principio estou aberto à recepção destes espaços. A Câmara pode rentabilizar o Parque com outras utilizações. O Parque e a Mata podem ser o ex libris da cidade”, disse. O presidente da Câmara assumiu que concorda quase na totalidade do estudo, que ainda está em discussão e que pode ter um ou outro pormenor que a Câmara e Assembleia entendam propor. Já no que diz respeito à recuperação dos Pavilhões do Parque, Fernando Costa, considera que os privados devem entrar e agarrar-se a fundos comunitários, deixando ainda um recado ao Governo para apoiar projectos que sejam rentáveis no futuro. “Os Pavilhões do Parques tem de ser recuperados rapidamente. Seja para Hotel, para Termas, para Residências ou para Cultura. Os Pavilhões são uma peça arquitectónica importante e como tal tem de ser tratados. É preciso ser feito um estudo sobre os edifícios para que nenhum Governo adie decisões, por falta de estudo. Este estudo termina em Setembro, para depois pedirmos ao Governo que tome decisões. Aquelas que passem pela Câmara estamos disponíveis. Não podemos ser miserabilistas e o termalismo como actividade de lazer e de ponta, uma coisa é o hospital termal como serviço publico e outra coisa é o termalismo que se pode fazer desenvolver como projecto privado. Há que avançar”. Fernando Costa disse que prefere a recuperação dos Pavilhões do Parque ao TGV, porque um dá receitas no futuro e outro dá despesa. “Sugiro que o privado deve garantir fundos comunitários substanciais. É melhor fazer isto do que andar a fazer TGV’s ou outros equipamentos que deem despesa. É preciso investir dinheiro comunitário em projectos que se tornem rentáveis e criem riqueza. Não podemos ter projectos que só deem despesa no futuro”, disse. Quanto aos Pavilhões do Parque a Fundaçãom Inatel já se mostrou disponível e para o Hospital Termal o Montepio Rainha Dona Leonor, duas instituições que o autarca considera serem boas, mas entende que podem surgir outras. “Quem melhor condições der e quem melhor projecto apresentar, deve vir. Aquele complexo geral deve ser explorado pelo sector privado sem prejudicar a função que foi criado”, disse. Carlos Barroso
Relatório sobre termalismo aponta novos caminhos para as Caldas
25 de Agosto, 2011
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