Praça cheia e muita animação Tarde fresca, céu tapado e cinzentão com nevoeiro e alguma cacimba, tão característico do fenómeno costeiro desta zona oestina. Mas o que importa é que a praça abarrotava de cheia, com um público a vibrar de emoção e com as peripécias do espectáculo que tinha (justiça se faça) um cartel bem rematado no qual o toureiro a pé foi também incluído. Cavaleiros A lide há portuguesa foi executada pelos cavaleiros da destinta família Ribeiro Telles – António Telles e Manuel Telles Bastos, tio e sobrinho, o mestre e o discípulo. O mestre António R. Telles esteve à altura dos seus pergaminhos, pois se o primeiro toiro parado e sem transmissão pouco o ajudou, no quarto da tarde, António rubricou uma grande e brilhante actuação que muito entusiasmou as bancadas e a qual os aficcionados não se cansaram de aplaudir. O discípulo Manuel Telles Bastos com uma actuação em crescendo, no primeiro toiro que lidou acabou também ele por atingir um patamar elevadíssimo nos ferros curtos, especialmente os dois últimos de grande impacto saindo igualmente muito aplaudido. As coisas não lhe correram bem no quarto da ordem, pois sendo este toiro andarilho (não se fixando para as sortes) e atalhando terrenos para se adiantar à montada acabou até por ser recolhido. O jovem cavaleiro porém enchendo-se de brios, acabou por dar a volta ao texto e terminar em plano muito aceitável. Forcados Nas pegas estiveram com grande coragem e valentia, pela frente e na cara dos toiros os forcados amadores de Santarém e os forcados amadores das Caldas da Rainha. Há a destacar quatro rijas pegas, uma de Luís Sepulveda e outra de João Brito, pelo Grupo de Santarém, as outras duas pelos forcados de Caldas da Rainha, Francisco Rebelo de Andrade e Óscar Carvalho respectivamente. Portanto, bom desempenho da forcadagem que muito justamente mereceram conjuntamente com os cavaleiros, dar a volta à arena no final das lides, sendo aí brindados como manda a tradição com flores, bonés, etc. Matador – Vitor Mendes Como já se deixou perceber a corrida foi mista (tendo também toureiro a pé), como mistas deveriam ser todas para que o toureiro a cavalo não enteadasse e fosse pelo contrário sempre apetecido. Sorte para quem esteve na praça, pois pôde assim rever essa grande figura de toureiro mundial, que é o matador de toiros bem português Vitor Mendes. No terceiro toiro da tarde, Vitor Mendes não teve matéria prima para brilhar. O toiro era nobre, humilhava baixando a cabeça, passava bem na muleta mas não voltava, não replicava, afastava-se, até era manco. No entanto na retina ficou as verónicas e as chiquelinas maravilhosamente executadas com o capote, bem como um soberbo par de bandarilhas depois de fintar o toiro. Destaque-se ainda dois excelentes pares de António R.Telles Bastos a quem Vitor Mendes deu a alternativa de bandarilheiro. No último a encerrar a corrida, Vitor Mendes encheu a praça num toiro demasiado agressivo, brusco e difícil. Não é que fosse um recital de arte, mas foi isso sim uma grande arena dominadora onde prevaleceu o querer, o poder e o saber de um grande toureiro, e mais não digo. Luciano Silva No intervalo da corrida recordou-se numa singela homenagem, o dia 15 de Agosto, data em que Manuel dos Santos, outra grande figura do toureiro mundial tirou a sua alternativa de matador de toiros. Foi nos corredores da praça descerada uma lápida comemorativa da efeméride e para que fique para a posterioridade, a praça de toiros das Caldas que foi sua e até há bem pouco tempo dos seus herdeiros passou a chamar-se, Praça de Toiros Manuel dos Santos. Fotos: João Polónia
Tourada do 15 de Agosto
18 de Agosto, 2011
Praça cheia e muita animação Tarde fresca, céu tapado e cinzentão com nevoeiro e alguma cacimba, tão característico do fenómeno costeiro desta zona oestina. Mas o que importa é que a praça abarrotava de cheia, com um público a vibrar de emoção e com as peripécias do espectáculo que tinha (justiça se faça) um cartel […]
Tourada do 15 de Agosto
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