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Pesca em Peniche com dificuldade de mão-de-obra

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Nelson Borges, de 64 anos e pescador há 50 em Peniche, descreve que a principal dificuldade do sector é “o preço do gasóleo e a pesca não ser muita”. “Eu ainda consigo alguma coisa, cerca de 70 mil euros o ano, mas a maior parte não se desenrasca”, aponta. Na sua embarcação de 12 metros, […]
Pesca em Peniche com dificuldade de mão-de-obra

Nelson Borges, de 64 anos e pescador há 50 em Peniche, descreve que a principal dificuldade do sector é “o preço do gasóleo e a pesca não ser muita”. “Eu ainda consigo alguma coisa, cerca de 70 mil euros o ano, mas a maior parte não se desenrasca”, aponta. Na sua embarcação de 12 metros, que se dedica sobretudo à pesca de anzol, em especial na captura de robalo, a faina diária dos oito tripulantes é ir para o mar às dez da noite e regressar às duas da tarde do dia seguinte. A falta de mão-de-obra é preocupante. “Quem é solteiro e não tem filhos acha suficiente o que ganha do fundo de desemprego e prefere não ir para o mar”, lamenta Nelson Borges, que tem consigo a trabalhar dois filhos e dois netos. Inácio Garcia comprou um barco para a pesca e confirma a dificuldade: “Não há pessoas para trabalhar. Já ando nisto desde os 14 anos, tenho 55 e em vez da reforma vou para o mar”. Francisco Fernandes, pescador reformado, explica que “ninguém quer poucas contrapartidas, é por isso que não se vêem rapazes novos a ir para o mar. Se não forem os reformados a irem nos barcos, não há pesca”. Jerónimo Rato, presidente da CAPA – Cooperativa de Armadores da Pesca Artesanal de Peniche, reconhece que tem havido “recurso a pescadores indonésios, peruanos e brasileiros, e reformados para operar em embarcações de menos intensidade”. Contudo, não partilha do cenário negro traçado: “Tecnicamente evoluímos e é preciso menos mão-de-obra. A pesca já foi altamente rentável, agora já não é, mas pode vir a ser se houver uma reforma da Política Comum de Pescas”. Outra queixa é o preço de venda. “O peixe é vendido barato. Os supermercados é que ganham dinheiro porque vendem caro. A abrótea vendemos a 5 euros o quilo e no supermercado está a 15 euros. O safio vendemos por dois euros o quilo e está a seis euros”, refere Nelson Borges. Mil pescadores A CAPA tem 170 cooperantes, com embarcações que se dedicam essencialmente a quatro tipos de pesca – palangre de fundo e de superfície, arrasto, pesca com armadilhas – gaiolas e alcatruzes, e redes de emalhar. Envolve cerca de 800 pescadores e estima-se que a actividade possa gerar aproximadamente 60 milhões de euros por ano. No porto de Peniche operam 441 embarcações, das quais 320 estão registadas na capitania local. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, existem 1021 pescadores no activo em Peniche. O número de horas de trabalho é variável consoante o tipo de pesca. Há embarcações que trabalham cerca de 20 horas por dia e às vezes dez dias consecutivos. Outras trabalham oito horas por dia. As principais espécies capturadas são o polvo, espadarte, pescada, cherne, robalo, safio e linguado. O gasóleo através da CAPA é vendido a 69 cêntimos o litro à frota que opera no porto de Peniche. Francisco Gomes

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