O trabalho com caixas vem me trazendo recordações muito importantes neste momento de busca. A caixa me emociona, me impressiona, me chama, me inquieta, me leva aos mais altos devaneios… Lembranças que sempre evitei, pois não queria lembrar dos tempos em que busquei abrigo e acolhimento em caixas pela cidade. Perambulei nas ruas e, apesar de ter orgulho da minha trajectória, o passado não deixa de me trazer alguma angústia… Encontro acalento quando transformo minhas memórias em arte e ao expô-las, já não me sinto tão sozinha quanto me sentia naquela época é uma forma de estar com o outro. Assim, encontrei nas artes uma maneira única de me expressar. Não apenas com a cerâmica, com a modelagem do barro, com a qual já trabalho há 7 anos, mas agora tenho esse novo objecto para desenvolver minha pesquisa. Foi em uma mera caixa de papelão que pude construir e desconstruir os meus pensamentos em noites frias e solitárias. Encharcada com a água da chuva e com medo das pessoas que passavam por ali, eu me acolhia cada vez mais e rezava. Caixas de papelão são efémeras, de durabilidade curta, banais, espalhadas pelo lixo de toda a cidade. Na rua, as pessoas passam e não notam. E nem sequer podiam imaginar que alguém fazia delas uma morada temporária, se protegia do frio, divagava, imaginava morar em um castelo… Protecção para quem vive nas ruas, as caixas de papelão marcaram minha memória: na aspereza do toque, no cheiro de papel molhado na chuva, na esperança de ter uma casa. No local certo, caixas podem atiçar grandemente nossa curiosidade. Começamos a imaginar o que pode estar guardado lá, como naquelas velhas caixas descartáveis que todo mundo usa para acomodar cartas, pequenas lembranças de amigos e namorados, livros velhos, etc. Em nosso imaginário, caixas estão sempre relacionadas às lembranças, à memória, à imaginação e até mesmo ao lúdico e à esperança de ganhar o presente certo… Meu trabalho faz referência a todo esse universo imaginativo e também à minha memória e infância. Elis Loureiro aluna de Mestrado da ESAD, artista plástica
Arte e Vida: viver e criar interligados
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