Na verdade, apesar de baptizadas de “catastróficas” na sua época, todas as gerações jovens nos parecem “inofensivas” com o passar do tempo… Nos anos 50 e 60, a juventude mudou o mundo. Ao som dos The Beatles ou de Elvis Presley, sonharam viver como “Rock Stars” e liberaram o abuso da bebida como uma coisa “cool”. Foram a primeira geração lifestyle, ganharam direito a ter carro e chave de casa. Divertiram-se imenso, mas, hoje, são vistos como os avós “retrógrados” com os seus 70 e 80 anos… Já nos finais dos anos 60, os jovens viveram o movimento hippie, ao álcool juntaram a massificação do abuso de drogas e a liberalização do sexo. Dez anos depois, o movimento punk continuou este “sex, drugs and rock n’ roll”, mas deitou por terra a ideia de não violência. Ao som dos Sex Pistols ou dos The Clash, a juventude, no final de 70, passou a ser dona dos seus quartos, como se de uma ala privada da casa se tratasse. Eram radicais e adoraram estar à margem de todas as convenções sociais e, hoje, não são os “cotas” de 50 e 60 anos… As décadas de 80 e 90 deram-nos juventudes bem menos interessantes. Viveram o boom do rock alternativo pós punk em personagens como Ian Curtis (Joy Division) ou Kurt Cobain (Nirvana) e passaram a ver com naturalidade as depressões suicidas das suas “Stars”. Foram denominados de Geração X e, por cá, viram os seus estudos deixarem de ser garantia de carreira e depararam-se com a dura realidade do desemprego de licenciados. Fobicamente, acabaram os cursos com a consciência de que não estavam preparados para o mercado de trabalho. Deixaram de acreditar em políticos, dedicaram-se às novelas e aderiram a um estilo de vida acima das suas posses (com recurso ao crédito bancário). Hoje, são eles os pais das novas gerações… No início do século XXI, a geração jovem massificou a internet e desenvolveu-se a Geração Y. Conhecida por multi-tarefa, esta actual geração digital tem o computador e o telemóvel como os seus “melhores amigos”. Escrevem dezenas de sms’s por dia, desenvolvem as suas amizades e conquistas por im, substituíram a televisão pelo Youtube e tudo isto é feito ao mesmo tempo que estão no Google em busca de um “copy” para um trabalho que terão que entregar na escola. Têm mais poder de compra do que todas as gerações jovens anteriores, não sabem o que é poupar, já não pertencem a “tribo” nenhuma e prepararam o terreno para a geração P que os seguirá na segunda década deste século. A Geração P, que agora começa, traz-nos uma juventude mais instável e perdida. Filhos de pais separados, esta geração vai buscar o seu nome às características paranóides que desenvolveu. Cresceram em relações virtuais, não têm um grupo de referência, mas sim muitos grupos… No Facebook. Sentem-se sozinhos, desconfiam dos outros, são críticos com os demais, mas muito sensíveis a ser criticados, por isso passam com facilidade do amor ao ódio. Estão desprovidos de ídolos, porque eles é que se acham ídolos. Os pais começaram por lhes ensinar a ser mais do que são e a dar-lhes os melhores telemóveis e computadores. Depois, o sistema de ensino fez o resto. Não querem saber da escola, mas já nem por faltas reprovam. O Estado subsidia-os para estudarem, mas eles não precisam de aprender, pois já são… “Special One’s”. Se têm negativas é porque os professores não gostam deles e os prejudicam, se não têm amigos (reais) e não têm namorado(a) é porque os outros são estúpidos… Acham-se auto-suficientes e não perdoam porque… São os maiores. E como todos nós somos resultado da educação que recebemos, somos todos tão responsáveis como eles, pois, no fundo, eles são apenas o resultado da Educação que todos nós lhes demos…
Quem nada tiver a ver com isto que atire a primeira pedra
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