Cavaco Silva em campanha pelas ruas das Caldas

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Meia hora foi quanto durou a passagem de Cavaco Silva pelo centro das Caldas da Rainha, o suficiente para chamar a atenção dos transeuntes na Praça da Fruta, Rua das Montras e Rua Heróis da Grande Guerra. O candidato presidencial às eleições de 23 de Janeiro chegou à cidade na passada segunda-feira por volta das […]
Cavaco Silva em campanha pelas ruas das Caldas

Meia hora foi quanto durou a passagem de Cavaco Silva pelo centro das Caldas da Rainha, o suficiente para chamar a atenção dos transeuntes na Praça da Fruta, Rua das Montras e Rua Heróis da Grande Guerra. O candidato presidencial às eleições de 23 de Janeiro chegou à cidade na passada segunda-feira por volta das onze e meia de manhã, vindo de Peniche, onde iniciara o périplo pelo distrito de Leiria. Segunda-feira, dia de enchente na cidade, com a Praça da Fruta também bem composta, levou Cavaco, rodeado de seguranças e ladeado pela sua mulher, Maria Cavaco Silva, numa acção de rua a privilegiar a população local e a distribuir beijos e cumprimentos, e pequenos cartões com a sua fotografia e com o lema “Acredito em Portugal”. Recebido pelo mandatário concelhio, Lalanda Ribeiro, e pelo presidente do PSD caldense, Fernando Costa, cumprimentou dezenas de pessoas, conversou com algumas delas e recebeu vários apelos. “Reaja, reaja com força, não tenha medo dele”, exortava uma cidadã caldense. ‘Ele’ era, segundo descreveu, “o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças”. “Não, é por isso que eu estou aqui”, respondeu-lhe Cavaco Silva. A mulher, que se queixava de lhe sobrarem por mês “200 e tal euros para comer”, insistiu que “ele mete medo, mas não é a toda a gente”. “Só tenho pena é de não o encarar frente a frente. Eu ia presa, mas dizia a minha verdade”, manifestou, enquanto Cavaco Silva se afastava. Era o primeiro momento mediático na Praça da Fruta. Na Rua das Montras a passagem do candidato tornou-se apertada, pela quantidade de pessoas que acompanhavam a comitiva. Cavaco parava várias vezes e trocava algumas palavras com os munícipes. Na Venézia tomou café e revelando que não trazia carteira, procurou quem lhe pagasse a despesa, nomeadamente Fernando Costa, que estava a seu lado. “Tens o dever de levar a família, os vizinhos e os amigos todos a votar, senão já sabes o que te faço”, brincou Cavaco, ao ver um velho conhecido. “Trabalhou mais de 40 anos com o meu pai e era meu vizinho e veio para as Caldas não sei porquê”, descreveu, aproveitando Fernando Costa para entrar no espírito brincalhão: “Veio porque as Caldas é a melhor terra de Portugal”. Começava a chover, mas Cavaco entrava já na Rua Heróis da Grande Guerra para finalizar a passagem pelas Caldas, e ouviam-se gritos de apoio: “Cavaco, Cavaco”, ao que alguém acrescentava, “à primeira (volta)”. Não esperava, ao cruzar-se com uma mulher, que esta ironicamente lhe agradecesse “pela ajuda à agricultura de Portugal”. “Há muita gente a passar à fome”, lamentou depois. Cavaco voltou atrás e perguntou-lhe “qual é a sua agricultura?”. “Cebolas, batatas e horta”, retorquiu a mulher. “Não nos ajudam nada, ladrões”, adiantou. Cavaco limitou-se a dizer que “o Oeste é o melhor produtor de fruticultura”. A meio da rua, o candidato receberia uma flor e uma mensagem de uma mulher: “Os homens também recebem flores. Que esta flor seja o símbolo de muitas para o nosso país”. Euforia, a tal ponto que Vasco Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, comentava, em jeito de brincadeira, que a mulher “merece um voto de louvor da Assembleia de Freguesia”. De uma florista, Cavaco receberia mais uma flor. Outra mulher, que se identificou como sendo da Foz do Arelho, levou Cavaco a perguntar-lhe “como vai a praia”. “Está muito boa”, respondeu. A esposa do candidato também a questionou: “Já tem areia?”. “Agora sim”, retorquiu. “Teve muito muitos turistas?”, interrogou Cavaco. “A praia nunca esteve tão boa como este ano”, afirmou a mulher. Cavaco rematou: “Os portugueses devem passar férias cá dentro”. Junto aos Correios, onde um carro o esperava para a partida até Alcobaça, Cavaco Silva manifestou-se “verdadeiramente comovido” com os “muitos dramas e histórias” que tem ouvido, considerando que “corroboram tudo aquilo que eu tenho dito sobre o aumento da pobreza no nosso país”. Elogios em Peniche O programa de segunda-feira teve o seu início em Peniche, pelas dez e meia, onde o candidato contactou com o artesanato local, as famosas rendas de bilros e outras artes. Cavaco Silva escusou-se, mais uma vez, a especular sobre a possível entrada do Fundo de Estabilização Europeu em Portugal, sob pena de “complicar” a vida ao Governo. “O Governo ainda hoje reafirmou que está a fazer tudo para que não seja necessária ajuda externa”, disse Cavaco Silva em Peniche. “Não devemos complicar a sua vida. Não devemos especular sobre o assunto”, acrescentou. Cavaco Silva aproveitou ainda para explicar que apesar de nos últimos dias se falar da entrada do Fundo Monetário Internacional (FMI), do que se trata é da entrada do Fundo de Estabilização Europeu. “Não é FMI, não percebo porque é que se fala no FMI, é Fundo de Estabilização Europeu e só se ele entrar é que eventualmente o Fundo Monetário Internacional se pode juntar”, sustentou. O candidato presidencial também se escusou a falar sobre o pedido de outro candidato, Defensor Moura, para que se demita do cargo de chefe de Estado, alegando que não faz comentários sobre nenhum candidato, “por mais loucos que eles sejam”. No domingo, durante uma acção de campanha em Viana do Castelo, Defensor Moura tinha exortado Cavaco Silva a demitir-se da Presidência da República por considerar “desprestigiante” para o país ter um chefe de Estado ligado ao caso BPN, num “negócio” que classificou de “ilícito” e “pouco claro”. Numa visita rápida à cidade de Peniche, o candidato a Belém ainda parou para um café, a poucos metros do “Café Presidente”, que não o pôde receber por estar encerrado…e à espera de nova gerência. Antes de partir para as Caldas, o candidato presidencial deixou elogios à autarquia local, e ao presidente eleito nas listas da CDU. Depois de Caldas da Rainha, seguiu-se Alcobaça, num almoço com dirigentes associativos e agricultores. Neste almoço, Cavaco insistiu no apelo de “mais atenção e mais respeito” para com o sector agrícola. E pediu à administração pública para que não crie “burocracias desnecessárias” aos agricultores de forma a que os seus projectos sejam aprovados com maior rapidez. À tarde esteve na Marinha Grande, visitando uma empresa exportadora, e em Leiria inaugurou oficialmente a sua sede de candidatura distrital, localizada na Praça Rodrigues Lobo, numa sessão onde foram igualmente divulgados os mandatários da candidatura nos dezasseis concelhos do distrito de Leiria que, conjuntamente com José Ribeiro Vieira, mandatário distrital, serão os dinamizadores da candidatura no distrito de Leiria. Na sede de candidatura teve um encontro com jovens empreendedores da região e o périplo pelo distrito culminou com um jantar de apoiantes em Pombal. Francisco Gomes (texto) Carlos Barroso (fotos)

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