É logo no Domingo a seguir ao Natal que se celebra a festa da Sagrada Família. A leitura da recente Exortação Apostólica do Papa Bento XVI Verbum Domini, Palavra do Senhor, e o seu convite a identificar-nos com o Verbo de Deus incarnado suscitou-nos algumas considerações acerca da família, por ocasião das festas que estamos a viver (Sagrada Família e Natal). O Santo Padre usa novos termos para as mesmas verdades. Reparemos que em vez da fórmula habitual “o Verbo fez-se carne” usa “o Verbo fez-se pessoa”. A palavra pessoa sugere-nos a realidade de Deus feito verdadeiro Homem; não apenas carne, mas também espírito – alma -, com tudo quanto isso implica: agir por instinto (por ser carne) e por entendimento (por ser espírito). O comportamento por entendimento pressupõe: 1º) conhecimento (por formação, por estudo, etc.), 2º) domínio desse conhecimento (em maior ou menor grau, de acordo com a profundidade desse conhecimento) e 3º) liberdade para aceitar ou rejeitar o que se conhece. Assim, Deus dá-se a conhecer aos homens de uma forma muito simples e acessível a todos. Faz-se pessoa, começando, naturalmente, por ser pequenino, bebé, como todos nós. Com este acto, Deus dá a conhecer a vocação de qualquer homem: parecer-se com Ele, ser santo, ou seja, lutar por progredir, ser melhor em cada dia, em cada hora… até conquistar o Céu, a Felicidade máxima. Não se trata de ser igual a Deus, o que é impossível, mas de procurar assemelhar-se em alguma ou algumas coisas. No ponto 48 desta Exortação Apostólica, o Papa recorda “quem viveu verdadeiramente a Palavra de Deus, ou seja, os Santos”. As primeiras pessoas a acolherem, no Novo Testamento, a Palavra de Deus são Nossa Senhora e S. José. Acolhem a Palavra, no caso de Maria, antes ainda de a Palavra ser pessoa humana, e no caso de José, antes de o Menino ter nascido. Em ambos os casos, Deus espera uma resposta (afirmativa ou negativa) à vocação que oferece. Deus respeita a liberdade dos homens, como os pais devem respeitar a liberdade dos seus filhos. Ao fazer-se bebé, a Palavra, o Verbo de Deus, necessita de uma família: pai, mãe, avós, tios, primos… De facto, faz parte da vocação de qualquer ser humano ter algum tipo de relacionamento familiar, mesmo os órfãos, viúvos, filhos únicos… Jesus quis necessitar de uma família, também para mostrar como se deve vir ao mundo: entregue ao carinho e à responsabilidade de um pai e de uma mãe. Sempre que um homem e uma mulher aceitam o fruto do seu amor, com tudo o que isso implica, estão a imitar Maria e José, estão a “viver verdadeiramente a Palavra de Deus”. A manjedoura pode sugerir-nos a ideia de que Jesus se oferece já para ser comido. As palavras “manger” (francesa) e “mangiare (italiana) significam comer. Em português, um “manjar” é uma comida excelente. Será já isto um anúncio da Eucaristia? A manjedoura é o lugar onde se coloca a palha destinada aos animais, mas Jesus só se oferece como alimento aos homens quando eles estão em estado de graça. Jesus sabe que alguns homens têm dificuldade em agir com liberdade, isto é, dominando os seus instintos (ser capaz de esperar até à hora das refeições para se alimentar, saber escolher o cônjuge conveniente, ter domínio sobre a ira…). Sim, o Menino corre o risco de ser comido por homens que, esquecidos da sua dignidade de filhos de Deus, se portam como se fossem bestas. Por isso, escolheu uns pais bons para O protegerem e oferecerem aos homens (Maria e José) e deixou um Sacramento (o da Penitência) que, devendo ser – por vontade expressa de Jesus Cristo – administrado pelos padres (pais), tem o poder de nos devolver a nossa identidade total, de homens e de mulheres (e não de animais apenas). Sempre que um homem vem ao mundo, acontece algo de divino: chega à Terra mais um possível santo. Será santo, na medida em que “construir a sua própria vida sobre a Palavra de Deus…de modo verdadeiramente sólido e duradouro” (Verbum Domini nº 10). Com a sua autoridade, Bento XVI afirma ainda algo grandioso: “Como nos recorda Santo Ambrósio, cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é fruto de todos. Portanto, o que aconteceu em Maria pode voltar a acontecer em cada um de nós, diariamente, na escuta da Palavra e na celebração dos Sacramentos” (Verbum Domini nº 28). É através do exemplo da Sagrada Família que todos somos convidados a formar, de algum modo, uma santa família. Isabel Vasco Costa
A Sagrada Família para cada família
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