Viver nas Caldas

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Quando vimos na primeira página deste jornal (15910) que tinha havido contestação na Câmara Municipal ao uso de lugares de privilégio na praça de touros, ficamos surpreendidos e agradados. Há tempos que connosco estão amigos, conhecidos e pessoas que se encontram em eventos culturais e não culturais, a manifestar-se contra o uso e abuso de […]

Quando vimos na primeira página deste jornal (15910) que tinha havido contestação na Câmara Municipal ao uso de lugares de privilégio na praça de touros, ficamos surpreendidos e agradados. Há tempos que connosco estão amigos, conhecidos e pessoas que se encontram em eventos culturais e não culturais, a manifestar-se contra o uso e abuso de bilhetes de favor, com lugares reservados e nas primeiras filas para ocupação dos poderes locais, suas famílias, amigos, conhecidos e pessoas que querem obsequiar. Foi, portanto, com profundo desgosto que lemos que, tanto na tourada como na Festa Branca, afinal, não se punha em causa toda uma prática obsoleta, anacrónica, toda uma (des)cultura abusiva de privilégios, mas simplesmente um desentendimento por esses convites (?) não serem mais abrangentes! Como diria o nosso Bordalo Pinheiro: Haja compostura, meus senhores! Queremos, no entanto, acreditar em nome do benefício da maldita dúvida, que essa voz de protesto quereria talvez defender, também, os direitos cívicos do cidadão nacional e não só os da juventude popular. Na última revista do Montepio Geral, a páginas 11, num artigo intitulado ‘A Ditadura e os Escândalos da Casa Real’, descreve-se com algum detalhe “o estendal de falsidades, benesses e prebendas que fez cair um regime político corrupto que, em lenta agonia se pautava pela violência e repressão” (sic). Isto em 1906! Durante os 50 anos de ditadura fascista, esta prática foi usada, abusada e imposta a uma nação ameaçada de repressão. E agora , qual é a desculpa  ? No CCC – espectáculo de música e dança (público pagante espalhado por mesas): uma mesa, à frente, ‘Reservada’ para o director, família e amigos! No claustro do Mosteiro de Alcobaça com lugares não numerados: mais de 30 lugares ‘Reservado’. Nesse concerto, assistimos a 3 alemães que após terem pago o seu bilhete e esperado meia hora à porta, foram escorraçados da primeira fila por não conhecerem a regra (?) que se impõe ao contribuinte português que paga o seu bilhete e aos artistas que têm que esperar que essas pessoas (quem são?) cheguem ou não cheguem e quando chegam é normalmente tarde! Na nave central do Mosteiro de Alcobaça: 16 bancos corridos x 6 lugares = 96 lugares reservados! À frente, claro! Desta vez, sendo o concerto gratuito, havia 2 mesas à entrada a filtrar os espectadores, uma para convites, outra para os ‘outros’, nós, cujos impostos ajudam a manter este monumento religioso de Património Mundial! O actor Luís Esparteiro queixava-se na revista Cais que ele e muitas outras pessoas não tinham podido entrar no Convento de Mafra porque não tinham convites para o concerto, gratuito, de carrilhões! E assim vamos nesta democracia! Haja compostura, meus senhores! Comprem os vossos bilhetes! Não aceitem lugares reservados! Não aceitem ‘cordialidades’ comprometedoras! Tenham respeito por artistas e público chegando a tempo de não atrasarem o começo do espectáculo! Quanto aos espectáculos nas Caldas da Rainha, porquê um camarote municipal na tourada ou CCC onde não é necessário qualquer representante da Câmara? Porquê zonas reservadas a ‘Pessoas Muito Importantes’ (?). Que ‘muita importância’ terão estas pessoas para serem segregadas para uma zona, dentro duma área organizada para todos e paga pelo erário público? E só para lhes serem oferecidas bebidas gratuitas que, certamente, podem pagar do seu próprio bolso! Embaraçoso! Isto, em 2010, em plena crise do capitalismo selvagem, um tempo que se quereria de frugalidades, de distribuição justa dos fracos recursos que escapam à voracidade dos desmandos políticos e financeiros. Quanto aos patrocínios, seria de esperar que essa ajuda financeira fosse para aliviar a carga contributiva do cidadão-contribuinte para realizar tais festejos, ao que parece, inevitáveis. Em todo o caso foi esclarecedor de mentalidades com argumentos de antes e depois do 25 de Abril! Se fosse ‘antes’, não tínhamos sabido desta história acintosamente deselegante. Apesar de tudo, já conseguimos muito. E já agora que falamos de touradas, assinem a petição nacional lançada pelo Professor Paulo Borges para ‘abolição de todos os espetáculos com touros ‘ mesmo correndo o risco de enfurecerem ainda mais o presidente (!) da Câmara de Santarém e de serem alcunhados por ele de ‘hipócritas! histéricos! angustiados! talibãs! horda de analfabetos!‘ mas … apoiando o Artigo 1º dos Princípios Fundamentais da Constituição da República Portuguesa!   Margarida Mauperrin

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