Maria Mónica Silva tem 25 anos e luta contra uma doença crónica e degenerativa – a Esclerose Múltipla – que lhe foi diagnosticada há cinco anos. Antiga estudante da Universidade Católica de Caldas da Rainha, onde se licenciou em Microbiologia, encontra-se agora no Canadá. “Uma das razoes do meu regresso ao Canadá, onde eu já tinha passado a minha infância, foi na esperança de encontrar melhores tratamentos para a minha doença. Um tratamento possível era um estudo clínico em Otava, em Ontário, onde estavam a usar células estaminais (células tronco) hematopoiéticas como tratamento”, relata. “Mandei toda a informação necessária para ser considerada para o estudo mas o processo levou tanto tempo que quando finalmente fui chamada não só o estudo estava parado por falta de fundos, como eu já não podia ser considerada porque o meu grau de deficiência já tinha ultrapassado o limite imposto para o estudo”, lamenta. “Desde então já tentei muitos tratamentos mas a minha doença continua a evoluir e já se esgotaram todas as alternativas de tratamentos possíveis quer aqui, quer em Portugal. Aos poucos tenho vindo a perder as minhas capacidades físicas – tenho problemas com o meu equilíbrio e não consigo estar em pé sem me segurar a algum objecto, tenho fraqueza nas mãos e nos braços, principalmente no lado esquerdo, obrigando-me a fazer muitas tarefas apenas com a mão direita como me lavar e comer mas o meu maior problema é com as minhas pernas. Cansaço, espasmos e acima de tudo fraqueza nas pernas têm sido os grandes detrimentos na minha vida. Com o passar do tempo fui obrigada a andar de cadeira de rodas a longas distancias e mesmo em casa vi me obrigada a usar um andarilho mesmo para curtas distancias. Às vezes o nível de fadiga é de tal maneira grande que eu vejo me aflita para ir até ao meu quarto ou à casa de banho”, descreve Maria Mónica. “No entanto, e com isto tudo eu nunca perdi a esperança. Continuei à procura da esperança: esperança num dia melhor, esperança num dia sem cadeiras e andarilhos. Eu preciso da minha vida de volta”, exclama. A esperança chegou através do Hospital Albert Einstein em São Paulo, que oferece um tratamento com células estaminais (hematopoiéticas) para o tratamento da Esclerose Múltipla e que aceita pacientes com o seu grau de deficiência. O problema é que o tratamento custa 91 mil euros. O procedimento proposto é um Transplante de Medula Óssea (TMO) Autólogo. As despesas incluem acomodação tipo apartamento individual na unidade de TMO até 30 diárias; Materiais e medicamentos relativos ao internamento para uso em apartamento; Implantação de Cateter Central; Quimioterapia; Protocolo Anti-hemético; Hemoterapia; Exames diagnósticos de acompanhamento; Reabilitação-fisioterapia motora e respiratória; Gasoterapia; Serviços de enfermagem. No valor não estão incluídos os honorários médicos, que deverão rondar os 11 mil euros. “A minha família (eu e o meu irmão de 13 anos) vive do salário da minha mãe e não temos meios para este tratamento. No entanto, sabemos que o meu tempo é muito escasso e se não for fazer o tratamento no futuro próximo será tarde demais e os danos serão irreversíveis. Este procedimento não é sem riscos e embora eu tenha plena consciência disso, quero tentá-lo. Tenho esperança que o tratamento me permita regressar a minha vida normal ou que pelo menos sirva para parar a evolução da minha doença antes que eu deixe de conseguir andar, vestir-me e de realizar outros gestos do quotidiano que se tem tornado tão difíceis”, declara. É para esta intervenção que está a ser preparada uma iniciativa solidária nas Caldas da Rainha, a que o JORNAL DAS CALDAS se associou. Trata-se de um concerto de beneficência no Centro da Juventude de Caldas da Rainha, no dia 23 de Outubro, com as receitas a reverterem a favor de Maria Mónica. O cartaz ainda está por fechar mas quem vai abrir o festival no palco serão os caldenses Scarscythe. Conta também com os lisboetas Incoming Chaos e para fechar mais uma banda com origens caldenses, os Antracite. As portas vão abrir às 20h45 com a recepção aos espectadores. O bilhete custará quatro euros. A receita irá reverter na totalidade para a jovem, sendo que a Câmara Municipal e o Centro da Juventude cederam o espaço sem qualquer custo, e as bandas aceitaram abraçar a causa e não levar os seus respectivos cachés ou qualquer outro valor. Alguns patrocinadores ajudam o evento, como Mr. Pizza, Mundamúsica, My generation, bar 120, loja 107, café encosta do Sol e Digitalcolor do Alto Verissímo. Aqueles que desejarem poderão doar mais valores no próprio festival. Os bilhetes serão vendidos no local e poderá ser feita a pré-reserva para talentoedinamismo.producao@gmail.com. Francisco Gomes
Concerto de solidariedade ajuda microbióloga formada nas Caldas
23 de Setembro, 2010
Maria Mónica Silva tem 25 anos e luta contra uma doença crónica e degenerativa – a Esclerose Múltipla – que lhe foi diagnosticada há cinco anos. Antiga estudante da Universidade Católica de Caldas da Rainha, onde se licenciou em Microbiologia, encontra-se agora no Canadá. “Uma das razoes do meu regresso ao Canadá, onde eu já […]
(0)
.
Últimas
Artigos Relacionados
Peça cerâmica de Mário Reis assinala início de mandato de António José Seguro
O artista cerâmico Mário Reis fez uma peça para assinalar a tomada de posse do novo Presidente da República, a que deu a designação “Segurem-me”.
Hugo Oliveira reeleito presidente da Comissão Política Distrital do PSD
O deputado e vereador caldense Hugo Oliveira foi reeleito presidente da Comissão Política Distrital do PSD de Leiria, obtendo 95% dos votos expressos nas eleições distritais realizadas no passado fim de semana.
Caravana da FENPROF passou pelas Caldas para abordar a situação da Escola Pública
Caldas da Rainha recebeu no dia 2 de março, a Caravana Nacional da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) que está a percorrer o país com o objetivo de mobilizar docentes e sensibilizar a sociedade para a situação da Escola Pública.



0 Comentários