Corporações de bombeiros no distrito à espera da entrega de viaturas

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No distrito de Leiria há cinco carros de bombeiros que já deveriam ter sido entregues no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), que foi aprovado em 2005, mas as corporações continuam à espera. Em causa estão as viaturas de Pataias onde era pretendido um desencarceramento porque o actual precisa de ser empurrado para […]
Corporações de bombeiros no distrito à espera da entrega de viaturas

No distrito de Leiria há cinco carros de bombeiros que já deveriam ter sido entregues no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), que foi aprovado em 2005, mas as corporações continuam à espera. Em causa estão as viaturas de Pataias onde era pretendido um desencarceramento porque o actual precisa de ser empurrado para ir para as ocorrências, e os restantes, viaturas florestais, para os bombeiros da Benedita, Figueiró, Ansião e Ortigosa. Este problema foi posto ao Ministro da Administração Interna quando esteve recentemente em Alcobaça, mas na altura escusou-se em comentar tal facto e até o seu secretario de Estado chegou a ser indelicado para com os jornalistas devido a esta pergunta. Já durante a semana que passou Rui Pereira foi obrigado a esclarecer a opinião pública uma vez que foram jornalistas nacionais a pegar no problema, que é transversal a todo o país, já que em causa está a atribuição de cinco viaturas, por distrito e por ano, desde 2005, mas nunca foi atribuída nenhuma. As viaturas atribuídas a cada distrito eram entregues às corporações dois anos depois, ou seja em 2007, às que tinham mais carência de meios e de forma rotativa. Alguns corpos de bombeiros queixam-se deste atraso, já que desde que foram criados os GIPS (Grupos de Intervenção de Protecção e Socorro) da GNR nunca mais houve viaturas nos bombeiros comparticipadas pelo Estado. Contudo, o secretário de Estado da Administração Interna afirmou que, desde 2008, estão reservados no Orçamento do Estado 13 milhões de euros para a compra de 95 viaturas para os bombeiros, que ainda não foram entregues devido à “burocracia”. Vasco Franco reagiu à notícia divulgada pelo jornal i, que relatava exactamente o problema da falta de entregas das viaturas ao longo dos últimos cinco anos. O levantamento das necessidades foi actualizado em 2007, tendo havido uma candidatura de um pacote de 95 viaturas para operações de protecção civil ao QREN. A despesa foi aprovada duas vezes em Conselho de Ministros, e, ainda assim, passaram três anos e nenhuma das corporações recebeu os carros prometidos, acrescenta. Vasco Franco afirmou que em 2008 “foi feito um concurso para adjudicação das 95 viaturas só que ficou deserto. Os concorrentes não cumpriram os requisitos, tendo sido feito outro em 2009”. Segundo o secretário de Estado, está a decorrer o prazo de adjudicação, esperando que o contrato esteja até ao final do ano no Tribunal de Contas. “Não há forma de aligeirar a contratação pública. É burocracia a mais, não tenho dúvidas. As dificuldades desesperam, mas não há volta a dar”, comentou. “Todos nós gostávamos de comprar viaturas para os bombeiros, como quem compra outro produto no supermercado, mas isso não é possível”, lamentou, sublinhando que o atraso não é por falta de dinheiro, que está reservado há dois anos. Já Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), assegura que há garantia de que as entregas vão começar este ano, pelo menos para os sete lotes de categorias de veículos que já foram adjudicados. Segundo o dirigente, continua por decidir a que empresas vão ser contratadas as viaturas de desencarceramento (VSAT). “Tem havido uma série de acidentes de percurso de natureza burocrática”, explica Duarte Caldeira. Para o presidente da Liga, esta é apenas a ponta do icebergue de um “défice enorme de equipamento. Mais grave ainda, adianta, é não haver um inventário dos meios. “Era indispensável tipificar as actuações de cada corporação para perceber que equipamentos fazem ou não falta”, sublinha. Por sua vez, o Ministro da Administração Interna revelou que vai ser aproveitado dinheiro do QREN para formação. Certo é que já passaram muitas épocas de incêndios e as viaturas vão ficando mais deterioradas, algumas perdem-se definitivamente e outras avariam sucessivamente. A sua reparação é insustentável e continua o socorro a pessoas e bens a ser posto em causa por falta de meios mecânicos, quando está em causa um problema burocrático que se arrasta há pelo menos três anos.   Carlos Barroso

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