Pessoalmente sempre defendi que um dos principais e, diga-se, mais graves problemas da democracia é o facto de recompensar a mentira, a hipocrisia e a demagogia, o que, em todo o caso, não faz, dela, pelo menos a meu ver, indefensável, bem pelo contrário. É apenas um ponto francamente negativo entre muitos significativamente positivos, nada mais. Mas, apesar de isto ser, com efeito, uma realidade, de, indubitavelmente, a Democracia ser absolutamente indissociável do próprio conceito de demagogia, que é, e sempre foi, necessária ao político que quer de facto vencer eleições, o ponto a que, devido ao Caso TVI chegámos é, no mínimo dos mínimos, absurdo. José Sócrates não mente, faz, de acordo com João Semedo, da esquerda revolucionária que no contexto Português é quase conservadora, algo totalmente diferente: Ilude. Eu, por outro lado, não escrevo, redijo, como o cozinheiro que não cozinha, confecciona, ou o faminto que não come, ingere. E assim, para bem de todos nós (note-se o sarcasmo), longe de mentir, Sócrates ilude. O facto é, no entanto, que, independentemente dos eufemismos do deputado do BE a Comissão de Inquérito ao Caso PT/TVI concluiu que, com efeito, Sócrates sabia do negócio, ou seja, mentiu à Comissão e a todos os Portugueses. Aliás, iludiu. Como todos sabem, jamais mentiria. Assim sendo, enquanto se congratula com os pretensos sucessos da integração europeia, que pouco mais deixou que auto-estradas e a estagnação económica permanente que vivemos desde a entrada de Portugal no euro, Sócrates vê um dos seus pesadelos tornar-se realidade. Agora não está apenas envolvido num escândalo baseado em especulações e factos hipotéticos mas em algo que, pelo contrário, foi provado pela Comissão de Inquérito e que mostra a cruel realidade. Indubitavelmente, Sócrates mentiu aos Portugueses, digam Semedo, o Bloco e o PS o que bem entenderem. A questão que agora se impõe é se Passos Coelho e o PSD vão, como disseram que talvez fizessem, apresentar uma moção de censura a um governo desacreditado, cujas medidas não apenas infecundas mas quase contraproducentes que roçam o paradoxo e são contrárias a um crescimento económico saudável, muito tem prejudicado o país e os seus nacionais. Esse Governo, liderado por um Primeiro-Ministro que julga poder fomentar o desenvolvimento económico através do aumento de impostos, algo que até um aluno do décimo ano sabe não poder ser boa ideia, vê agora algo tão básico como a credibilidade e a consideração que qualquer cidadão deve ao seu governo, carcomida e podre, sem bases e prestes a ruir, algo que se tem reflectido no crescimento da direita nas sondagens realizadas nos últimos tempos, não tem agora outra saída senão a resignação e o reconhecimento de falhanço. Falhanço esse que a maioria dos portugueses já compreendeu. Terá então o PSD a coragem necessária para, independentemente das circunstâncias em que a nação se encontra, dar o golpe de misericórdia no corpo da governo PS que, apesar de ainda não estar morto, se encontra moribundo, a definhar? Conseguirá Passos fazê-lo? Rafael Borges Presidente da Mesa do Plenário Concelhio da Juventude Popular de Caldas da Rainha
Iludiu, não mentiu
23 de Junho, 2010
Pessoalmente sempre defendi que um dos principais e, diga-se, mais graves problemas da democracia é o facto de recompensar a mentira, a hipocrisia e a demagogia, o que, em todo o caso, não faz, dela, pelo menos a meu ver, indefensável, bem pelo contrário. É apenas um ponto francamente negativo entre muitos significativamente positivos, nada […]
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