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Carta à Rodoviária do Tejo

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É com muita pena minha e certamente de muitos mais passageiros diários, que assisto diariamente à degradação da qualidade do vosso serviço de transporte (rápida linha verde). Este transporte efectuado por V. Exas. é essencial para os residentes do concelho de Caldas da Rainha que têm a sua actividade profissional em Lisboa, uma vez que […]
Carta à Rodoviária do Tejo

É com muita pena minha e certamente de muitos mais passageiros diários, que assisto diariamente à degradação da qualidade do vosso serviço de transporte (rápida linha verde). Este transporte efectuado por V. Exas. é essencial para os residentes do concelho de Caldas da Rainha que têm a sua actividade profissional em Lisboa, uma vez que não existe alternativa viável ao mesmo (o comboio demora 2H20, a linha expresso não possui passe social e o táxi tem um valor incomportável). Passo a descrever os problemas do dia a dia, que os vossos passageiros enfrentam: V. Exas. não cumprem os horários a que se propõem, é “normal” chegarem ao destino (seja ele Lisboa ou Caldas) com 10, 15 e até 20 minutos de atraso em relação ao previsto, mesmo sem condições agravadas de trânsito ou meteorológicas. Também o horário de partida não é cumprido, existe motoristas que partem 2/3 minutos antes da hora, outros na hora (raramente) e normalmente 5 ou mais minutos depois da hora prevista. Com a introdução das paragens em Bombarral e Óbidos, a viagem tornou-se francamente mais penosa, não sendo compreensível, de como na parte na manhã existe ligações directas para Lisboa, mas no regresso a Caldas não. Sendo que em muitas destas paragens não entra nem sai ninguém (especialmente em Óbidos). V. Exas. não controlam a quantidade de passageiros que cada autocarro leva, deste modo em caso de acidente (oxalá nunca ocorra), quantos meios de socorro são necessários? Nunca saberemos, eventualmente terão de deslocar meios para a capacidade máxima (+- 54 passageiros), pelo que as corporações que se deslocarem ao local, vão ficar severamente depauperadas de meios para socorrer outras ocorrências. Como a vossa frota não é mapeada por GPS ou sistema similar, em caso de avaria ou acidente, terá sempre que ser feito um contacto telefónico a solicitar ajuda, pois não se consegue saber onde está a viatura. Como também não efectuam a coordenação das viaturas face ao tráfego existente, é “normal” todos os motoristas (salvo algumas honrosas excepções que tomam iniciativa própria) irem pelo mesmo caminho mesmo que exista um acidente a impedir a circulação, aumentando significativamente o tempo de viagem, que podia ser perfeitamente evitado. Existem viaturas sem o mínimo de condições ergonómicas para a viagem em causa, uma vez que qualquer pessoa de estatura média não cabe nos assentos. Isto ocorre porque ou o espaço para o banco da frente é muito reduzido, ou os módulos dos cintos colocados (à posterior da construção da viatura) são volumosos reduzindo drasticamente a largura dos assentos, ou o piso inferior do autocarro tem quase a altura do assento (as cavas das rodas invadem o espaço destinado ao passageiro). Neste ultimo caso é praticamente impossível colocar mais do que um passageiro por cada dois assentos. V. Exas. vendem um título de transporte mensal (passe), que engloba os vossos serviços, o Metropolitano de Lisboa e a Carris. No entanto não é possível activar o mesmo no terminal onde se adquire, o que leva que se tenha de chegar a Lisboa e ir para outra fila (já estivemos numa nas Caldas) para activar o título de transporte adquirido em Caldas. Não seria mais lógico, V. Exas. possuírem os terminais de activação, à semelhança de outros operadores? Para além de tudo isto, temos muitas vezes, viaturas que não fecham as portas (tem de ser fechada com ajuda do motorista e por vezes continuam com uma brecha aberta), viaturas que a manete das mudança solta-se em andamento (obrigando o motorista ir na mesma mudança até ao seu destino final), ar condicionado que não funcionam correctamente, ou sai ar muito quente ou muito frio (não existe meio termo), obrigarem os vossos passageiros a trocarem de autocarro porque venderam mais bilhetes que lugares, tendo de ir buscar uma viatura maior para caber todos os passageiros, já passar da hora de partida e ainda estarem a reabastecer o autocarro, etc… Quando V. Exas. procedem à recolha de inquéritos de satisfação, era desejável que seleccionassem clientes de forma aleatória, de forma que os resultados sejam credíveis e para além disso, para V. Exas. possam avaliar na realidade o grau de satisfação dos vossos clientes e terem noção das necessidades reais dos mesmos. Talvez tudo isto ocorra pela falta de concorrência que V. Exas. têm, talvez seja necessário o aparecimento de mais operadores, à semelhança do que aconteceu no transporte escolar, para V. Exas. começarem a valorizar os vossos passageiros, pois sem eles V. Ex.as não tinham razão de existir. Já sei que em caso de me enviarem resposta (não é vosso hábito responderem por escrito a reclamações), será sempre no mesmo tom (identifique a matricula, identifique o motorista, etc.), o que apenas e só confirma o que foi em cima exposto, ou seja V. Exas. não têm qualquer controlo sobre a vossa frota e funcionários, nem quais as necessidades dos vossos clientes. Jorge Neto

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