O noivo é mexicano e a noiva portuguesa. Para não serem reconhecidos, serão o Manolo e a Camila e vamos fixar-nos apenas em três momentos da cerimónia religiosa. O primeiro é a entrega das arras, costume esse comum na vizinha Espanha e, creio, levado para o México pelos seus colonos. As arras são moedas de ouro. Na cerimónia do casamento, o noivo, com as mãos juntas, deposita-as nas mãos da noiva com estas ou outras palavras semelhantes: “Aceita estas arras como sinal de que nunca no nosso lar faltará o necessário para a nossa família.” Ao recebê-las a noiva deve responder: “E eu aceito-as como sinal de que as irei administrar de modo que nada falta no nosso lar.” Outro costume é o do laço. Na cerimónia a que assistimos, tratava-se de dois terços unidos formando um laço como o dos cowboys. Os noivos ficaram presos nesse laço por uns momentos, com a cruz pendente para o lado das costas, entre os dois. O sacerdote exortou-os a aceitar aquele sinal como um laço que não se deve desfazer, tal como o laço matrimonial. O terceiro momento foi o da homilia proferida pelo sacerdote, mexicano também. Começou por recordar um momento marcante da sua vida. Estava ele a servir de diácono ao Papa João Paulo II, durante uma ordenação sacerdotal. O Papa terá dito que “Deus quer-nos para Si”. Com base nesta curta frase, o celebrante comentou que Deus já nos criou para Ele e por isso nos cuida tanto e põe os sacramentos ao nosso dispor para nos fazer santos. No entanto Deus empresta-nos. Naquele momento, Deus estava a dizer ao Manolo que lhe emprestaria a Camila por uns 50 ou 60 anos, mas que seria apenas emprestada. O mesmo se aplicava a Camila que teria o Manolo emprestado entre 50 a 60 anos. Seguiu-se a citação de frase de Santo Agostinho: “Amar é uma loucura, se não se ama com loucura”. Ainda aconselhou que permitissem a entrada de um condimento precioso no casamento: o sofrimento. Explicou que, com o amor, o sofrimento não custa e o perdão é uma das manifestações do amor. A este propósito, comparou o sofrimento com o que se passa com as ostras. Se têm pérola, são aproveitadas; caso contrário, deitam-nas fora. A pérola forma-se sempre que no organismo da ostra entra um corpo estranho que lhe provoca uma infecção. Ela defende-se envolvendo esse corpo estranho em nácar. Quanto maior for a infecção, mais a ostra se defende e maior, mais preciosa é a pérola. O valor do casamento aumenta com o sofrimento, ganhado solidez porque já não se baseia apenas na beleza da juventude, mas está enriquecido pela fidelidade, a vontade firme, a capacidade de entrega ao outro. Enfim, pelo amor. No final da cerimónia, muito se comentou a homilia. Até os casais mais antigos pareciam ter rejuvenescido no seu amor. Ou estariam embevecidos na contemplação das suas pérolas? Isabel Vasco Costa
Casamento Especial
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