A Foz do rio Arelho

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O cidadão Fernando Rocha escreve mais uma achega aos sérios lamentos que a propósito da degradação da lagoa de Óbidos. Considero que é merecedor de um aplauso, equivalente ao que mereceram todos aqueles que anteriormente se versaram sobre o tema, e mais aqueles que escreverão sobre ele no futuro. Todavia, como sabem, este ponto geográfico […]
A Foz do rio Arelho

O cidadão Fernando Rocha escreve mais uma achega aos sérios lamentos que a propósito da degradação da lagoa de Óbidos. Considero que é merecedor de um aplauso, equivalente ao que mereceram todos aqueles que anteriormente se versaram sobre o tema, e mais aqueles que escreverão sobre ele no futuro. Todavia, como sabem, este ponto geográfico é vítima de problemas diferentes, e que não é fácil nesta altura, conseguir que sejam todos eles alvo de uma acção simultânea, pelo menos por parte do pai estado, do qual, como do Pai Natal sempre esperamos que nos resolva tudo. Não é a primeira vez que escrevo sobre isso, repetindo sempre a mesma cantiga. Cada comentador tem a sua cantiga e, em geral, não sai dela. Em primeiro lugar temos a acção do Atlântico e do movimento das areias. E é conveniente discernir muito bem entre as areias que são provenientes do mar e as que chegam desde terra. Como se deve saber, desde que os rios que desaguam na nossa costa foram sendo represados, a contribuição de areias novas diminuiu drasticamente. Também se veio a saber que muita da areia que desaparece das praias é deslocada para os fundos marinhos. Vimos, através do submarino robotizado, como na fossa da Nazaré descarregam verdadeiras cascatas de areia. Esta areia jamais voltará às praias. Também verificamos que devido às correntes dominantes na costa oeste do território, o movimento das areias dá-se de norte para sul. E que quando se constrói um espigão, seja para um porto comercial ou piscatório, ou para defesa da costa, acontece, com certa rapidez, que se acumulam grandes quantidades de areia na face norte e, ficam descarnadas as costas situadas mais acima. O caso mais visível é aquele que se deu com a melhoria do porto da Figueira da Foz, de cuja praia os mais velhos recordamos que o mar das marés vivas batia contra o passeio marítimo e hoje as águas estão afastadas de mais de um quilómetro. Portanto, e passando para a situação da praia norte da Foz, o mais provável é que só recuperará alheia no dia em que a saída da lagoa for canalizada por um valente esporão na face norte da boca, mas situado esta quase na face sul do estuário. E só de imaginar que se fizesse tal obra já se ouvem os alaridos dos ecologistas. E mais, provavelmente o mar se encarregaria, devido à alteração das correntes, de provocar o desgaste da costa a sul. Com o mar não de pode brincar. Há uma faceta na nomenclatura deste local que nos esconde a realidade, e isso vem de tempos históricos. Aquilo não é um lago, pela simples razão de que está totalmente fechado. O chamar-lhe lagoa continua a não bater certo, mesmo que sempre o tenhamos chamado assim, uma vez que o termo corresponde a um lago pequeno. E aquilo não é um lago, repito, nem grande nem pequeno. Então o que é? Pois, o nome certo está na povoação Foz do Arelho, ou seja, ali existe um estuário, em tudo semelhante ao Mar da Palha com o Tejo, mas em ponto muito mais pequeno. Ou semelhante, também, à baia do São Martinho. Bem se diz que é a Foz do rio Arelho. E daí? Pois que, como tem acontecido com muitas saídas ao mar, quando o caudal dos rios foi diminuindo, em parte devido à acção do homem sobre as bacias hidrográficas pertinentes, as grandes cheias, que eram as que se encarregavam, gratuitamente, de abrir a saída se estivesse fechada, deixaram de acontecer. A partir daí foi pertinente a força humana, ou de máquinas, para restabelecer o equilíbrio. Sobre o assoreamento do interior da lagoa (sinto-me obrigado a manter este nome, apesar de não concordar) já escrevi que ele não vem do mar. Quem tenha estudado a sério sabe que tenho razão. As areias vêm das encostas e dos ribeiros, transportadas pelas chuvadas. Há possibilidade de agir sobre esta faceta’ Haver há, mas custaria muito esforço e muito dinheiro. Ainda temos o problema da poluição das suas águas. Neste capítulo é que penso ser mais factível, urgente e com possibilidades de êxito que as autoridades locais possam minoram, ou mesmo anular, este problema. Tudo é questão de actuar decididamente, com os meios de fiscalização e actuação a seu dispor, em vez de andar a fintar a realidade e argumentar que isso, como o resto, deve ser feito por outras entidades, mais ou menos nebulosas e distantes. Em poucas semanas seria possível definir todos os pontos que descarregam poluentes na lagoa (penso até que quem deve saber está “careca” de saber tudo isso) e cancelar, com as medidas coercivas possíveis, este crime. Curiosamente fica-se, sempre, aguardando que o papá estado actue, enquanto sabemos que, por trás da cortina, o mesmo estado fornece todas as desculpas e delongas para que nada aconteça, pelo menos aquilo que possa interferir em certos negócios. Fazer notícias sobre candidaturas a maravilha disto ou daquilo só serve para sair nos jornais e mostrar os dentes em sorrisos políticos. Entretanto tudo fica cada dia mais na mesma. Veja-se o tema das dragagens, que encalhou na decisão de onde descarregar estas areias. E aqui ficamos. Solução? A natureza a dá. Descarregar nas arribas a sul, de onde jamais voltarão a entrar e não incomodarão a ninguém. Pelo contrário, poderão consolidar aquela zona da costa.   Alberto Virella

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