Desde tempos imemoriais que aquelas duas jóias irmãs ali estão, dando ao homem a sua magnânima beleza e riqueza. Quis, todavia, o paradoxal destino, que fosse depois da liberdade, que o “25 de Abril” ao País deu, que sem culpa da Revolução e muito menos dos seus autores, os generosos capitães, que a fizeram, que a nossa bela Lagoa de Óbidos e a sua irmã, praia do mar, da Foz do Arelho, sofressem a maior das indiferenças e malfeitorias, da sua mais que ancestral existência. Tudo fruto de todos os males que vêm corroendo e corrompendo o País, tornando-o menos aprazível e mais pobre. É, assim, que a poluição da Lagoa é quase ignorada e mal, muito mal combatida, despejando-se, ainda, nas águas escorrências de esgotos industriais, agrícolas e urbanos, num volume e num ritmo, que tornam a água e muito do que a habita, doente. É, assim, que depois de estudos e mais estudos, às dezenas (mas mal conhecidos), a que se somam obras (mal ou mesmo não testadas), de há meia dúzia de anos (tudo importando em fortunas), que a Lagoa e a Praia da Foz, vivem a sua pior condição de sempre. Um Inferno, que, progressivamente (perante toda a indiferença e incúria de quem manda) vai invadindo o Paraíso! É, assim, que na nossa lagoa, a outrora rica e abundante fauna piscícola e marisqueira, crescentemente, escasseia. É, assim, que o antigo rico berçário de um variadíssimo leque de espécies marinhas, caminha, com a agudização do assoreamento e da poluição, para um incerto futuro, ameaçado de se tornar pantanoso e repelente, por podridão. E a bela e já saudosa Praia da Foz do Arelho, em resultado (muito provavelmente) das tais obras de há cerca de meia dúzia de anos mal estudadas, mal pensadas (pelos resultados só pode ser) e quiçá da extracção desenfreada de areias (fruto de interesses ou de pouco recomendáveis negociatas), areias, que, certamente, o mar, agora, reclama, a outrora bela e excelente Praia da Foz, é já só um resquício e, acima de tudo, de facto, uma saudade. E, agora, “à boa maneira” da incúria criminosa, infelizmente, bem nacional, como na “casa depois de arrombada”, metem-se “trancas na porta”. “Trancas” bem toscas, primitivas, quase só para dizer que se está atento e algo se fez; desfeando-se, assim, ainda mais a paisagem com blocos de pedra e sacos de areia (alguns que a força do mar esfacelará, com péssimas consequências ambientais). Tudo isto está a doer na nossa alma de caldenses, oestinos e portugueses. Mas, infelizmente, já não estranhamos, já menos nos revoltamos; porque, neste País, que de “Abril” já foi, a podridão cresce, cresce e corrompe (quase mata) o que ainda resta de esperança. Fernando Rocha
Lagoa de Óbidos – Foz do Arelho: Um Paraíso vivendo o Inferno
17 de Fevereiro, 2010
Desde tempos imemoriais que aquelas duas jóias irmãs ali estão, dando ao homem a sua magnânima beleza e riqueza. Quis, todavia, o paradoxal destino, que fosse depois da liberdade, que o “25 de Abril” ao País deu, que sem culpa da Revolução e muito menos dos seus autores, os generosos capitães, que a fizeram, que […]
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