Guerra dos crucifixos

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A guerra dos crucifixos teve origem numa bizarra situação criada por uma família italiana que há anos, viu como dois tribunais italianos não aceitavam o seu pedido de retirar o crucifixo das salas de aula do Instituto que os seus filhos frequentavam. Argumentavam que isso violava a liberdade das crianças. Um dia mais tarde elas […]
Guerra dos crucifixos

A guerra dos crucifixos teve origem numa bizarra situação criada por uma família italiana que há anos, viu como dois tribunais italianos não aceitavam o seu pedido de retirar o crucifixo das salas de aula do Instituto que os seus filhos frequentavam. Argumentavam que isso violava a liberdade das crianças. Um dia mais tarde elas podiam escolher, em liberdade, se queriam ou não ser religiosas. É caso para perguntar se essas crianças foram consultadas sobre se queriam ou não mamar quando eram pequenas – o melhor seria esperar alguns anos e elas, com liberdade, escolhiam. Podem-me argumentar que neste caso estava em risco a sobrevivência das crianças e eu contraponho que a ausência de ensino religioso, põem em risco um saudável desenvolvimento psíquico e intelectual. Mas o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, de Estrasburgo (que parece que não tem mais que fazer…), concordou com a petição da família e achou que o crucifixo na parede de uma sala de aula viola a liberdade religiosa. Em Itália, onde tudo começou, as opiniões dividem-se e numa sondagem realizada pelo ISPO, com uma amostra representativa da população nacional, deu: 84 % dos inquiridos a favor da presença do crucifixo nas escolas públicas; 14 % têm opinião contrária. Ora é bom lembrar que o Tribunal de Estrasburgo não depende da União Europeia, mas sim do Conselho da Europa, organismo que integra 47 países, entre os quais figuram a Turquia e a Rússia que são minoritariamente cristãs. O referido Tribunal condenou a Itália porque, os Estados devem “observar a neutralidade confessional no âmbito da educação pública”. A exposição “de um símbolo de uma determinada confissão em lugares utilizados pelas autoridades públicas, e especialmente em funções, limita o direito dos pais a educar os filhos conforme as suas próprias convicções e o direito das crianças a crer ou não crer”. A Itália contrapôs que há muito tempo o crucifixo em Itália e na Europa não é um simples sinal religioso, mas humano e cultural, como é aceite por não cristãos. Manter pois a parede vazia é desconhecer a vida real, o facto de que as pessoas fazem parte de uma história, de uma sociedade, de uma cultura que não podem ser silenciadas. O socialista Giuliano Amato lembrou, há anos, que a Europa é um lugar onde há uma cruz a cada cem passos, desde a Grécia até à Suécia, que a têm na sua bandeira. O casal que promoveu toda esta polémica, ganhou, como indemnização 5.000 euros (logo me pareceu que aqui cheirava a dinheiro…). Mas por outro lado vozes não cristãs levantaram-se afirmando que o crucifixo não incomoda ninguém. Que estas palavras sirvam de alerta para os pais portugueses: parece que ainda não tiraram os poucos crucifixos que ainda existem nas velhas escolas, mas nas modernas, não aparecem, talvez para não onerar o custo da obra (digo eu) e porque nós estamos em contenção de despesas!!! Maria Fernanda Barroca Nota: A imagem de Cristo Crucificado, que inseri nestas linhas pode venerar-se à entrada da Capela do Santíssimo Sacramento do Santuário de Torreciudad, em Espanha.

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