O ministro espanhol do Interior, Alfredo Perez Rubalcaba, afirmou no passado domingo que o comando da ETA que ocupava uma vivenda no Casal da Avarela, em Óbidos, tinha 300 quilos de explosivos preparados para um atentado “iminente”. Segundo declarações de Rubalcaba, os etarras que ocupavam a vivenda encontrada abandonada em Óbidos, estavam a planear um atentado “em breve”. De acordo com o membro do Governo, explosivos “estavam preparados com uma mistura de componentes que se faz imediatamente antes da utilização, uma vez que perdem a eficácia ao fim de pouco tempo”. A célula da ETA detectada em Óbidos teria já como alvo um quartel da Guardia Civil perto de Cádis, Espanha – onde deveria ser detonado um carro-bomba. A comunicação social do país vizinho está a avançar que o carro-bomba seria montado em Óbidos e colocado na localidade de Zahara de los Atunes, uma aldeia turística da costa da Andaluzia, no Sul de Espanha. A informação foi recolhida com base nos mapas e nas fotografias encontradas na vivenda de Óbidos pelas autoridades portuguesas. Contudo, não confirmam que fosse esse o local do atentado. A descoberta das fotografias reforça as suspeitas das autoridades espanholas, que já desconfiavam de um possível atentado em Cádis após encontrar, no esconderijo do Casal da Avarela três telemóveis com as inscrições “Portugal”, “Madrid” e “Cádis”. Na casa também havia mapas da cidade de Cádis, San Fernando (outra localidade na mesma província) e horários de autocarros de uma companhia que opera na zona. Cádis é também a província pela qual é deputado o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, principal responsável pela luta antiterrorista desde 2006. No quartel de Zahara de los Atunes trabalham doze agentes da Guardia Civil, mas ao contrário do que acontece em muitos outros casos, não pernoitam lá. A Associação Unificada de Guardias Civis exige o “encerramento imediato” do quartel por considerar que é “uma ratoeira” que “não reúne as condições de segurança adequadas”. O último atentado mortal da ETA vitimou dois agentes da Guardia Civil nas Ilhas Baleares – uma zona turística – no Verão passado. No município andaluz que estava na mira da ETA residem 1300 pessoas, mas a população dispara na época balnear para cerca de 40 mil habitantes. O efeito mediático multiplicar-se-ia ainda com a presença das inúmeras celebridades que passam férias na zona. Um dos indivíduos que está em fuga, Oier Gomez, foi quem, em 2008, levou um carro-bomba até Salamanca, com a intenção de o fazer explodir. O veículo acabou por ser descoberto pelas autoridades espanholas ainda com os explosivos. Mas investigações vieram a revelar que o veículo tinha sido alugado no nosso país por Oier Gomez, que recorrera a documentos falsos. O ministro Rubalcaba garantiu que França, Portugal e Espanha estão a obter bons resultados com o reforço da investigação, que será mantida “até acabarmos com este pesadelo”. As investigações, citadas pela Cadena SER, sugerem ainda que, além da casa de Óbidos, a ETA pode ter em Portugal outros esconderijos (normalmente conhecidos em Espanha como zulos) onde podem ter mais material. As pás encontradas na viatura abandonada pelos etarras dias antes da descoberta da vivenda de Óbidos apresentavam sinais de terem sido usadas recentemente, pelo que pode haver na zona esconderijos da organização. Foram também encontrados mapas que as polícias portuguesas encaram como pistas para a localização de outras instalações da ETA no nosso país. A Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária está no terreno. As autoridades portuguesas estão preocupadas. E em comunicado o Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo assinalou a “gravidade que resulta da existência de uma base terrorista, descoberta em território nacional, onde havia a possibilidade de fabricação de engenhos explosivos, constituindo uma ameaça potencial à vida de pessoas inocentes”. Há um mês atrás, a organização separatista basca tinha tido outro revés ao ser apreendido um furgão, oriundo de França, carregado de material explosivo e armamento em Zamora (Espanha), por dois ‘etarras’ que acabariam interceptados em Portugal, pela GNR em Moncorvo. No veículo eram transportados, entre outro material, 10 quilos de uma substância que a organização utiliza para imprimir maior potência aos engenhos. O destino do carregamento poderia ser o nosso país, com ligações à base de Óbidos, onde foram encontrados mais de 800 quilos de explosivos (tonelada e meia, segundo as autoridades espanholas, se se contabilizar todo o material que serve para fabricar explosivo). Sabendo-se que a organização separatista reage sempre que os seus objectivos são atacados, as autoridades receiam um atentado a todo o momento, sendo que a ETA nunca actuou fora de Espanha, nem contra pessoas e símbolos religiosos. Segundo a estação de rádio, as autoridades portuguesas e espanholas admitem que os indícios apontam que tanto Gómez como o outro suspeito a monte, Andoni Zengotitabengoa, já abandonaram Portugal. Entretanto, o jornalista e escritor italiano Roberto Saviano denunciou ao jornal espanhol “El Mundo” que a organização separatista está envolvida no narcotráfico com laços a criminosos colombianos, mantendo uma rede que passa por Portugal. O expediente do tráfico de droga servirá para garantir fundos destinados a sustentar as famílias dos etarras e comprar armas. O Presidente da República afirmou na passada quarta-feira não ver “qualquer razão” para um “alarmismo social” causado pela presença da ETA em Portugal. As autoridades portuguesas, considera o Presidente da República, “lidaram e estão a lidar bem com este caso”, pelo que “não há qualquer razão” para que o país seja dominado por “sentimentos de insegurança”. “Não há razões para qualquer alarmismo social em resultado destes explosivos que foram encontrados numa vivenda em Óbidos”, sustentou ainda Cavaco Silva. “Estou absolutamente convencido, até pela informação que recebi, de que as nossas polícias, o Serviço de Informações e os nossos tribunais têm a competência e a capacidade para lidar com estes casos, com a devida articulação com as autoridades congéneres de países estrangeiros. Nesta matéria é necessário sempre uma troca de informação”, declarou o Chefe de Estado. Francisco Gomes
Terroristas da ETA preparavam em Óbidos atentado contra Espanha
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