Q

Irmãos sequestrados e agredidos por alegado furto de ferramentas agrícolas

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
”Deram-me tanta porrada, ameaçaram que me cortavam as goelas com uma navalha e que me atiravam para dentro de um poço”, recorda Gerardo Matos, que esteve dois dias mantido em cativeiro num curral, na Lourinhã. O pastor, de 57 anos, que foi sequestrado por quatro indivíduos que o acusavam de furto de um gerador e […]
Irmãos sequestrados e agredidos por alegado furto de ferramentas agrícolas

”Deram-me tanta porrada, ameaçaram que me cortavam as goelas com uma navalha e que me atiravam para dentro de um poço”, recorda Gerardo Matos, que esteve dois dias mantido em cativeiro num curral, na Lourinhã. O pastor, de 57 anos, que foi sequestrado por quatro indivíduos que o acusavam de furto de um gerador e equipamento da ordenha do gado, confessou estar “cheio de nervos e traumatizado”. No final do ano tinha sido sovado por dois pastores e levado para um eucaliptal em Torres Vedras, onde o ameaçaram de morte caso não devolvesse as ferramentas. “Sofri torturas, deram-me pontapés e socos e tinham uma corda para me enfiar dentro de um poço. Eu, com medo, tive de inventar. Menti e condenei o meu irmão, dizendo que ele é que tinha os objectos, em conjunto com outro indivíduo”, relatou. “Disse-lhes que para irmos buscar as ferramentas convinha irmos com a GNR e então fomos até ao posto da Moita dos Ferreiros. Foi a minha salvação”, contou Gerardo Matos. No posto da GNR o pastor desmentiu a história, mas a sua versão não convenceu e três militares ainda foram à casa do irmão e do outro indivíduo efectuar diligências para reaver o material, que não chegaram a encontrar. “O caso ficou por ali e nunca mais soube de nada”, referiu Gerardo Matos. Mas no dia 9 de Janeiro, quando fazia o almoço, um dos indivíduos que o tinha agredido chega à sua casa, em Papagovas, na Lourinhã, e “depois de estar a falar comigo normalmente, agarra-me por um braço e, com uma pistola na mão, obriga-me a entrar no carro com ameaças que ia dar cabo de mim”. “Levou-me para um pavilhão que serve de curral, no Sobral, na Lourinhã, e meteu-me dentro de uma jaula, feita com palotes (caixotes de fruta) presos com arames. Estive lá dentro agachado até à manhã seguinte”, indicou. Foi quando apareceu o irmão, Dinis Matos, que foi raptado quando se encontrava em casa, no Casal Cigano, Bombarral. O trabalhador rural, de 55 anos, foi levado pelo sequestrador de Gerardo Matos e por mais três indivíduos, e também agredido com socos e pontapés. “Colocaram uma corrente enrolada ao meu pescoço e com um guincho puxaram ao máximo até eu quase perder as forças”, contou Dinis Matos. “Depois puseram-me dentro dos palotes e ameaçaram que me iam entregar a um individuo que me partia todo”, acrescentou. Foram transportados para outro pavilhão onde estão tanques de leite e ali ficaram fechados, até serem soltos pela Polícia Judiciária de Leiria. A salvação só aconteceu porque os agressores quiseram contactar o terceiro indivíduo supostamente implicado no furto dos objectos. Desconheciam era que a GNR do Bombarral e a PJ de Leiria já andavam no terreno, depois de alertadas por familiares de Dinis Matos, e montaram uma armadilha, vindo a caçar os quatro suspeitos do sequestro, com idades entre 37 e 46 anos.   Francisco Gomes         “Ainda estás vivo?”, interrogou o mandante do sequestro quando foi ter com Gerardo Matos, depois de uma noite em cativeiro.   Um tiro a cada um   Os irmãos Matos acusam a esposa do mandante de ser cúmplice. “A mulher dizia-lhe para nos dar um tiro a cada um e abandonar-nos numa horta qualquer”.   Fingiram ser polícias   Dois dos suspeitos fingiram ser agentes da Polícia Judiciária quando foram buscar Dinis Matos. O líder do grupo ficou em prisão preventiva. Os outros encontram-se com termo de identidade e residência e apresentações periódicas na GNR.   Pistola apreendida   O carro e uma arma de fogo que terão sido usados nos crimes foram apreendidos.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados