PSP das Caldas tem polícias a menos do que a média nacional A esquadra da PSP das Caldas da Rainha é a que tem menos polícias por habitante. Este foi um dado revelado em primeira mão ao JORNAL das CALDAS pelo presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP). Paulo Rodrigues confirmou os dados da Inspecção-geral da Administração Interna (IGAI), que efectuou uma inspecção sem aviso prévio à esquadra da PSP das Caldas da Rainha em Maio deste ano e concluiu que existe um polícia para cada 649 habitantes, quando a média nacional se cifra em um polícia para cada 250 habitantes e a União Europeia aconselha um polícia para cada 158 habitantes. São quase três vezes menos polícias nas Caldas, do que na média nacional. O número acaba por ser ainda mais pequeno se tivermos em conta que a esquadra da Marinha Grande, Peniche, Nazaré e outras no distrito com menor número de habitantes têm mais agentes do que Caldas da Rainha. Paulo Rodrigues revelou ainda que existem cerca de duas dezenas de elementos a garantirem o giro, o que representa uma sobrecarga de turnos para os polícias. Actualmente o efectivo da Divisão das Caldas da Rainha é de 76 elementos, havendo quase metade nos serviços da operacionalidade. “É impensável fazer segurança com qualidade com este número de efectivos. Estes elementos asseguram os mínimos dos mínimos. Este número de elementos até põe em causa a segurança dos próprios elementos”, afirmou Paulo Rodrigues. Caldas da Rainha não são o único Município com este tipo de problemas, uma vez que os concelhos do interior têm idênticos problemas de recursos humanos e principalmente envelhecimento. No campo da média de idades dos agentes ao serviço e a garantirem a segurança de pessoas e bens, Caldas da Rainha está outra vez na linha de perigo, uma vez que a média nacional é de 39,8 anos e na cidade das termas a média situa-se em 44 anos. “São situações que nos preocupam numa altura em que os cidadãos querem mais e melhor da polícia e com estas situações só podemos reclamar um mínimo de efectivo para dar resposta quantitativa e qualitativa às solicitações”, apontou. “Temos muitos efectivos em Lisboa e Porto, onde também é preciso, mas depois descuidam-se as zonas menos centrais. A zona de Leiria tem especificidade de ter muitos cidadãos flutuantes. A polícia tem de estar preparada para estes fenómenos. Para se conseguir dar apoio de segurança, precisa-se de efectivos e assim tem sido muito difícil garantir a segurança aos cidadãos nas Caldas da Rainha”, sublinhou o sindicalista. O dirigente sindical indicou que a Divisão de Caldas contempla as Esquadras da Caldas, Nazaré e Peniche, e por isso muitos dos agentes ao serviço estão encarregues de serviços administrativos e espalhados pelas brigadas de trânsito anti-crime e investigação criminal, pelo que apenas sobram 21 elementos para garantirem a segurança na cidade caldense durante 366 dias por ano e 24 horas por dia. Este número escasso de polícias não é tão notório durante o dia, porque existem todas as outras valências em funcionamento no período diurno, mas à noite acentua-se mais porque apenas há uma viatura a circular com um ou dois elementos. A acrescer a tudo isto não estão contabilizadas férias, folgas, baixas por doenças de cada um destes 21 agentes da patrulha da polícia de Caldas. A PSP e a Associação Comercial dos Concelhos das Caldas da Rainha e de Óbidos (ACCCRO) organizou uma sessão de esclarecimento onde se tentou passar a mensagem de que os comerciantes devem tomar medidas de prevenção. No final da sessão o clima e o sentimento de nada poder ser feito era notório no rosto dos comerciantes, uma vez que os meios da polícia são insuficientes e porque as actuais leis protegem mais os meliantes do que propriamente os comerciantes e os cidadãos. “Vocês blindem os vossos estabelecimentos, vistam o colete à prova de bala e contem connosco. Foi isso que os senhores da PSP nos disseram”, referiu José Gouveia Moniz, proprietário da perfumaria Central, assaltada cinco vezes nos últimos meses. “Nós não precisamos disto, queremos saber o que podemos contar da parte das autoridades policiais. A exposição feita pelos senhores da polícia foi sobre conselhos para assaltos em pleno dia e com os estabelecimentos abertos e em funcionamento. Nas Caldas o que acontece são roubos e arrombamentos durante a noite. É esta a nossa preocupação”, acrescentou o comerciante, que já pernoita no seu estabelecimento e já confessou que irá abater alguém que entre durante a noite e por isso já tem a ASAE “à perna” porque não pode ter a arma de defesa pessoal no estabelecimento. “Sentimos que não há meios humanos suficientes e meios motorizados que possam dar protecção às Caldas da Rainha. Não vimos de quem manda disponibilidade para fazer protecção aos cidadãos”, frisou, questionando se a PSP das Caldas “tem ou não meios para defender a cidade”. Da parte do comandante da Divisão da PSP das Caldas, o desabafo foi no sentido de referir que “tem de se contar com os meios existentes”, sem dizer a sua quantidade. O comissário Cardoso Silva ainda assim manifestou que “o problema dos furtos não é apenas das Caldas, uma vez que existem por todo o país. Os senhores querem saber dos problemas das Caldas e compreendo que querem meios, mas eles não vêm porque os senhores querem. A polícia das Caldas está empenhada em solucionar os problemas. Não há polícia para pôr em cada estabelecimento ou casa. Por mais meios que haja, é uma utopia pensar-se em acabar com os assaltos. Temos é de tentar minimizá-los. Vocês devem de alguma forma proteger-se. É essa a mensagem que tentamos passar com esta exposição”, sublinhou. O comandante da Divisão da PSP das Caldas acabou por assumir, perante a pressão dos comerciantes, que “há falta de meios”, mas assumiu também que essa “se houvesse mais 20 ou 30 polícias isso não iria evitar que os estabelecimentos fossem assaltados outra vez”. O comerciante José Gouveia, perante essa declaração, disse que já mandou “colocar grades nas montras e proteger mais o seu estabelecimento”, mas lembrou o assalto a uma ourivesaria onde foi arrombada a grade. Perante esta situação, Cardoso Silva manifestou que “a colocação de grades protege mais o estabelecimento, mas não evita os assaltos”. De qualquer forma, “dificulta a acção dos bandidos. Tudo o que podermos fazer para dificultar a acção dos ladrões, é bem-vinda”, disse. Em desabafo e em tom mais emotivo, o segundo comandante da Divisão das Caldas lembrou que cada vez que há um assalto nas Caldas fica “chateado”. Miranda Rodrigues comentou que “estamos em conjunto para defender as Caldas. A polícia quer o melhor para as Caldas. Nós juntos podemos fazer mais e prova disso é termos chamado aqui os senhores. Não temos os meios todos. Mas a PSP está disposta e disponível”. José Gouveia retorquiu que os comerciantes sabem das “condicionantes legais na actuação da polícia”, havendo por isso “um sentimento de impunidade muito grande”. O único comerciante de Óbidos presente nesta sessão lançou para a discussão a contratação de segurança privada, medida que dividiu os comerciantes. Joaquim Agostinho, proprietário das lojas Romã, Açoteia e Vasari, relatou que tem grades e sistema de alarmes em todas, mas na Vasari “os indivíduos entraram pelo tecto e levaram-se meia loja”, lamentou. Luís Ramiro, comerciante da loja Ramiro, confessou que “as pessoas andam em pânico” devido a esta onda de assaltos, mas frisou que “se nada for feito a nível governativo as coisas irão piorar”. “Deveriam colocar as tropas nas ruas a vigiar as pessoas”, sugeriu. José Manuel, proprietário do Bar Joyce, recordou um problema que houve com um cidadão brasileiro que destruiu o seu estabelecimento, partiu a perna a um polícia e era um terror a nível distrital, mas “nunca foi extraditado” apesar de na altura do seu primeiro caso na polícia estar ilegal no território nacional e até aqui nunca ficou preso. Perante estes factos considerou que “o problema não é apenas da polícia, mas também das leis e dos tribunais, porque num dia apanham um ladrão e no dia seguinte se ele quiser é que aparece em tribunal”, frisou. Depois deste relato o chefe José Fernando, responsável pela polícia de investigação criminal, confessou que “a polícia está de mãos atadas” e que o que pode fazer “é apenas identificar em alguns casos os indivíduos”. Também José Henriques, proprietário da papelaria Bordalo, contou três episódios, sendo o primeiro relacionado com um furto de 200 volumes de tabaco, tendo recebido um telefonema da polícia da Amadora que tinha recuperado 12 volumes de tabaco a um indivíduo caldense que tentava trocar o produto por droga. O comerciante, que tinha feito queixa contra desconhecidos, dois meses mais tarde recebeu uma carta do tribunal, onde lhe era dito que este processo “tinha sido arquivado por falta de provas”. O segundo episódio esteve relacionado com outro assalto, que ocorreu “às três da manhã”, onde José Henriques apresentou queixa e “os indivíduos ficaram detidos na esquadra. O agente que os prendeu, iria estar de folga naquele dia e deixou de a gozar para os apresentar a Tribunal durante a manhã. No final, pelas onze horas da manhã, os dois assaltantes apareceram-me na loja a comprar um maço de tabaco”. A terceira situação de José Henriques, esteve relacionada com uma desistência da queixa de três assaltos por sentir que nada seria feito mas na altura no Ministério Público disse que só poderia desistir se confessasse que não tinha sido assaltado, uma vez que era um crime público. Então José Henrique assinou um documento onde pediu que “ficasse escrito que fui roubado mas que desistia do prejuízo”. Perante estes relatos, os comerciantes concordaram que o problema não é só da falta de meios, mas também as questões legais e os tribunais. Um dos elementos da polícia presente nesta reunião sugeriu que estes casos e outros deveriam ser enviados ao representante do Governo no distrito para que fossem tomadas medidas. Da parte da ACCCRO, João Frade sustentou que “a PSP deve patrulhar mais a cidade. Os comerciantes devem tornar os estabelecimentos mais seguros e assim menos vulneráveis. Queremos sensibilizar o Governo para aprovar o sistema central de segurança interna e que comporta a instalação de câmaras de vídeo vigilância na cidade e com isso serão dissuasoras da criminalidade. Não pomos de parte a criação de guardas-nocturnos”. O presidente dos comerciantes revelou que “faltam cerca de 50 efectivos na polícia de Caldas” e colocou-se ao lado dos seus associados. “Compreendo o desespero das pessoas, estou solidário com os comerciantes, mas acho que não devemos enveredar por medidas ilegais como são o caso de milícias. A ACCCRO tudo fará para sensibilizar o Governo para o reforço de elementos. Não descuramos a hipótese de fazer uma reunião com o Ministro da Administração Interna. O reforço de elementos nas Caldas é algo que tem de ser resolvido em poucos meses”, declarou João Frade. Carlos Barroso
Comerciantes desapontados em reunião na esquadra
22 de Dezembro, 2009
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