Era um casal feliz; as discussões eram poucas e até podiam ser nulas se a mulher não tivesse um defeito que exasperava o marido. Enquanto ele era escravo do relógio, ela não primava pela pontualidade. Se tinham de sair em passeio o marido esperava habitualmente uma boa meia hora; às refeições a mesma coisa – naquela casa nunca se ia para a mesa a horas, ou porque a comida não estava pronta ou porque a mulher ainda não tinha acabado de se arranjar. Nestas ocasiões ou outras pelo mesmo motivo o marido tinha sempre uma maneira áspera de reagir – não tens horas para nada…; estou farto de esperar…; cada vez estás pior e eu começo a perder a paciência…, etc. A verdade é que nada resultava e mulher não se emendava. Um dia, num dos tais em que a paciência para esperar estava a esgotar-se, o marido teve uma ideia e pensou para consigo: vou mudar de táctica. Melhor o pensou melhor o fez. Combinaram sair e ao fim do marido estar à espera meia hora a mulher chegou. Em vez dos remoques do costume o marido disse amavelmente – que bem te fica esse vestido, vens muito bonita! Num dia em que o marido teve de esperar mais de 15 minutos pelo almoço, a conversa não azedou, mas versou sobre o tema da qualidade da comida – a sopa está uma especialidade e este frango que preparaste está uma delícia! Quando um dia o marido teve de esperar mais de uma hora por um fato passado a ferro que precisava para levar a uma reunião da empresa, em vez de um ataque de fúria a mulher ouviu: parece novo tão bem brunido está o fato; vou fazer um figurão. Virando-se para a mulher disse-lhe: havias de ver como alguns colegas meus se apresentam; o fato todo enrugado e a camisa na mesma; eu penso logo na diferença que tu fazes dessas mulheres… A mulher começou a ficar muito surpreendida e como prova de boa vontade e correspondência a tantos galanteios, tentou modificar-se. Quando o marido dizia que queria sair ela perguntava logo a hora e só se atrasava uns 5 minutitos… A hora das refeições passou a ser quase sagrada e a mulher aparecia sempre convenientemente arranjada: começava mais cedo a cozinhar para ter tempo de tratar dela. E com o tempo a pontualidade passou a ser uma das suas características. E porquê? Porque o marido pôs em prática o ditado popular: «não é com vinagre que se apanham moscas». O que as discussões e zangas não tinham conseguido, foi alcançado com uma certa manobra – o elogio e o apreço, neste caso o «mel que apanha melhor as moscas». Maria Fernanda Barroca
É com mel que se apanham as moscas…
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