Não falta muito para que comecem as “telenovelas” à portuguesa, ligadas à política e ao futebol. A campanha eleitoral ainda não começou e os campeonatos nacionais, europeus ou mundiais, também não, mas já vemos e ouvimos muito barulho em torno destes dois assuntos – muito tempo de antena, muitas palavras escritas nos jornais e muitas também ditas aos microfones das diferentes rádios. Todas se pautam por um dado adquirido à partida: somos vencedores. Os políticos desde que subam um ponto nas percentagens ou ganhem mais um deputado, dizem sempre que ganharam; os clubes, mesmo que percam os títulos ou as taças, também se consideram vencedores, pois, dizem: atingimos os nossos objectivos, mesmo que seja um modesto quarto lugar. Digam-me o nome de quem assuma, sem hipocrisia uma derrota. Não se encontra. Os políticos derrotados queixam-se da crise ou se são governo queixam-se do «desgaste» de ser poder; os agentes desportivos queixam-se, das injustiças e desrespeito dos árbitros. E assim com todo este folclore vamos vivendo, embalados no sonho de melhores dias e esquecendo a crise profunda que nos afecta e continuará a afectar se continuarmos, governo e governados, dirigentes e adeptos, a meter a cabeça na areia como faz a avestruz. É certo que a campanha eleitoral ainda não começou, mas já os dirigentes partidários se desdobram em promessas para o novo mandato – promessas essa que se esquecem na noite da votação, como já nos vamos habituando. Os campeonatos ainda não começaram, mas os clubes investem milhões mesmo sem terem ainda receitas de bilheteira. Vale o nome, vale a fama e depois se verá. Se der para o torto, paciência, para o ano tudo vai ser melhor e os adeptos, os eternos resignados, encolhem os ombros, fazem uns arremessos de barulho e continuam a aplaudir, por vezes com laivos de histerismo, até ao momento que, fartos, empunham os lenços brancos do adeus, quer dizer, do «vai-te embora». Política ou futebol? Não há remédio – temos de viver com eles, pois mesmo que não queiramos, e nós até queremos, eles invadem o nosso dia-a-dia. Maria Fernanda Barroca
Política ou futebol?
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