If you wanna make the world A better place Take a look at yourself And then make a change (em “Man in the Mirror”, Michael Jackson) Deixou-nos um dos maiores ícones da música de todos os tempos. Michael Jackson foi amado por muitos e odiado por outros. Tratado como um herói e também como um excêntrico, deixou um legado impressionante. Música, dança, espectáculo eram alguns dos seus talentos. Por detrás do seu encantador sorriso, uns afirmam esconder-se uma espécie de monstro capaz das maiores atrocidades. Mas o Rei da Pop era sensível, bem disposto, tinha um enorme sentido de humor, dava o seu melhor naquilo que fazia, segundo dizem os que o conheram de perto. Contudo, a sua morte e tudo o que se diz sobre o ídolo de milhares de pessoas em todo o mundo, deixou-me a pensar em quem seria, afinal, Michael Jackson para além do que se encontra nos media. De repente senti-me triste, ao dar conta que nunca irei saber quem foi, ao certo, o cantor. E falo deste artista americano, como poderia falar de tantas outras figuras mediáticas que passam uma vida inteira a ser amadas por uns, odiadas por outros, ficando sempre a dúvida: quem serão eles por trás do que se diz por aí? Quem serão, de facto essas pessoas que parecem ser tão felizes, ter tudo o que querem, mas que, muitas vezes, aparentam estar tão sozinhas e sem verdadeiros amigos, por detrás dessa máscara que chega até nós? E este pensamento levou-me a outra consideração, já tão antiga quanto o Homem: o que é a verdade? Por que é que nunca conseguimos ver as coisas e as pessoas como elas são? Um dos factores são, de facto, os interesses que se movem por trás dos media (sejam eles económicos, políticos, etc) e que tornam difícil que os factos cheguem até nós sem qualquer distorção. Outro factor, somo nós próprios, com a nossa curiosidade e capacidade de julgar. Desta forma, incentivamos todos esses interesses a porem-nos à frente dos olhos um conjunto de informações, que nós consumimos uma e outra vez, em lugar dos próprios factos. Sucede que a vida de certas pessoas mais mediáticas é completamente destruída, devido a estes factores que nos ultrapassam e dos quais perdemos o controlo. Michael Jackson é apenas um exemplo. Recordo a morte da princesa Diana e todas as implicações por trás dessa ocorrência. Estes ídolos movem multidões. O curioso é que, quando gostamos de alguém, se falamos sobre essa pessoa a outros, destacamos as coisas boas e as qualidades que essa pessoa tem. Ora se assim é, porque será que em relação aos cantores, actores, bailarinos, e demais figuras públicas, sempre faz vender mais jornais, revistas, etc, explorar a sua vida de forma destrutiva? Dá ideia que, bem lá no fundo, não gostamos realmente dessas pessoas. Se assim é, então porque as seguimos? Será que as críticas são fruto de uma certa inveja, uma vez que não conseguimos ser e ter tudo o que eles possuem? É uma pena que percamos tanto tempo a apreciar, e a discutir, os pormenores acessórios das pessoas. Se nos focássemos mais naquilo que têm de bom, seríamos todos mais felizes e o mundo um lugar melhor, como disse algum dia o Rei da Pop. Gostamos sempre de ir mais longe, e é bom que o façamos, pois significa que temos uma enorme riqueza e potencial. Mas por que não procurar chegar à verdade das coisas, em vez de nos mantermos a um nível mais básico, rebuscando e colorindo os factos? Poderia concluir que a verdade não tem piada, porque é tão simples que até parece mentira! De facto, gostamos de criar enredos, de florear os discursos, de apronfundar as coisas. Mas nem nos apercebemos que tudo o que está a nossa volta, afinal, é muito mais simples do que nós gostaríamos. Porque o ser humano é simples. Apenas tem a capacidade de criar, de inovar, de reinventar. E esta procura por tudo o que é diferente, leva-nos a exagerar as coisas, a mostrá-las noutra perspectiva, para as tornar mais apetecíveis e misteriosas. Mas continuarão a ser verdadeiras? Se Michael Jackson tivesse retirado a máscara, fazendo com que todo o misticismo que gira à sua volta caísse por terra, não se teria transformado no maior entertainer dos tempos modernos. Talvez ele não se tivesse importado com isso. E nós? Será que também usamos uma máscara? Filomena Borges Gonçalves
Fechar a estrada antes que o rio decidisse por nós
Este texto é um reconhecimento. Escrevo-o porque sei que os factos aconteceram desta forma. Porque conheço quem tomou a decisão. Porque sei como foi ponderada, discutida, insistida. E porque nem sempre quem evita a tragédia é quem aparece a explicá-la.



0 Comentários