Uma articulação entre a cidade e um novo parque urbano idealizado para a freguesia de Santo Onofre, entre o Cencal e o Colégio Rainha D. Leonor, é uma das proposta dos arquitectos do atelier Embaixada Arquitectura, de Lisboa, que vieram às Caldas da Rainha apresentar algumas intervenções arquitectónicas que idealizaram para a cidade das Caldas da Rainha. “Cumprindo uma função correspondente ao Parque D Carlos I, o novo parque proposto actua na estrutura da cidade como um upgrade formal e funcional. Em benefício global da identidade da cidade esta infra-estrutura actua na regulação dos fluxos urbanos entre os hemisférios (St.º Onofre/ N.S. Pópulo)”, referiu Paulo Rodrigues, um dos elementos do atelier Embaixada, que apresentou o projecto do “novo parque da cidade”. Segundo este responsável, para a implementação do parque prevê-se o “trabalho paisagístico e topográfico do terreno existente, acentuando as suas características actuais e beneficiando a articulação das margens habitadas”. Sobre esse tabuleiro natural, os arquitectos propõem uma “estrutura global de suporte a partir de sete nós arquitectónicos que permitem albergar o novo programa, com a implantação de um Parque Infantil, um Centro de Dia, um Café Bar, um Parque de Merendas, um Anfiteatro ao ar livre, Quiosque, Instalações Sanitárias, Piscina ar Livre, Ringue footsall e multidesportos”. Este projecto foi apresentado na quarta sessão do Caldas Welcome, que decorreu no Mazagran café, a 18 de Abril, e ao qual assistiram cerca de 60 pessoas. O objectivo do atelier Embaixada era apresentar o projecto do “novo parque”, mas ao analisarem a cidade decidiriam propor outras intervenções. Com o estudo que fizeram, concluíram “a existência de um forte desfasamento entre a cidade real e a ideia conceptualizada que os seus habitantes dela têm. A presença da linha de comboio como elemento definidor da evolução do tecido urbano e a sua ausência na representação da cidade são disso o melhor exemplo”. Partindo desta análise propõem três intervenções que permitem a reposição da verdade territorial e a criação de uma imagem identitária global e assente no território real. Para Paulo Rodrigues a linha de comboio divide a cidade que tem equipamentos e serviços necessários em ambos os lados. Este responsável considera que “tem de haver uma articulação maior entre ambas as partes e propõe-se reforçar o circuito de atravessamentos entre as freguesias St.º Onofre/ N.S. Pópulo com uma rede composta por uma nova passagem rodoviária e cinco novas passagens de peões e tráfego ligeiro (bicicletas, entre outras)”. Reformular o edifício da estação tornando-o também uma interface entre as freguesias St.º Onofre/ N.S. Pópulo é outra proposta deste atelier. Na sua intervenção, Paulo Rodrigues falou da ESAD, considerando que está muito afastada da cidade. Frisando o facto das Universidades serem os motores de desenvolvimento de uma cidade, propõe “recuperar o complexo dos silos através de uma parceria que envolva a Autarquia e a ESAD, tornando-o o ponto de interacção da escola com a cidade bem como o cartão de visita da cidade no crescente turismo cultural. Esta estrutura albergaria, entre outras funções, Incubadora de Empresas na área das Indústrias Criativas, Espaços de exposição, Ponto de venda das Cerâmicas produzidas na região, Residência de Artistas para recepção de eventos ligados à cerâmica”. A Embaixada foi fundada em 2001 com o objectivo de produzir trabalhos capazes de responder de forma inédita aos requisitos impostos pela vivência contemporânea. Este atelier é responsável pelos projectos do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental da Guarda, Casa dos Cubos – Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA) de Tomar, Sede da Delegação do Algarve da Ordem dos Arquitectos em Faro e Centro de Monitorização Ambiental e Prevenção de Risco (CMAPRI) da Marinha Grande. É mais barato andar de táxi e de transporte público Bastante aplaudida foi a intervenção do arquitecto e vereador do Urbanismo da autarquia caldense, João Aboim, que abordou a “cidade em movimento”. Segundo o vereador, 25 mil veículos enchem a cidade das Caldas da Rainha todos os dias, frisando que a ocupação de espaço público de um automóvel estacionado é equivalente a 10 pessoas (12,5 m2) e de uma viatura em movimento a ocupação de largura de via é equivalente a 4-5 pessoas. Como forma de devolver a cidade ao peão, de facilitar a acessibilidade e diminuir a poluição, averiguou o impacto económico na cidade de Caldas da Rainha se as famílias pudessem prescindir de um carro utilizando os transportes públicos e/ou mobilidades suaves. Segundo conclusões do autarca, “50% das famílias em área urbana têm dois ou mais carros. Um dos carros serve apenas para deslocações de curta duração em meio urbano, sendo o segundo carro familiar, um pequeno utilitário com um valor médio de aquisição de cerca de 15.000 €. A aquisição do 2º carro por leasing a 5 anos, utilização deste 2º carro em deslocações para levar os filhos à escola, compras e actividades diversas no meio urbano consolidado com uma área de 2×2 km, o custo anual é de 3266,712 € (272,226 €/mês), o que corresponde a 83 viagens de táxi por mês (4 viagens/dia útil = 88 viagens)”. No estudo que fez com a despesa com o transporte público de 2 membros da família que passam a usar transporte público, revelou que a despesa por família se cifraria em 694 €/ano. “Teríamos 2.500 famílias a pouparem 2 572 €/ano, injectando 6 430 000 €/ano na economia urbana das Caldas da Rainha”, apontou. O vereador falou do sucesso que tem sido o Toma, referindo que no primeiro mês de funcionamento fez 19 mil viagens. João Aboim aproveitou o momento para anunciar que a Autarquia vai finalmente relançar o concurso para a abertura da linha azul do Toma que vai da Zona Desportiva ao Parque Belver, passando pelo centro da cidade das Caldas da Rainha. Proferiu também algumas palavras sobre o projecto Tornada, revelando que os abrigos das paragens das camionetas vão ser substituídos e os horários dos autocarros que estão a ser rectificados e coordenados vão estar devidamente identificados nas novas paragens. O projecto cicloparque foi outro tema abordado pelo vereador. Segundo João Aboim, os apoios para bicicletas vão ser colocados em vários pontos da cidade, nomeadamente em frente a algumas escolas. Sendo esta a última sessão do projecto Welcome Caldas, o arquitecto Simon Troufa Real apresentou uma síntese conclusiva positiva dos quatro encontros decorridos. No entanto, também sendo profissional na área, deixou a sua proposta para a cidade, salientando que deveria haver uma articulação entre a ESAD, a Fábrica Rafael Bordalo Pinheiro e a Câmara Municipal. O arquitecto propõe a criação de um espaço amplo mais perto do centro da cidade onde os alunos possam trabalhar e em simultâneo terem em exposição as suas obras criativas. Também sugere um protocolo entre a ESAD e as Faianças Bordalo Pinheiro com o objectivo da empresa inovar. A Autarquia surge como uma âncora dinamizadora que pode dar vida a estes projectos. É a opinião de muitas pessoas que assistiram aos quatro encontros do Caldas Welcome e que pôs a opinião pública a falar sobre a requalificação da cidade, que este projecto continue. Vítor Costa e Daniel Saavedra, mentores da iniciativa, estão a ponderar dar continuação ao projecto com outras actividades que serão anunciadas brevemente. Marlene Sousa
Apresentados projectos para unir as duas freguesias da cidade
22 de Abril, 2009
Uma articulação entre a cidade e um novo parque urbano idealizado para a freguesia de Santo Onofre, entre o Cencal e o Colégio Rainha D. Leonor, é uma das proposta dos arquitectos do atelier Embaixada Arquitectura, de Lisboa, que vieram às Caldas da Rainha apresentar algumas intervenções arquitectónicas que idealizaram para a cidade das Caldas […]
Apresentados projectos para unir as duas freguesias da cidade
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