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Projecto Caldas Welcome – reinventar a cidade

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Cerca de 60 pessoas reuniram-se no dia 14 de Março, no café concerto do CCC, para a primeira sessão do Projecto Caldas Welcome – reinventar a cidade. Foram mais de duas horas de discussão à volta dos meios urbanos, com propostas de pessoas que pensam a cidade, promovendo, assim, o debate de ideias e a […]
Projecto Caldas Welcome - reinventar a cidade

Cerca de 60 pessoas reuniram-se no dia 14 de Março, no café concerto do CCC, para a primeira sessão do Projecto Caldas Welcome – reinventar a cidade. Foram mais de duas horas de discussão à volta dos meios urbanos, com propostas de pessoas que pensam a cidade, promovendo, assim, o debate de ideias e a busca das melhores soluções para o futuro das Caldas da Rainha e de outras cidades. Para muitos a cidade da Rainha já não é o que era. “A Praça da Fruta, que chegou a ser o ponto de encontro de centenas de jovens, já não tem vida à noite. Os poucos cafés que não foram substituídos por bancos nem sequer abrem à noite”, disse Edgar Ximenes que esteve presente na sessão. Trata-se de uma iniciativa de três gabinetes de arquitectura – “Embaixada Arquitectura”, “Traço mais, design/arquitectura/engenharia” e Os Espacialistas”, que foi impulsionado pela JSD das Caldas da Rainha. Paulo Ribeiro, presidente da JSD, fez saber que a organização do projecto “Caldas Welcome” tornou-se independente, “dado o crescente envolvimento da sociedade civil caldense”. No entanto, Paulo Ribeiro disse que a organização continua a contar “com o apoio e a participação incondicional da JSD”. Este projecto divide-se em quatro sessões, com oradores convidados que irão apresentar propostas concretas sobre a requalificação do topo da Praça da Fruta, novo parque municipal (zona do complexo desportivo), requalificação do centro da cidade, requalificação da zona da Rainha com a construção do museu da água, instalação de uma escola de alta costura e de modelos (numa fábrica recentemente encerrada) e localização para um novo parque empresarial na cidade. “Com a sua atitude crítica e inovadora, certamente trarão mais-valia às Caldas”. Na primeira sessão do Caldas Welcome, o vereador do Urbanismo da Câmara das Caldas, João Aboim, apresentou o projecto da recuperação do topo da Praça da Fruta. “O que eu vou apresentar é um mero estudo”, referiu, acrescentando que a recuperação da Praça da Fruta tem de ter um enquadramento estratégico que se prende com oito vectores de desenvolvimento: Acessibilidade/mobilidade, turismo, ambiente, cultura e educação, saúde, desporto, agrícola e empresarial. O vereador quer potenciar a função da praça como um mercado abastecedor diário, com vegetais frescos ao ar livre, pão e confeitaria regional, enchidos e peixe. “O objectivo é criar um mercado especializado com produto certificado da região e a nível nacional”, salientou o autarca, adiantando que quer com o projecto que “as pessoas de Lisboa saibam que no mercado das Caldas podem encontrar a alheira de Mirandela, os doces do Algarve e as Cavacas das Caldas”. O estudo foi feito tendo em consideração a recuperação do topo norte da Praça da Fruta (antiga PSP) como espaço de apoio à Praça da Fruta no desenvolvimento de espaços de recolha de objectos, sanitários e espaços de produtos certificados, zonas de cacifos de aluguer ao público, escritório de apoio à Praça e ao comércio electrónico, requalificação de superfície com espaço público com ligação à mata, requalificação do aqueduto do Chafariz das Cinco Bicas e parqueamento automóvel em cave com zonas exclusivas aos vendedores e mercado do peixe. Para o vereador, uma cidade tem que cada vez mais depender dos transportes públicos e “podemos fazer com que as pessoas não dependam do automóvel”. João Aboim falou que num estudo que foi feito sobre a circulação automóvel, verificou-se que num sábado por volta das 11h00 entraram no espaço de uma hora 800 veículos na Praça 25 da Fruta. A sessão contou ainda com a presença de António Mendes Pedro, que falou sobre a “Psicologia do espaço e suas vivências”. Para este psicólogo, a “nossa relação com a cidade provoca um sentimento de pertença e define uma identidade de lugar”. Pediu ao público para desenhar a carta mental do percurso da cidade com qual mais se identifica e para depois ligar esse percurso aos 5 sentidos humanos. No final alguns elementos do público apresentaram os seus mapas da cidade. A arquitecta Flávia Cadete abordou o tema da “Evolução da cidade ao longo dos tempos”. Para esta jovem, que se baseou no trabalho da sua tese, “a nossa memória individual são as nossas vivências. A forma como nós nos identificamos com a cidade é criada por cada um”, salientou a arquitecta, considerando que a identidade da cidade das Caldas da Rainha é criada “por cada um que lá mora”. Segundo Flávia Cadete, as cidades tendem evoluir em prol da circulação dos automóveis. “Por vezes deixa-se de fazer algo que embeleza uma cidade por causa da circulação dos veículos”, alega, defendendo que só se conhece bem um local e uma cidade “andando a pé”. Vítor Costa, um dos mentores do Caldas Welcome, referiu que a cidade é uma máquina viva feita pelos homens. Defendeu que a cidade é das pessoas e que em vez de “nos isolarmos em casa devíamos viver a cidade com mais intensidade”. Para 28 de Março está prevista uma abordagem à “Evolução da cidade contemporânea” por Nuno Antunes, e a “Cidade com identidade”, pelo atelier TraçoMais. A 4 de Abril, Álvaro Cidrais irá falar sobre o “Marketing territorial e o futuro das cidades” e os “Espacialistas” (projecto artístico e arquitectónico) apresentam o “Museu da Água”. A 18 de Abril, o vereador João Aboim irá reflectir sobre a “cidade em movimento” e a Embaixada da Arquitectura irá apresentar o “novo parque da cidade”. Marlene Sousa

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