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Trabalhadores de conserveira de Peniche contestam processos disciplinares

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Uma empresa de conservas de Peniche, com uma centena de trabalhadores, instaurou processos disciplinares, a maioria dos quais com vista ao despedimento, alertou o sindicato do sector, revela a agência Lusa. “A grande maioria dos processos disciplinares têm em vista o despedimento, que consideramos ilícito, e por isso vamos recorrer ao apoio judiciário para impugnar” […]

Uma empresa de conservas de Peniche, com uma centena de trabalhadores, instaurou processos disciplinares, a maioria dos quais com vista ao despedimento, alertou o sindicato do sector, revela a agência Lusa. “A grande maioria dos processos disciplinares têm em vista o despedimento, que consideramos ilícito, e por isso vamos recorrer ao apoio judiciário para impugnar” a medida, afirmou à Lusa a dirigente sindical do SINTAVE (Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, Alimentação, Bebidas e Tabaco), Mariana Rocha. A empresa – Produtos Alimentares António Henriques Serrano (conhecida por Sardinal) – já concretizou, entretanto, cinco despedimentos entre os quais “o de uma funcionária com 37 anos de casa”, adiantou a sindicalista. Dos 70 processos disciplinares que são apontados pelo sindicato, 20 “já tiveram como primeira consequência a suspensão do pagamento de 10 dias de trabalho do mês de Fevereiro”, acrescentou Mariana Rocha. “Em causa esteve o facto desses 20 trabalhadores se terem ausentado durante quatro horas para irem ao funeral do marido de uma colega de trabalho”, contou. Segundo a sindicalista, os responsáveis da empresa instauraram outros processos alegando faltas injustificadas durante o ano de 2008. “Uns casos as faltas reportam-se a dirigentes sindicais que têm as horas justificadas ou de greves efectuadas com aviso prévio”, disse Mariana Rocha. Os trabalhadores prevêem iniciar uma greve de 26 de Fevereiro a 6 de Março. Contactada pela Lusa, a Administração da Sardinal justificou a instauração de 38 processos disciplinares, dos quais já resultaram 13 despedimentos, afirmando que quer punir o absentismo. “Estas trabalhadoras chegaram a faltar, sem qualquer justificação, uma média de 50 dias por ano. Temos pessoas com 70 faltas injustificadas e comprar peixe sem ter as pessoas para o trabalharem causa enormes prejuízos”, afirmou Paula Fernandes, jurista da empresa. Relativamente ao caso de 20 funcionárias que faltaram para ir ao funeral do marido de uma, a representante da empresa considerou que “as funcionárias não eram próximas da colega”. “Não obtiveram autorização para se ausentarem considerando-se que abandonaram o posto de trabalho”, sustentou. Segundo Paula Fernandes, “a empresa atravessou um período complicado há dois anos e está agora em franca recuperação, pelo que a ideia não é encerrar nem efectuar despedimentos”. “Queremos passar a introduzir prémios de produtividade e acabar com o enorme absentismo e consequente desperdício resultante das faltas injustificadas dos trabalhadores”, concluiu.

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