Os trabalhadores das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, não estão dispostos a assinar suspensão dos contratos, como pediu a administração devido à falta de encomendas e liquidez financeira para pagar os salários dos 150 funcionários. Jorge Lourenço, um dos 150 trabalhadores, revelou ao JORNAL DAS CALDAS que “o pessoal está desesperado, não quer assinar a suspensão dos contratos e se a fábrica não abrir a 2 de Janeiro ficamos aos portões e se abrir picamos o ponto, para salvaguardar os nossos direitos”. José Fernando, da União dos Sindicatos de Leiria, que já reuniu com a administração, apontou que a empresa não tenciona pedir a insolvência. “Tudo leva a crer que será mais uma empresa com os trabalhadores no desemprego”, lamentou. Para o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Fernando Costa, a situação da empresa, “mais do que uma surpresa, é uma tristeza”. Uma das mais antigas e conceituadas indústrias cerâmicas do País está na iminência de fechar portas em Janeiro. Trata-se de uma das poucas fábricas de louça cerâmica ainda existentes em Portugal e que é herdeira da unidade fabril criada em 1884 pelo artista que lhe dá o nome. A administração da empresa, num comunicado aos trabalhadores, apela a que estes “requeiram a suspensão dos contratos de trabalho enquanto não houver encomendas”. “Caso assim entendam, esse pedido deverá ser efectuado junto dos Recurso Humanos, que facultará toda a informação e documentação necessária para o efeito, nomeadamente, declaração da empresa, modelo para o subsídio de desemprego e comunicação à Autoridade para as Condições de Trabalho que a suspensão seja considerada com início a 1 de Janeiro”, informa o administrador, Jorge Serrano. “Para Janeiro de 2009 não temos encomendas e, consequentemente, não temos dinheiro para salários”, descreve. Este responsável adianta que “no mês de Dezembro as nossas vendas resumiram-se a meia dúzia de encomendas, ‘tiradas a ferros’, de 57 mil euros, e o valor de encomendas previsíveis para 2009, face à crise internacional que vivemos, principalmente a que afecta os nossos clientes maiores – os Estados Unidos – é assustadora”. A solução, segundo o administrador, passa pela “procura de captação de encomendas junto de antigos clientes, e eventualmente de novos, incluindo os do mercado nacional”. A situação leva a que “no início de 2009 teremos de limitar a actividade da empresa, garantindo os serviços mínimos indispensáveis”, mas “não podemos garantir aos nossos trabalhadores que exista trabalho para executar nem tão pouco que exista dinheiro para pagar os salários de Janeiro”. A empresa facturou este ano 1,9 milhões de euros, quando em 2007 o valor das encomendas foi de 4 milhões de euros. As previsões para 2009 apontam para apenas 75 mil euros, de empresas dos Estados Unidos, Alemanha e Dinamarca. A tendência negativa vem-se agravando nos últimos anos e em 7 de Setembro de 2007 é enviado um primeiro memorando aos sócios da empresa, justificando a necessidade de implementar uma reestruturação. Em Novembro de 2007 foi apresentada uma reestruturação financeira como solução para fazer face a um negro período de falta de encomendas. Foi feito um estudo de viabilização, que apontou para a alienação de património para amortização do passivo, a redução de custos com pessoal e o aumento das vendas, que foi submetido ao IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, no âmbito de um processo extrajudicial de conciliação. “Verifica-se que foram satisfeitas todas as recomendações sugeridas, excepto a referente ao valor do volume de vendas considerado necessário, devido à insuficiência de encomendas”, reconhece Jorge Serrano. A empresa conseguiu em Maio deste ano um importante encaixe financeiro, ao vender à Câmara Municipal das Caldas da Rainha, por 900 mil euros, parte das instalações da fábrica, bem como o património cerâmico (moldes e madres, desenhos e peças), para criar ateliês para ceramistas e um núcleo museológico. Contudo, o ‘balão de oxigénio’ esgotou-se e com o recebimento da última prestação da venda, no valor de 200 mil euros, que se deve concretizar nos primeiros dias de Janeiro, a empresa “irá efectuar o pagamento das dívidas aos bancos, Finanças e ordenados de Dezembro”, anuncia Jorge Serrano. Francisco Gomes
Trabalhadores das Faianças Bordalo Pinheiro não querem assinar suspensão de contratos
31 de Dezembro, 2008
Os trabalhadores das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, não estão dispostos a assinar suspensão dos contratos, como pediu a administração devido à falta de encomendas e liquidez financeira para pagar os salários dos 150 funcionários. Jorge Lourenço, um dos 150 trabalhadores, revelou ao JORNAL DAS CALDAS que “o pessoal está desesperado, não […]
Trabalhadores das Faianças Bordalo Pinheiro não querem assinar suspensão de contratos
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